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sexta-feira, 22 de março de 2013

O mau hábito dos supermercados

Já ouvi muitas histórias de como os grandes supermercados e hipermercados sambam em cima de seus fornecedores, aumentando de forma muito grande suas margens de lucro e zerando o risco de ficar com mercadorias encalhadas.

Como exemplo, existem os enxovais que algumas redes cobram dos fornecedores: quando uma nova loja é inaugurada, todos os fornecedores doam as mercadorias que serão expostas na loja na inauguração, sem custo nenhum pra rede, nem de transporte. Assim é fácil, não é?

A reposição de algumas mercadorias nas gôndolas, nestas lojas, também é feita por conta dos fabricantes. A descarga dos caminhões que chegam com mercadorias? Idem. Se uma mercadoria vence, pois não vendeu, a responsabilidade também é deles. Lógico que os custos estão embutidos no valor das mercadorias, mas isto torna muito mais confortável a operação das grandes redes de supermercados.

E embora tenhamos tudo isto, tem uma parte que pra mim é a mais perversa de todas, pois é a que diretamente bate no nosso bolso, e em especial dos menos atentos: o erro entre o valor marcado da mercadoria, na gôndola, e o valor que está no sistema, e que é cobrado no caixa.

A maneira como passamos pelos caixas do supermercado é bastante propícia para que ninguém repare nisto: há normalmente poucos caixas, o que gera fila e pressão, ainda que velada, de todos que estão na fila para que você seja o mais rápido possível na passagem pelos caixas. A esteira que precede a leitura do código de barras dos produtos não é tão grande, e se você comprar muitos produtos, não é possível colocar todos os itens ali antes que o atendente comece a fazer a cobrança. Não há ninguém para embalar os produtos, então você não consegue olhar os preços que estão sendo cobrados pois tem que colocar os produtos em caixas, em sacolas retornáveis, nas tão criticadas sacolinhas de plástico ou ainda diretamente de volta nos carrinhos. E isto, normalmente, garante que você não vá olhar os preços que estão sendo cobrados.

Mas faça um exercício, e o resultado vai lhe surpreender: procure memorizar os preços dos produtos que você está comprando, pelo menos uma parte deles, e veja o preço que é cobrado no terminal de caixa: em vários casos há produtos anunciados nas gôndolas por um preço, e que passam com outro preço na hora de pagar. E há variações grandes, às vezes acima de 15% nos preços.

Quando você detecta algo assim, eles são muito prestativos: algum atendente é chamado, vai até o local, volta com a informação de que você está certo e o desconto lhe é dado imediatamente, cobrando o menor preço, pois pelo código de defesa do consumidor você tem este direito. E o que é feito em seguida? Nada. O próximo consumidor vai ser atraído por um preço mais baixo na gôndola e vai pagar mais caro no caixa, sem saber. Não há uma atualização do sistema, para cobrar o preço correto. Não há a preocupação em retirar da gôndola o preço errado, se este realmente for o caso. O supermercado não perde nada com isto, só ganha.

Isto faz com que eu não consiga acreditar que estes erros, muito mais frequentes do que imaginamos, sejam ao acaso. É uma situação muito conveniente para as grandes redes, não há nenhuma punição neste caso (o produto deveria ser cobrado pela metade do preço, ou o consumidor deveria ter o produto de graça, ou qualquer outra coisa assim), então só se ganha com este erro.

Em 2 ocasiões me lembro, inclusive, de produtos que estavam em oferta, no meio dos corredores, com muito destaque, e em um caso em 3 pontos diferentes da loja, estarem com preço muito diferente no caixa. Uma vez no Carrefour, onde um pacote de guardanapos estava com um desconto de mais de 40%, e com várias pessoas pegando vários pacotes, e no caixa não existia desconto nenhum: porém, se você reclamasse, imediatamente o desconto lhe era dado, sem até a necessidade de alguém se deslocar para a promoção para conferir. Outra ocasião, no Pão de Açúcar, com um vinho, que estava anunciado em 3 pontos diferentes da loja por um preço, e era cobrado no caixa com 6 reais a mais em cada garrafa, o que representava mais de 15% do preço do vinho. De novo, é só reclamar que eles lhe cobram o preço correto, mas quantos reclamam?

Talvez devêssemos aprender a fazer barulho nestes casos. Será que isto mudaria algo?

