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sábado, 26 de outubro de 2013

Da leitura ao Duolingo

Como quem acompanha o blog, ainda que esporadicamente, já sabe, tenho o hábito frequente da leitura. Leio de tudo um pouco: procuro mesclar livros de ficção com não ficção, pra misturar um pouco de aprendizado com a mais pura diversão. Vários autores entre os favoritos, além de alguns livros que nunca entendi por que são tão famosos, nem acho que entenderei, como "A Metamorfose", de Franz Kafka, e "O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry, mas este ainda vai ser assunto de outro post.

Atualmente uso um tablet, comprado com o intuito de baratear a aquisição dos livros, o que se mostrou, até agora, um barrete. Como a oferta é muito maior nos livros impressos do que nos livros digitais, até por não existir ainda um grande mercado para livros digitais, os preços do livro impresso acabam sendo menores ou iguais aos preços dos livros digitais, o que não justifica a compra, pelo menos sobre o aspecto financeiro.

Mas o tablet, que possui como sistema operacional o Android, tem outra desvantagem, ou vantagem: o acesso à Internet. Então aquilo que foi comprado com um objetivo passa a ser usado mais para o acesso à web do que para o fim inicialmente proposto. E, melhor ainda: atrapalha o hábito da leitura, pois infelizmente o que temos menos disponível, além da grana, é nosso tempo, e quando você começa a gasta-lo com uma coisa, invariavelmente outra fica de lado.

Mas nada é tão bom que não possa melhorar: por sugestão de alguns amigos, comecei a fazer um curso de inglês num software, gratuito, chamado Duolingo. Faz poucos dias que estou fazendo isto, o inglês estava pra lá de enferrujado, a preguiça em relação ao aprendizado de outra língua cada vez maior, e então me deparo com este software. Gratuito. E excelente. E ele incentiva o aprendizado com uma interface intuitiva, que pode ser usada em várias plataformas (só quem trabalha com isto sabe o custo de se fazer assim), misturado com um acompanhamento de sua evolução no aprendizado, com incentivo para que você se desenvolva. Muito bom mesmo.

E assim vamos trocando a diversão da leitura pela diversão do aprendizado. Pelo menos, ao invés de fazer como muitas coisas que compramos na vida com algum objetivo, que quando não alcançado faz com que tenhamos mais uma tralha em casa sem uso, neste caso o destino acabou sendo mais nobre do que o imaginado inicialmente. E a vida segue...

Abraços,

Henri

sexta-feira, 29 de março de 2013

Oportunidade perdida

Em 2009 saiu uma notícia informando que a venda de livros digitais superava a venda de livros físicos no site da Amazon americana. Em algumas categorias, como a de livros de ficção, a venda de e-books superou a venda de livros físicos, considerando todo o mercado norte-americano, no ano de 2011.

A empresa que foi a grande responsável por esta mudança foi a própria Amazon, que lançou um leitor de livros digitais (e-reader) chamado Kindle, que fez muito sucesso, e que acabou provocando uma grande redução no mercado de livros físicos, levando ao fechamento da segunda maior cadeia de livrarias americana, chamada Borders, e a redução significativa do número de lojas da maior rede de livrarias daquele país, chamada Barnes & Noble.

Para fazer todo este sucesso, um dos pilares da estratégia da Amazon foi o preço. Ela fez pesadas negociações com grandes editoras, que aceitaram reduções de até 70% no preço de capa de seus livros para que estes pudessem ser vendidos no meio digital. Com um preço menor, e aparelhos de leitura cada vez com maior capacidade e conforto para os leitores, começou a ser feita esta grande revolução.

Hoje existem vários leitores digitais a venda, inclusive no mercado nacional, basicamente em 2 categorias: aparelhos cuja função principal é a de servir como leitor digital, como é o caso do próprio Kindle, e os tablets, que tem diversas funções, e entre elas aplicativos compatíveis com os livros digitais. Nos 2 casos, há muita facilidade para leitura, para comprar e baixar os livros, não há desconforto visual na leitura, nem a necessidade de se colocar um marcador de páginas quando a leitura é interrompida, visto que abrir na última página lida é uma função básica nestes aplicativos.

E aqui no nosso Brasil? Em dezembro último, a Amazon, após vários ensaios, abriu finalmente a sua loja brasileira. Aqui entramos na oportunidade perdida, citada no título deste post. A negociação com as editoras aqui também foi feita, só que a Amazon não contava que a maior rede de livrarias do Brasil, a Saraiva - Siciliano, já escolada com o que ocorreu no mercado americano, atrapalhasse suas negociações com as editoras.

Pelos números de mercado, mais da metade dos livros são vendidos no Brasil através da Saraiva, considerando tanto as lojas físicas quanto a loja virtual. Isto dá um poder muito grande para a Saraiva frente às editoras. E no mercado circula a informação de que isto tenha sido pela gigante nacional, alertando as editoras que, se os descontos para a Amazon, no caso dos livros digitais, seguisse a mesma política usada pelas editoras americanas, com até 70% de redução no preço de capa, a Saraiva deixaria de distribuir os livros destas editoras. Além disso, deveria haver o lançamento primeiro do livro físico, e somente depois de algum tempo, do livro digital.

