Quando me mudei pra São Paulo, em 1993, uma das coisas que mais estranhei era a cara de poucos amigos de todas as pessoas daqui. Há uma barreira muito forte, própria de uma cidade tão grande, impedindo que as pessoas que não te conhecem até possam te cumprimentar. O medo da violência, das pessoas mal intencionadas, de ser enganado cria esta resistência toda.
O primeiro ponto onde senti isto foi nas conversas por telefone. Eu estava muito acostumado a ligar pra casa de meus amigos, e como as vezes me atrapalho ao digitar os números (e na época em que não havia memória nos telefones), a primeira pergunta que fazia era: de onde fala? O atendimento do outro lado era sempre cordial, normalmente identificando a casa e a pessoa que estava falando. Em seguida eu me identificava e conversava normalmente.
Ao me mudar para São Paulo, demorei um pouco pra perder este hábito. E sempre ouvia como resposta: COM QUEM O SENHOR QUER FALAR? Maiúsculo mesmo, gritado na maioria das vezes. Ao me identificar, a barreira era quebrada e a cordialidade imperava. Nem parecia a mesma pessoa com quem eu comecei a conversar, um minuto antes.
Pra quem estava acostumado e viver em cidades menores, onde todos se cumprimentam nas ruas, mesmo que não se conheçam, o choque é grande. Mas aos poucos você deixa de perceber isto, vai se acostumando e raramente isto chama a atenção.
Esta semana foi um pouco diferente. Estava no metrô, de manhã, quando me chamou a atenção, não sei bem por que, o silêncio. Devia haver quase 200 pessoas naquele vagão. Ninguém conversava com ninguém, todos de cara fechada, provavelmente não devia haver amigos ali. Uma boa parte com fone de ouvido, para garantir ainda mais o isolamento. Nenhum sorriso nos rostos. O retrato perfeito da metrópole. Milhões de pessoas morando no mesmo lugar, mas todos isolados. Cada um por si.
Mas a gente de habitua. E acaba ficando exatamente do mesmo jeito, a mesma resistência criada, e a mesma cara de poucos amigos com quem você não conhece. Experimente ligar em casa e perguntar de onde está falando pra ver.
Abraços,
Henri
Este é um blog onde se pretende escrever um pouco de tudo, passeando por livros, esporte e muita coisa interessante.
Mostrando postagens com marcador amigos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amigos. Mostrar todas as postagens
domingo, 14 de abril de 2013
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
A internet nos aproxima?
Existe um programa de rádio semanal que acho muito bom, chamado "Fim de Expediente", na rádio CBN. Considero este como o melhor programa de rádio atualmente, pelo menos dentre os que ocasionalmente acompanho. É um programa feito por 3 apresentadores, capitaneado pelo ator Dan Stulbach, e que consegue deixar os convidados absolutamente a vontade, em entrevistas muito bem feitas.
Como o assunto mais comentado dos últimos dias, e inclusive capa das revistas semanais, era o Steve Jobs, fatalmente o último programa estava também focado neste assunto. Aliás, sobre isto, gostei muito do texto escrito pelo Nuno, que você pode ler aqui, e também da foto-montagem ao lado, muito bem sacada.
Voltando ao programa de rádio, havia um especialista falando um pouco sobre a história de Steve Jobs, suas criações, e ele praticamente não era interrompido enquanto falava, pois estava conseguindo prender a atenção de todos. Até que o apresentador lhe faz uma pergunta um pouco fora do roteiro - se é que havia um roteiro: a internet nos aproxima ou nos afasta? O entrevistado não conseguiu falar algo que acrescentasse muito nisso, mas um dos apresentadores deu a melhor resposta possível sobre o assunto: a Internet afasta quem está próximo, e aproxima quem está distante.Por outro lado, com quantas pessoas não voltamos a ter contato após muito tempo, simplesmente por sermos amigos em alguma rede de relacionamento, e podemos nos atualizar um pouco, ver como estão seus filhos, matar a saudade através das fotos e vídeos, voltando a nos relacionar com quem está distante. No meu caso, que tenho uma família bastante grande, é a oportunidade de estar mais próximo de tios e tias, primos e primas, além de vários amigos que não encontramos há muito tempo.
Acho que cabe a nós aproveitarmos o que há de bom, trazendo pra perto nossos amigos distantes, sem deixar que nossos amigos próximos fiquem afastados pela atenção que não lhes estamos dando. É bom pra pensarmos um pouco a respeito.
Para os que nunca ouviram o programa, há uma página no site da CBN que permite acessar os programas já transmitidos, e que pode ser acessada por este link. Tem 2 programas que achei muito legais, embora já tenham passado há algum tempo: um com o narrador Cleber Machado e outro com o cantor Paulo Ricardo.
Abraços,
Henri Coelho
Assinar:
Postagens (Atom)

