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domingo, 17 de setembro de 2017

Homo Deus, de Yuval Noah Harari

Homo Deus, uma breve história do amanhã é o segundo livro de Yuval Noah Harari, mesmo autor de Sapiens - uma breve história da Humanidade, já comentado neste post. Enquanto o livro anterior buscava explicações para a história da humanidade, este se propõe a explicar como será nosso futuro.

Na prática o livro é dividido em 3 blocos: os dois primeiros funcionam como um complemento ao livro Sapiens, exploram mais alguns tópicos que foram ali citados e não empolgam tanto, pra quem leu o primeiro livro, como este o fez. Não são capítulos que não mereçam ser lidos, certamente trazem muita informação interessante, mas a melhor parte está no terceiro bloco, que fala do futuro.

O livro aborda questões relacionadas à fome e à obesidade, comparando suas consequências e o número de mortes causadas por cada uma delas, na sociedade atual. Compara ainda estes dados com as atuais guerras, não sem antes falar sobre como cada um destes tópicos se comportou no passado.

E como fez no livro anterior ele trata alguns temas muito espinhosos, ligados a religião, que fazem o estômago revirar. Mas dá pra relevar estes temas pois o livro acaba sendo muito maior do que isto.

E impressiona a visão do autor de como será nosso futuro. Algumas perguntas que ele tenta responder: como se comportará a expectativa de vida da população em geral e das classes sociais mais favorecidas? seu emprego atual ainda existirá daqui a 20 anos? o que o desenvolvimento da inteligência artificial pode fazer conosco?

São temas como estes que tornam este segundo livro muito valioso, que entra também na categoria dos imperdíveis. E desta vez foi um livro que li em papel e não no Kindle, pois foi presente de um amigo - o mesmo que me indicou o livro anterior, Sapiens.

Boa leitura.
Abraços,

Henri Coelho


domingo, 23 de abril de 2017

A Cidade dos Espelhos, de Justin Cronin

Terminei hoje a leitura do terceiro livro da trilogia A Passagem, de Justin Cronin, chamado A Cidade dos Espelhos. A trilogia é excelente e agora, finalmente, está encerrada, 6 anos depois do lançamento do primeiro livro. O primeiro livro chama-se A Passagem, e o segundo livro chama-se Os Doze.

Este terceiro livro é uma continuação do segundo, e vale a pena ler a trilogia inteira. No primeiro livro é mostrada uma destruição em massa dos habitantes do mundo todo por conta de um novo vírus, que transforma as pessoas em predadores com força física muito superior à humana. No segundo livro há uma batalha visando o extermínio deste vírus, e o terceiro tem o desfecho final da aventura.

A maior parte da ação do livro se passa nos Estados Unidos, mesclando fatos do passado, de uma época parecida com a presente e fatos narrados num futuro muito distante. A descrição de uma Nova York completamente abandonada, sendo tragada de volta por uma floresta, ao mesmo tempo em que os principais prédios são preservados, é muito interessante.

A atenção especial é voltada para a estação central de NY, com um grande relógio de 4 faces e um teto com a imagem representando um céu invertido.

Na Internet é citado que o primeiro livro teve os direitos adquiridos pela Fox para ser transformado numa série. Os livros tem um tamanho considerável (a trilogia toda ultrapassa 2 mil páginas) e material abundante para ser transformado em série com muitas temporadas.

Já tinha escrito, anteriormente, sobre o segundo livro da série, Os Doze. Só lamentei o fato de ter demorado tanto tempo entre as duas leituras que alguns detalhes me escaparam no início deste terceiro livro, mas isto foi recuperado no decorrer da leitura.

Abraços,

Henri




sábado, 11 de fevereiro de 2017

O velho e o mar, de Ernest Hemingway

Li esta semana este grande clássico de Ernest Hemingway, "O velho e o mar". Este livro me foi recomendado há alguns meses, já tinha ouvido falar muito dele mas a recomendação foi mais forte e criou toda a expectativa sobre uma grande obra.

O livro é bem curto, e foi escrito na década de 50, em Cuba. Trata-se da história de um pescador já idoso, e de um garoto que trabalhava com ele nas pescarias mas que, por pressão dos pais, pela má sorte do velho, começou a trabalhar em outro barco. Mas não perdeu a amizade pelo velho, e se tornou mais que um amigo, quase um responsável por ele.

O livro retrata um momento difícil na vida do velho pescador, Santiago, que está há quase 3 meses sem pegar nenhum peixe, e sua solidão no mar ao sair pra pescar com todos estes dias sem sucesso nas costas. E sua batalha para tentar pegar o maior peixe da sua vida.

O livro é bom, sem dúvida. A maneira como o sofrimento do velho durante a pescaria é narrado, bem como a narrativa sobre os cuidados do menino, Manolin, com Santiago, consegue mostrar muito bem os sentimentos de cada um dos dois.

Hemingway ganhou um Prêmio Nobel de Literatura, e este livro foi especificamente citado entre os motivos pelo qual o prêmio Nobel foi dado a ele: "Por seu poderoso domínio da arte da narração moderna, mais recentemente evidenciado em O velho e o mar, e pela influência que exerceu sobre o estilo contemporâneo".