Quando seu maior cliente, visando proteger seu mercado, lhe faz uma ameaça destas, não é de se estranhar que as editoras tenham sucumbido. E a Amazon entrou no mercado brasileiro, há 3 meses, oferecendo os mesmos preços que as outras lojas ofereciam para os livros digitais: até 30% de desconto no preço de capa, e aguardando 90 dias, depois do lançamento do livro físico, para lançar o livro digital. Este percentual de desconto é até menor do que boa parte das lojas oferece depois de 3 meses do lançamento, em se tratando dos livros tradicionais, e muitas vezes o livro digital acaba ficando mais caro que o livro em papel. Perdemos então uma grande oportunidade para aumentar o acesso de mais pessoas aos livros, pois o preço é o principal fator de desmotivação para a leitura.

Desta maneira, olhando a realidade atual do mercado, se você gosta de ler livros de autores consagrados, e enxergou no livro digital uma possibilidade de economizar neste seu hábito de leitura, esqueça: não vale a pena comprar um leitor digital. Outros motivos podem te levar para este novo hábito, principalmente as razões ecológicas, mas certamente não as razões econômicas. Simplesmente, não compensa.

PS: muitas das informações acima vieram de um site de tecnologia de que gosto muito, e que tenho em meus favoritos, chamado Gizmodo. Segue abaixo 2 links interessantes sobre este tema:

Gizmodo.com.br: Os desafios da Amazon no Brasil: Saraiva e o receio das editoras
Gizmodo.com.br: Amazon pode comprar Saraiva para enfim desembarcar no Brasil
Gizmodo.com.br: Amazon Brasil estreia com e-books; Kindle chegará por R$299

Abraços,

Henri

sábado, 25 de agosto de 2012

Livros x e-books

Estes dias estava pensando no processo de criação de um livro. Procurei dividir este processo em algumas etapas para facilitar o raciocínio.

Em primeiro lugar um autor (em geral somente um, mas às vezes mais de um) escreve o livro. Este é o principal processo, e certamente o mais demorado: são semanas, ou meses ou até anos trabalhando no enredo, nos detalhes, nas pesquisas, na busca de inspiração até que se tem um produto final.

Este produto passa, então, por uma ou mais críticas, desde a revisão gramatical até a opinião de outros críticos, normalmente mais chegados, que vão dar suas contribuições. Cabe ao autor aceitá-las ou não.

Vou pular uma parte importante, de forma proposital, agora: a negociação com editora para a publicação do livro. Isto pode ter ocorrido a qualquer instante, muitas vezes até antes da escrita do livro.

Em seguida o livro é diagramado por um profissional, ou por um software, nos casos mais simples. Deste processo, temos o primeiro resultado final, que é um livro pronto para ser lido com apoio de um software, como o Adobe PDF. Isto demora alguns dias para ser feito.

Este processo, até este ponto, é o mesmo, não importa se o livro terá um formato digital ou se será impresso. É a parte mais trabalhosa. Deveria ser a mais cara.

Depois disso há uma bifurcação: o livro pode ser convertido para um formato vendável para ser lido em dispositivos especiais - nos computadores ou nos tablets, geralmente num formato chamado EPUB. Ou o livro pode ser impresso, para a leitura no formato tradicional.

No formato tradicional, entram agora diversos custos: o papel que será gasto, o tempo da impressão, o trabalho dos profissionais que imprimem os livros, a impressão da capa, a montagem do livro (que pode ser mecanizada ou não), o lucro da empresa que imprime os livros. Quando os exemplares estão prontos, temos o custo de logística e transporte, para armazenar os livros nas distribuidoras, transportá-los para as livrarias, supermercados ou outros pontos de venda, que vão ter também o custo do estoque até a venda final e sua margem nesta operação.

Não sou especialista neste mercado, atuo somente na parte final, sendo um leitor bastante frequente de livros. O que já li, em vários casos, é que um autor mediano, não um best seller, normalmente ganha 1 ou 2 reais por exemplar vendido. Considerando que um livro novo hoje seja vendido por, pelo menos, R$ 20,00, o autor, que produziu a obra, ficou com 5 a 10% do valor.

Já li também que o ponto de venda tem uma margem entre 30% e 50% do valor, ou seja, a impressão do livro e sua distribuição devem custar algo entre 40% e 60% do valor final do livro.

Já no caso do livro digital não há impressão, nem custo de estoque, nem transporte entre a editora e o ponto de venda. Neste caso, qual o sentido que faz os livros, nos 2 formatos, custarem a mesma coisa? No mínimo, para não sacrificar o ponto de venda, deveria custar 40% a menos que o exemplar físico, e ainda assim seria um absurdo.

Já é difícil as pessoas terem o hábito da leitura, porém com a proliferação dos tablets, principalmente, a cadeia deveria lucrar um pouco menos para vender um pouco mais. Não concordam?

Abraços de um inconformado proprietário de um tablet recém-comprado para ser um leitor de livros digitais.