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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Um ídolo chamado Roger Federer

Sempre gostei de jogar tênis - só não aprendi a fazer isto direito. Como tudo na vida, se você quiser fazer isto bem é necessária muita motivação e muito esforço, e confesso que meu esforço neste esporte nunca foi muito grande.

O que não impede a admiração que tenho pelo jogo de alguns tenistas. Entre eles, e principalmente, Roger Federer. E não é de hoje. O estilo de jogo dele, o golpe de esquerda com uma só mão - o chamado backhand - executado a perfeição, o domínio pleno de todos os movimentos do tênis, a habilidade para alternar golpes, tudo isto só aumenta o fascínio pelo ídolo.

Nesta última semana ele voltou às manchetes por ter ganho um torneio na Austrália. Este torneio, também chamado de major, faz parte dos 4 maiores torneios de tênis da atualidade, os chamados Grand Slam, que são: Australian Open na Austrália, Roland Garros na França, Winbledon na Inglaterra e US Open nos Estados Unidos.

A cena dele comemorando a vitória, no final do jogo, parecia um jovem que ganha seu primeiro torneio importante, tal a empolgação. Porém era seu 18º título de Grand Slam, conquistado aos 35 anos de idade. O último destes títulos ele tinha conquistado em 2012, e no ano passado ficou 6 meses parado por conta de uma cirurgia no joelho. Lembra um pouco a história de superação do Ronaldo Fenômeno na Copa do Mundo em 2002.

Mas o que impressiona mais são os 2 rankings dos maiores vencedores destes torneios. Compilei os dados a partir da wikipedia com 2 informações relevantes: quais são os tenistas masculinos que mais chegaram a finais, considerando apenas os majors, e quais os maiores campeões. As informações a seguir consideram os torneios a partir de 1968, a chamada era aberta do tênis.

O primeiro segue abaixo, mostrando todos os tenistas que chegaram a 10 ou mais finais de Grand Slam:


Neste, duas coisas chamam a atenção: a quantidade de vezes que o Federer chegou às finais destes torneios, muito superior a de seus concorrentes, e o fato de que os 3 mais bem ranqueados ainda estarem em atividade, ou seja, a distância para o quarto colocado deve aumentar. Porém é grande a chance de que o terceiro colocado, Djokovic, cresça bastante neste ranking.

Este outro ranking é mais divulgado: a quantidade de títulos de Grand Slam de cada tenista, mostrando todos que ganharam 5 ou mais títulos de Grand Slam:


Agora os 3 tenistas destacados anteriormente, e que ainda estão em atividade, aparecem nas 4 primeiras posições do ranking, agora acompanhados de Pete Sampras, outro monstro das quadras. A distância aqui também é grande entre Federer e Nadal, seu maior rival.

Enfim, os números só servem pra mostrar a grandeza deste tenista. Num circuito que exige muito fisicamente, onde partidas de 5 sets muitas vezes duram mais de 4 horas, em que o intervalo entre estas partidas muitas vezes é de 1 dia, apenas, espanta muito alguém com 35 anos, por melhor que seja sua técnica, conseguir ainda chegar a finais e levantar títulos. Fenomenal.

E pra encerrar, e não dizer que não falei nada do maior tenista masculino brasileiro, um ranking dos invictos em finais e que disputaram mais de uma final. Lá está nosso Guga, dividindo o topo com um tenista ainda em atividade, Wawrinka.


Guga foi o responsável pela motivação de muitos brasileiros para jogar tênis, desde seus 3 títulos em Roland Garros. No meu caso a paixão pelo esporte é mais antiga, e só foi reforçada com ele.

Abraços,

Henri Coelho

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Motivação só existe pelo dinheiro?

Um assunto que sempre me chamou muito a atenção é a motivação. Tentar imaginar o que motiva alguém a continuar batalhando, a crescer, a sempre estar na busca por algo melhor.

Muitas pessoas, e inclusive eu mesmo já pensei assim, ligam muito a questão da motivação ao dinheiro: trabalho motivado se ganho melhor e, se não estou ganhando bem, não tenho motivação pra trabalhar. Mas será que esta ligação é realmente tão íntima?

E neste assunto uma das coisas que mais me chama a atenção são as pessoas que já estão muito bem sucedidas, e que continuam a trabalhar normalmente com a força daqueles que estão no inicio da carreira. É claro que é mais fácil imaginar uma das forças que motivam a maioria das pessoas que precisam do trabalho pra sobreviver, mais o foco maior da inquietação são as pessoas já resolvidas do ponto de vista financeiro.

Um exemplo fácil vem do esporte: talvez o melhor tenista que já tenha visto jogar, e se manter em alto nível por varias temporadas, seja Roger Federer. A quantidade de títulos de Grand Slam (os quatro maiores torneios do circuito, Aberto da Austrália, Roland Garros em Paris, Wimbledon na Inglaterra e Aberto dos EUA) que ele ganhou é assombrosa: 16 títulos, mais do que qualquer outro tenista masculino. Ele também é líder no ranking de premiação recebida, com mais de 60 milhões de dólares, fora o valor recebido dos patrocinadores.

O que motiva um jogador destes a acordar e passar 8 horas do dia treinando, batendo bola, fazendo academia, deixando de aproveitar todo este dinheiro, depois de todos estes recordes e esta premiação? Ele era conhecido em sua juventude por não se dedicar a qualquer jogo-treino com muito afinco: para os bons tenistas da época era relativamente fácil vencê-lo em um jogo treino, porém a derrota era quase certa num jogo válido por um torneio. Certamente, neste caso, não se trata da motivação financeira.

E o que dizer de um empresário que já trabalha há mais de 30 anos, que colocou sua empresa como a número 1 em seu mercado, e que certamente tem uma condição financeira excelente o suficiente pro resto de sua vida, de seus filhos, de seus netos e assim por diante, e ainda se estressa nas 14 horas diárias de trabalho para cumprir todas as metas que ele mesmo se impôs?

E ainda sobre alguém que, depois de passar pelos 50 anos de idade, tem a força suficiente pra começar uma grande empresa do zero? Isto significa abrir mão de oportunidades de vender uma boa ideia e desfrutar do dinheiro recebido, para em troca se estressar bastante pra que uma startup saia do chão e possa lhe permitir correr atrás de viabilizar outras ideias.

Como disse no início, é difícil saber o que serve de motivação para pessoas como as citadas acima. No último dos três casos até acho que sei, e tem muito mais a ver com o benefício a ser gerado a muitas pessoas com o trabalho realizado e muito pouco a ver com aspectos financeiros. Nos outros casos (não citei o nome das 2 últimas pessoas, mas os casos são reais), mantenho a curiosidade em saber a fonte desta vontade de fazer cada vez mais.

Abraços,

Henri Coelho