Com este livro ocorreu comigo o que já havia ocorrido em outras situações: a obra é muito recomendada, a expectativa é muito grande e o livro é bom, mas não consegui achar ótimo como esperava. Acho que se eu tivesse lido sem uma expectativa tão alta teria gostado mais.

Abraços,

Henri Coelho

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley

Numa das passagens do livro Sapiens, sobre o qual comentei aqui recentemente, que falava do nível de felicidade de cada pessoa, o autor Yuval Noah Harari comentava que este somente poderia ser alterado, de forma intrínseca, com o uso de alguma medicação, e citava um livro mais antigo, Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, onde as pessoas usavam o Soma com esta finalidade.

Este comentário foi suficiente para que eu me interessasse por este livro. Ao compra-lo, na amazon.com.br, vi que a edição tinha um prefácio escrito pelo próprio autor 15 anos após a escrita do original, onde ele dizia que embora a ciência tivesse avançado muito naquele período, ele não alteraria nada na obra original, pois ela seria completamente descaracterizada. Me surpreendeu o fato de que a obra original foi escrita em 1932.

A criatividade na elaboração da obra é impressionante. Um mundo sem guerras, com todas as pessoas condicionadas e não se atrevendo a fazer nada de proibido, com um sistema de divisão em castas que era decidido antes do nascimento dos bebês.

Aliás este é também um capítulo a parte. Os bebês são todos de proveta, e concebidos numa placenta feita com material suíno, e recebem uma cota de ração líquida artificial que substitui o leite materno. Porém, como todos os bebês tem seu futuro pré-determinado antes ainda do desenvolvimento do feto, este já é condicionado durante o período de gestação, de uma forma bem tensa.

Os bebês que serão membros de castas inferiores sofrem durante o processo de gestação para que possam já nascer condicionados à profissão que vão ocupar. Caso eles vão trabalhar no conserto de uma estação espacial, por exemplo, recebem mais oxigênio enquanto estão de ponta cabeça do que quando estão de cabeça para cima, de forma que fiquem mais confortáveis naquela posição.

Tem muitas outras coisas muito interessantes, mas a Soma é realmente muito bem pensada: pense numa pílula da felicidade, enquanto está fazendo efeito não há nenhuma preocupação, é um hiato de felicidade a cada noite. A quantidade de Soma é controlada, pois o uso em excesso faz mal, porém o uso regular não traz nenhum outro efeito colateral. É um bom vinho em forma de comprimido, e sem nenhuma ressaca.

E há muito mais: sexo sem compromisso - na base do ninguém é de ninguém. Ausência e proibição da palavra de Deus, foco absoluto nos processos - tanto é que Deus, pra eles, é Ford. E a cruz é a letra T, em homenagem ao Ford T - segundo o autor isto foi bem fácil de adaptar, bastou cortar a parte de cima de todas as cruzes...

Descobri hoje também que há duas adaptações do livro para filmes: uma feita na década de 80, e outra feita na década de 90. Há também uma série sendo produzida atualmente com a mesma temática. O livro é tão rico que abre muitas possibilidades, condensá-lo em um filme de uma hora e meia deve ter sido um exercício bem pesado para cortar várias histórias interessantes.

Vale a leitura. Um clássico de quase 100 anos.

Abraços,

Henri Coelho

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Sonhos recorrentes

Interessante como as vezes temos sonhos que se repetem ou pelo menos temas recorrentes em nossos sonhos. Aliás, os sonhos pra mim sempre foram um grande mistério.

Normalmente sonho com algo relacionado ao que fiz durante o dia. As vezes assisto um filme que gera uma imersão ou uma continuidade nos sonhos, as vezes um livro que estou lendo, uma conversa com amigos ou familiares, em todos estes casos algo estimulado pelo que ocorreu recentemente.

Em outras ocasiões os sonhos são absolutamente aleatórios: sonhei recentemente que estava nadando - como se soubesse nadar - numa grande lagoa, ou braço de mar, com barcos, muita música, muitas pessoas e a minha preocupação de que poderia me afogar. Mesmo durante os sonhos algumas preocupações reais continuam existindo.

Mas o tema recorrente que mais aparece nos meus sonhos, ultimamente, tem sido meu pai. Não sonho com ele todos os dias, todas as semanas, mas os sonhos são sempre muito intensos e são aqueles poucos que me lembro ao acordar.

Este ano completa 5 anos de sua morte, daqui a pouco mais de 1 mês. E o tema mais frequente destes sonhos é sua não morte: a ciência não consegue explicar, mas ele volta alguns dias ou meses depois de ter morrido e continua convivendo conosco. E tenho que explicar pra todo mundo que aquilo ocorreu, todos me perguntando: mas o pops não morreu?

Eu acredito na continuidade da vida após a morte. Claro que não como mostrado nestes sonhos, alguém de carne e osso convivendo contigo, mas ainda em espírito ou alma, vivo sem um corpo físico.

Já pensei muito no significado deste sonho, mas não cheguei a nenhuma conclusão. Quem sabe nas várias próximas recorrências dele, se houverem, algo mais possa me ajudar a concluir?