Abraços,

Henri

sexta-feira, 15 de março de 2013

O azarado e a inflação

Sempre fiquei incomodado com todos os índices de inflação que vejo publicados. A cada ida a um supermercado parece que o mesmo valor compra menos itens, ou que para comprar a mesma quantidade de itens, o valor é sempre maior.

Mas como medir isto? Anotar as compras feitas e comprar os mesmos itens 1 ano depois, e ver a variação na compra? Quem tem paciência e disposição pra isto? Estava pensando em alguma maneira de contornar isto quando me lembrei da Nota Fiscal Paulista.

Pra quem não mora no estado de SP: o governo paulista sempre criou várias estratégias para incentivar a população a pedir nota fiscal nos estabelecimentos, como uma forma de garantir que os impostos, em especial o ICMS, que tanto lhe interessa, fossem apurados. A lembrança disso remonta aos meus tempos de moleque, quando colecionava figurinhas de um álbum chamado, se não me engano, Paulistinha, onde as figurinhas eram obtidas mediante a troca das notas fiscais pelos envelopes e pelo próprio álbum, por volta de 1980 / 1981.

Agora, com o avanço da nota fiscal eletrônica, ficou mais fácil: o governo incentiva que você peça a nota fiscal identificando-a com seu CPF, e lhe devolve uma parte do dinheiro dos impostos que foram arrecadados com cada nota fiscal. A cada 6 meses o governo libera esta contrapartida para que você possa transferir para sua conta corrente, ou abater do IPVA de seu veículo, e de quebra o governo ganha também uma ferramenta para te fiscalizar (acompanhar o que você declara no IR versus o volume de compras que você faz em seu CPF).

Mas o que nos interessa, neste caso, é que as notas fiscais ficam disponíveis para consulta, inclusive com os itens que compõem estas notas fiscais. Atualmente você pode consultar notas de 2010 até 2013.

Peguei então alguns produtos que compramos com alguma frequência, para acompanhar sua evolução de 2010 até 2013. Neste período (jan/2010 a fev/2013), os índices oficiais de inflação foram: IGPM de 26,93%, e IPCA de 21,13%. Os produtos desta amostragem estão abaixo - eu não quis pegar frutas, legumes e verduras, para evitar os efeitos da safra e entressafra - e consideram compras feitas no mesmo estabelecimento:


A conclusão é óbvia, eu é que não havia pensado nisto antes: eu sou muito azarado, pois em geral só compro produtos que sobem muito mais que a inflação. Deve ser isto.

Abraços,

Henri

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Pagamos sempre, mas não usamos tanto assim

No último final de semana eu estava cumprindo o ritual de verificar as contas do mês anterior, e me chamou a atenção a quantidade de lançamentos periódicos nas minhas contas correntes, sejam pagamentos mensais, trimestrais ou até anuais. A participação destes lançamentos no montante final é cada vez maior, a cada vez temos mais gastos já assumidos antes até que o mês comece.

Normalmente os serviços nos são oferecidos num modelo que traz muita vantagem se você se torna um contribuinte mensal, ou frequente, versus um preço muito mais alto se você utilizar o serviço esporadicamente. Exemplos não faltam, segue abaixo alguns deles.

No caso da telefonia celular: você pode pagar mais de 5 vezes mais caro um minuto de ligação feita para um celular a partir do seu aparelho se você tiver um plano pré-pago, em comparação a um plano pós-pago. Parece ser uma vantagem grande: mas neste ponto você assume uma conta mensal ao invés de gastar somente quando vai usar o serviço. Considerando o número de minutos que você usa por mês: compensa?

Olhem agora o caso da TV por assinatura: você paga um valor maior para ter acesso aos canais de filmes, e pode assistir filmes 24 horas por dia (como se algum ser humano tivesse tempo pra isto), o que é muito mais barato por filme do que os alugar, por exemplo, nas locadoras ou em qualquer serviço que os entregue em sua casa. Mais um custo mensal pra você, mas será que compensa comparado aos filmes que você assiste?

Vamos então para a academia: é saudável, é necessário, e um plano que você pague o semestre ou o ano todo sai muito mais barato, por mês, do que um plano mensal, que você pode desistir quando quiser. Já pensou então quanto não custaria se houvesse um plano diário, daquele que você só paga quando usa? Na maioria dos casos seria mais vantajoso, pra algumas pessoas que não usam tanto quanto deveriam. A notícia triste é que não basta pagar a academia, tem que frequentar também, e se você não a frequenta como deveria, tenha certeza de que esta despesa não falta na sua conta corrente.