Abraços,

Henri Coelho

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Sapiens, de Yuval Noah Harari

Esta semana terminei de ler o livro digital Sapiens - Uma Breve História da Humanidade, de Yuval Noah Harari, que me foi recomendado no mês passado. Um passeio pela história desde os Neandertais até projeções sobre o futuro, o livro é absolutamente fascinante. Imperdível.

Inicialmente achei que se tratava de um livro com foco completamente diferente. Ao explorar o surgimento do homo sapiens e sua convivência com o homo neanderthalensis, mostrando várias características que eu desconhecia, eu imaginava estar lendo um livro sobre biologia.

Depois o livro se encaminha para falar mais de história, falando sobre a Revolução Agrícola de uma maneira que eu jamais imaginaria ler. Daí vai falar da Revolução Industrial, e realmente caminha para ser um livro da história da humanidade.

Tem vários trechos ótimos, e alguns que dão dor no estômago. A maneira como o autor trata todas as religiões é bastante pesada, e é necessário ter estofo pra simplesmente não parar de ler. E além de falar de várias religiões, todas tratadas de maneira semelhante, há explicações sobre a prevalência de umas sobre outras, o que faz de uma leitura indigesta algo interessante.

Depois a abordagem passa a ser sobre sistemas de governo, falando do comunismo e do capitalismo, e caminhando um pouco mais na história. Fala sobre a admissão da ignorância como fundamental para o progresso. E posteriormente sobre felicidade e a evolução futura do Homo Sapiens. No fim temos um livro que mistura, e muito bem, a biologia com a história.

Diversas histórias do livro são sensacionais. A história sobre o nível intrínseco de felicidade de cada pessoa é fantástica, tive oportunidade de partilhar esta com meus familiares, e nenhum deles conseguiu contrariar as conclusões do autor.

O autor é bastante novo (pelo menos pro meu referencial). Tem 40 anos, é israelense, PhD em História pela Universidade de Oxford, e tem um curso sobre este livro. Alguns dos vídeos podem ser vistos neste link. Este vídeo, em especial, bem curto, passa sobre os temas do livro de uma forma muito melhor, é claro, do que fiz acima, sem legendas, mas não precisa delas.

O próximo livro, já na lista das próximas leituras, é do mesmo autor e se chama Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã. Este, aliás, foi o livro que um amigo recomendou que lesse, mas fez uma ressalva: vale a pena ler o Sapiens primeiro. Não sei como será o próximo, mas este valeu muito a pena.

Abraços,

Henri Coelho

sábado, 21 de janeiro de 2017

Kindle

Há pouco mais de 2 anos uso o Kindle, da Amazon, como meu leitor pessoal. Durante este período comprei poucos livros físicos, e fico cada vez mais a vontade com a leitura em mídia digital. Para quem sempre lê na tela do computador e não se sente tão confortável, a experiência de leitura em um e-reader é completamente diferente e muito mais prazerosa.

Quando se está acostumado com a leitura em livros de papel é muito difícil achar que um equipamento vá lhe trazer as mesmas sensações de prazer. Mas ler um livro de 1.000 páginas em papel acaba sendo desconfortável pelo peso do livro, principalmente para pessoas que, como é o meu caso, não leem somente sentadas junto a uma mesa que apoie o livro, mas que também leem deitadas, sentadas sem apoio, em pé no metrô, por exemplo.

Além disso o preço dos livros digitais têm caído bastante ao longo do tempo, o que incentiva mais a leitura. A facilidade da compra é enorme, por exemplo a própria Amazon tem um serviço no site de compre com um clique, onde você já tem o cartão de crédito cadastrado e a compra é efetivada em questão de segundos, e você já recebe, no Kindle, o livro que acabou de comprar.

E o Kindle ainda tem a facilidade de receber documentos pessoais em formato Mobi, onde este documento fica formatado exatamente como um livro digital, com todas as facilidades deste. Uma mão na roda para ser usada para o bem ou para o mal. Além de várias outras vantagens, como a bateria que dura algumas semanas, e dependendo do uso pode durar até 1 mês, da facilidade de aumentar o tamanho da letra, da iluminação de fundo, da capacidade de armazenar milhares de livros, etc.

Mas nem tudo são flores, é claro. Uma das maiores dificuldades do Kindle é você decorar o nome do livro e o autor, se este não lhe era conhecido. A facilidade de ligar o aparelho e já aparecer posicionado na página onde você parou a leitura é ótima, porém se você ler o livro inteiro sem alternar com outros livros você não vê mais a capa do livro, como ocorre com o livro físico, e é comum se esquecer do nome do autor ou título do livro que está lendo. Se ele sempre mostrasse a capa do livro por 2 ou 3 segundos toda vez que você liga o Kindle resolveria este caso.

Outro aspecto que não é legal é a visualização de tabelas. Ele mostra a tabela, normalmente, ocupando na horizontal apenas uma página, o que torna difícil a leitura se a tabela, por exemplo, no livro físico ocupa uma página em formato paisagem. Neste ponto é complicado ver a tabela, e como está se tornando mais comum comigo atualmente, recorro ao celular para tirar uma foto da tela e ampliar para conseguir ler. Ter facilidades de zoom neste caso no próprio Kindle ajudaria bastante.

E por último, e só reparei neste último livro que estou lendo, o excelente Sapiens - uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari - claro que tive que recorrer ao Google pois não lembrava do nome do autor - ele deixou de seguir as regras da língua portuguesa ao hifenizar as palavras. Até então isto não ocorria, e é muito estranho ler as palavras separadas de forma errada.

Mas o aspecto geral é muito bom, e os pontos positivos superam, e muito, os negativos. Que sempre podem ser melhorados, afinal é só uma questão de melhorar o software, certo Amazon?

Abraços,

Henri Coelho

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Os livros de Jo Nesbo

Nosso tempo livre é muito escasso. Daí tudo vira questão de priorizar, de escolher aquilo que se quer fazer em detrimento de outras atividades. Equilibrar as atividades com o tempo disponível é um desafio diário para todos nós.

Gosto muito de séries, sejam na TV, nos filmes ou nos livros. Procuro alternar entre acompanhar uma série ou a leitura de um livro, e me interesso mais, ao contrário de algumas pessoas que conheço, quando vejo um livro que é parte de uma trilogia ou de uma série.

E quando começo a ver ou ler uma série, sempre procuro começar do início dela e, caso esteja gostando, perseguir até o final. Na TV invariavelmente isto ocorre sem problemas, principalmente na atualidade onde a NetFlix e o Now, da Net, apresentam a temporada e o episódio no título, então fica fácil não se enganar.

Mas nos livros isto é mais fácil de ocorrer. Depois da compra o Kindle, de quem sou um usuário bastante satisfeito, só tenho comprado livros digitais, e mesmo com estes a compra as vezes é feita por impulso, por uma recomendação, e as vezes você se depara com um livro que é parte de uma série, mas que não é o primeiro, sem que você saiba disso.

Ocorreu comigo com o escritor de ficção policial norueguês chamado Jo Nesbo (se escreve Jo Nesbø, com uma letra que não existe em nosso alfabeto). Comprei um livro, ainda antes do Kindle, chamado A Estrela do Diabo, e gostei muito da leitura, só que ele citava outros casos resolvidos pelo policial durante o livro. Mais tarde comprei O Redentor, e só aí fui buscar referências sobre esta série, e na Wikipédia encontrei a relação dos livros deste escritor da série Harry Hole.


Sem saber, tinha começado pelo quinto livro da série. Os dois primeiros sequer foram publicados no Brasil, e o terceiro e quarto estavam esgotados, não achei nem em sebos. Embora tenha continuado posteriormente a leitura, com os livros Boneco de Neve - disparado o melhor deles - e O Leopardo, também muito bom, fiquei sempre com a vontade de ler os primeiros livros da série.

O terceiro e quarto livros foram então republicados no Brasil, e consegui compra-los, não em formato digital, mas no velho e pesado formato físico. Os dois livros anteriores? Existem alternativas, mas nenhuma delas tão legais: comprar o livro em inglês, comprar o livro em Português de Portugal ou procurar alguma versão alternativa, alguém que tenha traduzido o livro para o Português - BR, mas fora das lojas ou vias legais de compra.

Abraços,

Henri Coelho

PS: Havia escrito este post em Maio/2016, e optei por não mexer no que tinha escrito. Na época acabei lendo toda a coleção, retornando ao início e (para contrariedade de muitos) lendo novamente os livros que já tinha lido,  até chegar o livro O Leopardo. Mas ficou o gosto amargo de não ter conseguido ler os 2 primeiros livros da forma como gostaria, comprando numa livraria.

Recentemente, há questão de 2 ou 3 meses, estes dois primeiros livros foram lançados no Brasil. E a página da Wikipédia foi atualizada, mostrando agora a nova situação dos livros deste escritor no Brasil, e indicando, inclusive, que há mais um livro desta série lançado na Noruega:


Abraços,

Henri Coelho


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Brutal, e Sombrio, de Luke Delaney

Nestas últimas duas semanas de 2016 me deliciei com dois livros que descobri por indicação da amazon.com.br. O serviço de indicação de livros deles, baseado nas compras realizadas e na lista de desejos é muito interessante e, embora liste vários autores que já conhecia e que já tinha lido, frequentemente apresenta novidades que valem a pena serem exploradas.

No caso deste autor, Luke Delaney, existem 6 livros produzidos no exterior, e apenas 2 traduzidos para o português. Os dois livros traduzidos são Brutal (do original Cold Killing) e Sombrio (do original The Keeper), ambos parte de uma série de 4 livros com um único personagem principal: o detetive Sean Corrigan.

No primeiro livro, Brutal, o inspetor, responsável pela divisão de homicídios de uma sessão da polícia de Londres, tem que investigar a morte de um garoto de programa. O livro mostra trechos narrados pelo assassino e trechos que acompanham a missão do detetive e de outros membros da força policial.

O detetive poderia ser um assassino, pela infância sofrida e pela maneira como pensa e age na tentativa de descobrir o assassino. Há boa reviravolta num livro cujos crimes pareciam resolvidos desde o primeiro capítulo.