A contratação de serviços neste modelo de pague um preço mensal fixo, e use quanto quiser, é normalmente muito melhor para a empresa do que para o consumidor final: embora este tenha a sensação de que está contatando algo com muita vantagem financeira, e nos primeiros meses normalmente usa bastante o serviço, a empresa já sabe que na média o serviço será pouco usado depois de algum tempo, e que vai lucrar bastante no médio prazo. Já o consumidor vai conviver com este custo por muito tempo, até chegar a conclusão que não usa e tentar cortar o serviço (aí a novela é outra, mas esta fica pra outro post).

Isto não significa que os serviços pagos mensalmente não compensem pra ninguém, mas eles deveriam passar por uma verificação periódica para ver se realmente lhe servem, caso a caso.

No final do ano passado fiz uma pequena faxina nestes gastos, cortando aquilo que não valia a pena na conta, ou que eu tinha contatado como contrapartida para algum outro serviço. Demorei até 3 meses pra conseguir que alguns fossem desativados, mas pelas contas feitas no último final de semana, não foi suficiente. Vamos voltar à prancheta.

Abraços,

Henri

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Motivação só existe pelo dinheiro?

Um assunto que sempre me chamou muito a atenção é a motivação. Tentar imaginar o que motiva alguém a continuar batalhando, a crescer, a sempre estar na busca por algo melhor.

Muitas pessoas, e inclusive eu mesmo já pensei assim, ligam muito a questão da motivação ao dinheiro: trabalho motivado se ganho melhor e, se não estou ganhando bem, não tenho motivação pra trabalhar. Mas será que esta ligação é realmente tão íntima?

E neste assunto uma das coisas que mais me chama a atenção são as pessoas que já estão muito bem sucedidas, e que continuam a trabalhar normalmente com a força daqueles que estão no inicio da carreira. É claro que é mais fácil imaginar uma das forças que motivam a maioria das pessoas que precisam do trabalho pra sobreviver, mais o foco maior da inquietação são as pessoas já resolvidas do ponto de vista financeiro.

Um exemplo fácil vem do esporte: talvez o melhor tenista que já tenha visto jogar, e se manter em alto nível por varias temporadas, seja Roger Federer. A quantidade de títulos de Grand Slam (os quatro maiores torneios do circuito, Aberto da Austrália, Roland Garros em Paris, Wimbledon na Inglaterra e Aberto dos EUA) que ele ganhou é assombrosa: 16 títulos, mais do que qualquer outro tenista masculino. Ele também é líder no ranking de premiação recebida, com mais de 60 milhões de dólares, fora o valor recebido dos patrocinadores.

O que motiva um jogador destes a acordar e passar 8 horas do dia treinando, batendo bola, fazendo academia, deixando de aproveitar todo este dinheiro, depois de todos estes recordes e esta premiação? Ele era conhecido em sua juventude por não se dedicar a qualquer jogo-treino com muito afinco: para os bons tenistas da época era relativamente fácil vencê-lo em um jogo treino, porém a derrota era quase certa num jogo válido por um torneio. Certamente, neste caso, não se trata da motivação financeira.

E o que dizer de um empresário que já trabalha há mais de 30 anos, que colocou sua empresa como a número 1 em seu mercado, e que certamente tem uma condição financeira excelente o suficiente pro resto de sua vida, de seus filhos, de seus netos e assim por diante, e ainda se estressa nas 14 horas diárias de trabalho para cumprir todas as metas que ele mesmo se impôs?

E ainda sobre alguém que, depois de passar pelos 50 anos de idade, tem a força suficiente pra começar uma grande empresa do zero? Isto significa abrir mão de oportunidades de vender uma boa ideia e desfrutar do dinheiro recebido, para em troca se estressar bastante pra que uma startup saia do chão e possa lhe permitir correr atrás de viabilizar outras ideias.

Como disse no início, é difícil saber o que serve de motivação para pessoas como as citadas acima. No último dos três casos até acho que sei, e tem muito mais a ver com o benefício a ser gerado a muitas pessoas com o trabalho realizado e muito pouco a ver com aspectos financeiros. Nos outros casos (não citei o nome das 2 últimas pessoas, mas os casos são reais), mantenho a curiosidade em saber a fonte desta vontade de fazer cada vez mais.

Abraços,

Henri Coelho