No outro livro, Sombrio, há menos mudanças de roteiro, mas o foco continua o mesmo: descobrir um maníaco que sequestra uma mulher de sua casa, e parte da divisão de homicídios se rebela, inicialmente, por ter que investigar algo que não é um assassinato, mas apenas um sequestro. No decorrer da trama o detetive consegue motivar a equipe para tentar evitar que o sequestro vire um homicídio.

Nos dois livros impressiona a forma como os crimes são narrados, com um detalhamento muito grande, quase como se você estivesse lendo algo muito explícito. As vezes a narrativa até incomodava bastante pela riqueza dos detalhes: parecia que você estava assistindo a um filme sem censura nenhuma.

Quanto a Luke Delaney não há muita informação. No prefácio do primeiro livro ele diz que não vai se identificar para que sua família possa ficar protegida. Não há referência a ele na wikipedia (há referência a um homônimo, jogador aposentado de futebol australiano) e alguns textos em português dizem se tratar de um ex-policial londrino, o que faria bastante sentido.

Agora é ficar no aguardo que outras obras deste autor cheguem ao Brasil, e também que a Amazon consiga continuar indicando bons livros - a única ressalva é que eles poderiam indicar apenas livros inéditos pra mim, mas este é um assunto para outro post.

Abraços,

Henri Coelho

sábado, 27 de dezembro de 2014

Eternidade por um fio, de Ken Follett


Um livro com mais de 1.000 páginas: certamente um desafio intransponível para a maior parte das pessoas, daqueles que a maioria olha e pensa: nem matando eu vou ler um livro destes (o verbo mudou em respeito a um ou outro leitor desavisado que venha a cair neste texto e que pudesse se ofender).

O que posso dizer pra estes, que não encarariam este desafio: vocês não sabem o que estão perdendo. E na linha deste blog, não vamos contar muita coisa sobre o livro, mas quem sabe despertar alguma curiosidade em quem está em dúvida se lê ou não.

O livro faz parte de uma trilogia, isto que virou moda de uns anos pra cá. O primeiro livro da trilogia "O Século", "Queda de Gigantes", aborda o período da 1ª Guerra Mundial, sob o ponto de vista de diferentes famílias (uma russa, outra inglesa, outra alemã e por aí vai). Isto tudo misturando personagens reais e fictícios, e te passando uma visão de como cada um dos lados enxergava o conflito e sofria com ele. Os personagens, é claro, estão presentes na maioria das passagens interessantes, se relacionando com os personagens reais.

O segundo livro, "Inverno do Mundo", aborda os descendentes destes personagens e alguns personagens novos durante o período da 2ª Guerra Mundial. O modelo é o mesmo: personagens reais misturados aos fictícios, estes últimos presentes nos pontos onde a guerra se desdobra, seja no front ou nos bastidores.

E, para fechar a trilogia, o último livro "Eternidade por um fio" mostra os bastidores da guerra fria, novamente mostrando os descendentes das famílias anteriores e alguns personagens novos, todos eles próximos dos principais acontecimentos do período. O livro aborda o período da construção até a queda do muro de Berlim e a questão dos direitos civis nos Estados Unidos, passando por tudo que houve de mais relevante no período.

 
Dos três livros, é o que mais gostei. Talvez por tratar um período mais próximo, talvez por mostrar muito do que se passava por trás da Cortina de Ferro, que sempre foi muito escondido de todos, talvez por ter os personagens reais que ouvimos falar, por bastante tempo, no noticiário diário da TV, não sei a razão, mas é sensacional. E por mais que você saiba os principais pontos da história, a leitura vale muito a pena.

São mais de 1.000 páginas. Deliciosas. Obra prima do Ken Follett. E se você comprar a versão física e não o e-book, o exercício de levantar  mais de 1 Kg também ajuda a queimar umas calorias.

Abraços,
 
Henri Coelho

sábado, 19 de julho de 2014

João Ubaldo Ribeiro e as superstições

Esta semana mais um grande escritor nos deixou: o imortal João Ubaldo Ribeiro. A morte dele me chateou bastante, pois sou fã de seu estilo e de seus textos há bastante tempo. E da sua simplicidade: ele fazia de tudo para não ter que calçar sapatos, e poder andar sempre com suas sandálias havaianas, e falar bastante de sua Itaparica, na BA.

O Pops foi assinante do Estadão por muitos anos, hábito que herdei por um bom período, até que a Internet passou a ser uma fonte de consulta de notícias mais conveniente, quando passei a comprar o jornal nas bancas, normalmente nas edições de domingo. E no Estadão de domingo sempre tinha a crônica do João Ubaldo Ribeiro (que também era publicada no jornal O Globo, do Rio de Janeiro), leitura obrigatória.

E a primeira história que me veio a cabeça, quando soube da morte do escritor, foi uma que ele contou em uma crônica escrita como correspondente do Estadão na Copa do Mundo de 1994 nos EUA. Nesta crônica ele falava de superstição, ligando-a ao futebol, e se mostrava bastante supersticioso, acreditando que, se seguisse seus rituais, a Seleção Brasileira sairia vencedora em todos os jogos da Copa do Mundo.

E nesta crônica ele falava de uma pessoa que deu a descarga, no banheiro, durante um ataque do time Brasileiro que resultou em gol imediato. Depois disso, no restante do jogo e da copa, a cada ataque do Brasil era uma nova descarga, até que a caixa d'água se esvaziasse. O próprio cronista voltou ao tema em uma crônica recente, publicada no Estadão no mês passado, cujo link está a seguir:
Grave Desfalque na Seleção.


Não me considero supersticioso, mas há uma outra história, ligada ao livro A Casa dos Budas Ditosos, de João Ubaldo Ribeiro, que desmente isto. Quando comecei a ler este livro, há mais de 15 anos, uma pessoa da família, muito querida, teve câncer. Precisou passar por algumas cirurgias, se recuperou, e parei de ler o livro, já próximo do fim, pois não combinava com o estado de preocupação de todos na época.

Passado algum tempo, boa recuperação, voltei ao livro, e em seguida, foi descoberto que o tumor voltara e que seria necessário fazer alguns procedimentos complementares para sua erradicação. Faltavam menos de 10 páginas para acabar o livro, que foi novamente interrompido, desta vez em definitivo. Está lá, guardado numa prateleira. E o familiar: totalmente recuperado. Melhor deixar como está.

Pra encerrar, mais um link, desta vez pra uma coluna do Ancelmo Gois, que mostra os originais de um discurso preparado pelo escritor quando foi patrono de uma turma de jornalismo, em 1994. O discurso é bem atual, como são vários dos textos dele, e a mensagem é ótima: Nunca cessem de acreditar no trabalho honesto.

Abraços,

Henri Coelho

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Davi e Golias, de Malcolm Gladwell

Malcolm Gladwell é um dos meus autores preferidos: seus livros são escritos de forma a lhe fazerem pensar bastante sobre algum assunto em específico, sobre o qual ele procura apresentar uma série muito grande de dados para provar seu ponto de vista.

Neste livro, Davi e Golias - a arte de enfrentar gigantes, ele cria um modelo que segue em quase todos os capítulos: apresenta um assunto, com todos os detalhes que parecem óbvios para todos, e depois mostra uma série de outros argumentos para te mostrar o que não era tão claro assim, e te permitir chegar a outra conclusão.

Normalmente seus livros são uma miscelânea de assuntos, tendo um fio condutor. No livro atual ele fala desde a história de Davi e Golias, que dá título ao livro, até sobre o holocausto, passando por tópicos sobre o sucesso de um time de basquete treinado por uma pessoa que não entendia nada do jogo, o tamanho das turmas nas escolas, a escolha correta da universidade, os desafios para as pessoas que tem dislexia, os pintores impressionistas, o conflito racial nos EUA, etc. E em vários assuntos desafia o senso comum, embora primeiro faça você acreditar que seus conceitos anteriores estavam absolutamente corretos. O fio condutor: a arte de enfrentar aquilo que lhe parece um gigante, inatingível, insuperável.

Malcolm é um escritor de uma revista americana chamada New Yorker. Já li alguns de seus artigos on line, sofrendo um pouco com o idioma, que são muito interessantes. A sensação, após cada artigo ou capítulo, é a de um escritor que se esforçou muito para pesquisar sobre o assunto em questão, ou seja, o livro não saiu sem muito esforço e dedicação. Claro que há deslizes no livro - há uma nota de rodapé que lhe dá vontade de parar de ler o livro imediatamente, mas considere esta apenas como um choque de neurônios do autor a 200 Km/h e releve, pois o restante vale a pena.

Meu livro favorito de sua autoria é Outliers - Fora de Série. Embora o estilo seja o mesmo, o tema central deste livro é a dedicação, a história que talento somado a muito, muito, muito trabalho, gera um gênio. Neste livro ele mostra a história de vários gênios da humanidade e a combinação de talento e trabalho funcionando maravilhosamente. É um livro muito indicado para todos os jovens que estão começando e acham que muita coisa vai cair do céu.

Neste ponto, lembro do técnico Muricy Ramalho e seu bordão: "Aqui é Trabalho". É bem o que reflete este último livro citado.

E muito do que faltou bem recentemente em uma certa seleção...

Abraços,

Henri Coelho



sábado, 26 de outubro de 2013

Da leitura ao Duolingo

Como quem acompanha o blog, ainda que esporadicamente, já sabe, tenho o hábito frequente da leitura. Leio de tudo um pouco: procuro mesclar livros de ficção com não ficção, pra misturar um pouco de aprendizado com a mais pura diversão. Vários autores entre os favoritos, além de alguns livros que nunca entendi por que são tão famosos, nem acho que entenderei, como "A Metamorfose", de Franz Kafka, e "O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry, mas este ainda vai ser assunto de outro post.

Atualmente uso um tablet, comprado com o intuito de baratear a aquisição dos livros, o que se mostrou, até agora, um barrete. Como a oferta é muito maior nos livros impressos do que nos livros digitais, até por não existir ainda um grande mercado para livros digitais, os preços do livro impresso acabam sendo menores ou iguais aos preços dos livros digitais, o que não justifica a compra, pelo menos sobre o aspecto financeiro.

Mas o tablet, que possui como sistema operacional o Android, tem outra desvantagem, ou vantagem: o acesso à Internet. Então aquilo que foi comprado com um objetivo passa a ser usado mais para o acesso à web do que para o fim inicialmente proposto. E, melhor ainda: atrapalha o hábito da leitura, pois infelizmente o que temos menos disponível, além da grana, é nosso tempo, e quando você começa a gasta-lo com uma coisa, invariavelmente outra fica de lado.

Mas nada é tão bom que não possa melhorar: por sugestão de alguns amigos, comecei a fazer um curso de inglês num software, gratuito, chamado Duolingo. Faz poucos dias que estou fazendo isto, o inglês estava pra lá de enferrujado, a preguiça em relação ao aprendizado de outra língua cada vez maior, e então me deparo com este software. Gratuito. E excelente. E ele incentiva o aprendizado com uma interface intuitiva, que pode ser usada em várias plataformas (só quem trabalha com isto sabe o custo de se fazer assim), misturado com um acompanhamento de sua evolução no aprendizado, com incentivo para que você se desenvolva. Muito bom mesmo.

E assim vamos trocando a diversão da leitura pela diversão do aprendizado. Pelo menos, ao invés de fazer como muitas coisas que compramos na vida com algum objetivo, que quando não alcançado faz com que tenhamos mais uma tralha em casa sem uso, neste caso o destino acabou sendo mais nobre do que o imaginado inicialmente. E a vida segue...

Abraços,

Henri

sábado, 1 de junho de 2013

Inferno, de Dan Brown

No livro Inferno, Dan Brown segue o modelo, ou template, já consagrado em seus outros livros. Pra quem já leu alguma de suas obras, veja se o roteiro abaixo não é conhecido:
  • Aventura do professor de simbologia de Harvard, Robert Langdon, já consagrado em seus livros anteriores.
  • Descrição detalhada de antigas obras de arte, sejam livros, quadros, esculturas.
  • Tema polêmico como pano de fundo. Não dá pra competir com O Código da Vinci, é claro, mas o tema atual não é trivial.
  • Utilização de algum artista antigo, com grande produtividade em sua área, e com obras que podem ser interpretadas como tendo duplo sentido facilmente.
  • Exploração de alguma cidade, que lhe faz se sentir como se você estivesse lá ou que te dá vontade de conhecer a cidade em questão.
  • Capítulos curtos, para lhe dar vontade de continuar lendo sempre mais algumas linhas.
  • Enredo muito bem pensado, para que você demore a fechar as pontas e não perca o interesse na leitura.
  • Um grande estudo sobre o tema que ele está explorando, de forma que você sabe que um especialista está lhe falando diretamente sobre aquele assunto.
O resultado também é conhecido: um excelente livro, que você não quer parar de ler até o último capítulo. E a única coisa que você sente falta é que houvesse um encarte com a imagem de todas as obras de arte citadas no livro, para que se pudesse olhar a obra de arte e a descrição ao mesmo tempo.

O romance Inferno se passa em Florença, na Itália, onde o professor acorda num hospital, após ser baleado na cabeça. Um casal de médicos, ele italiano e ela inglesa, estão cuidando do professor, que não sabe o que aconteceu, e como veio parar ali. Este pequeno enredo é apenas parte do primeiro dos mais de cem capítulos desta obra.

Uma curiosidade sobre o livro: seu lançamento foi feito em datas muito próximas em diversas partes do mundo, e uma das preocupações dos editores é que seu conteúdo não vazasse antes do lançamento. Para atingir este objetivo, eles reuniram em Florença os diversos tradutores, para que a obra já pudesse ser oficialmente lançada traduzida em todos os países ao mesmo tempo. Só no Brasil o livro já saiu com tiragem de 500 mil exemplares. O título também é o mesmo em todos estes idiomas, como as diversas capas mostradas nas fotos acima podem mostrar.

O livro vale muito a pena. Boa diversão aos que se aventurarem nesta nova obra, ignorem a estrutura já conhecida, o recheio vale muito a pena.

Abraços,

Henri

domingo, 28 de abril de 2013

Casagrande e seus demônios

No livro Casagrande e seus demônios, escrito por Gilvan Ribeiro e pelo próprio Casão, temos a oportunidade de ver um ídolo de muitos torcedores de futebol, principalmente mas não só Corinthianos, se desnudando na frente do seu público, sem pudor e sem medo de críticas. Somente por este aspecto vale bastante a leitura.
O livro explora muito o problema do Casagrande com as drogas, desde o uso da maconha na adolescência até o consumo de cocaína, heroína, LSD e outras drogas. Relata também as 3 overdoses que ele sofreu, suas alucinações, suas internações e o momento do acidente que causou uma internação forçada, e que resultou no seu afastamento das drogas até o dia de hoje.

Revela ainda a consciência que ele tem de ser um dependente químico, que não pode fraquejar e voltar a usar outras drogas, pois a chance de recaída é muito grande. Hoje ele tem apoio psicológico para se manter afastado deste mundo, e evita lugares e festas onde sabe que a droga vai rolar solta, justamente para evitar que volte aos velhos hábitos.

Mas o livro não se resume a isto: fala também muito da carreira do Casagrande, de seu relacionamento com outros jogadores e com os técnicos, inclusive das rusgas com o Telê Santana, na seleção. Fala muito do relacionamento conturbado com o Dr. Sócrates, desde a excelente parceria em campo até a dificuldade de convivência depois disto.

Lembro do Casagrande jogando pelo Corinthians quando eu era ainda adolescente. Na época, não fazia muito sentido pra mim a Democracia Corinthiana, e todo o papel que este movimento teria na situação política do nosso país, no final dos tempos da ditadura. O que fazia muito sentido era termos um time vencedor, com tantos jogadores diferenciados e com ótimos resultados.

Não me lembrava da passagem do Casão pelo São Paulo, e nem nas condições em que isto ocorreu, e nem do fato dele ter sido campeão da Champions League, pelo Porto - na época este campeonato tinha outro nome. Não me lembrava também da torcida corinthiana o homenageando num jogo entre Corinthians e Flamengo, em São Paulo, de tal forma que ele, que esperava ser hostilizado no jogo, tenha se emocionado com a homenagem.

Tomara que o Casão continue neste processo de recuperação, para continuar trabalhando como comentarista de TV, onde faz muito bem este papel, com sinceridade, se arriscando a dar opinião sobre o que pode mudar um jogo, e não apenas comentando o video tape.

Lembro, na copa de 2002, na semifinal contra a Turquia, ele pedindo para que o Ronaldo Fenômeno fosse substituído, pois não estava bem naquele jogo, e alguns minutos depois o mesmo Ronaldo fazendo um gol de bico, e classificando o Brasil para a final. Não houve nenhum constrangimento no Casão neste caso, ele defendia o que acreditava ser o correto e não se arrependia disto. Na época, o Nuno havia iniciado uma newsletter sobre este assunto, mas não a encontrei na relação de Newsletters da Signa, embora tenha muita coisa boa para se ler por lá.

Abraços,

Henri

sábado, 20 de abril de 2013

Os Doze

Terminei hoje a leitura do excelente livro Os Doze, de Justin Cronin. Trata-se do segundo livro de uma trilogia (como estão na moda as trilogias) que se iniciou com o livro A Passagem, em 2010. A previsão de lançamento do último volume, que deve se chamar A Cidade Dos Espelhos, aponta para 2014, e resta esperar até que seja lançada no Brasil, o que deve acontecer no início de 2015, se for repetido o atraso que ocorreu com este segundo volume.

O spoiler abaixo é muito pequeno, e não prejudicará quem quer ler os livros. A recomendação é a leitura dos livros em sequencia, pois a história deste livro é uma continuação direta da história do livro anterior.

No livro A Passagem, tudo começa com a eterna busca pela imortalidade, e para a cura de todas
as doenças. Algo extremamente promissor, porém um segredo guardado a sete chaves pelo exército americano, que conduz diretamente as pesquisas. E para que os primeiros testes pudessem ser feitos em humanos, depois da fase experimental, são escolhidas 12 pessoas que estavam no corredor da morte nos Estados Unidos, para que pudessem servir de cobaias e para que a evolução do tratamento pudesse ser monitorada.

É claro que tudo sai de controle, mas de uma forma excepcional. E a ação é deslocada então para o futuro, muitos anos depois, com a consequência direta deste experimento. O subtítulo do livro, exposto na capa atual, é: Quando o Homem tenta ser Imortal, o Fim da Humanidade é uma Questão de Tempo.

No livro Os Doze, a ação volta para os dias em que o experimento sai do controle, novas personagens são inseridas e a ação então se desloca para muitos anos adiante, continuando a ação do livro anterior. E seu subtítulo, difícil de ver na imagem acima, é: Num mundo cercado por monstros, o inimigo mais cruel pode ser o próprio homem. Há uma promessa interessante de muita ação para o próximo livro.

Há uma citação, na última orelha do livro, de que os direitos de adaptação para o cinema do primeiro livro foram adquiridos pela Fox 2000, e que já há diretor (Matt Reeves) e roteirista (Jason Keller) escolhidos para a empreitada. Embora sempre o livro seja melhor que o filme, neste caso há ação suficiente para que o filme também possa ser muito bom. O mais difícil vai ser condensar as 816 páginas do primeiro livro num filme comercial. O segundo livro é bem menor: são só 591 páginas, mas que prendem sua atenção o tempo todo, tornando difícil a tarefa de deixar o livro de lado.

Boa leitura. Enquanto isto, vou curtindo o pior aspecto das trilogias: aguardar o próximo volume.

Abraços,

Henri

terça-feira, 2 de abril de 2013

A visita cruel do tempo

Minha última leitura foi o livro "A visita cruel do tempo", da autora americana Jennifer Egan, vencedor do prêmio Pulitzer. A dica foi ouvida no programa Fim de Expediente, se não me engano dita pelo Teco Medina, e citada como sendo um dos livros que todas as pessoas deveriam ler.

Comprei o livro assim que cheguei em casa, e li em poucos dias na semana seguinte. É um livro com muitas idas e vindas no tempo, e como as personagens são diretamente ligadas ao cenário musical, com várias citações de músicas e bandas reais, e até uma obsessão de um dos garotos pela duração e quantidade de pausas das músicas, o que é bem divertido.

Mas o foco principal é mostrar as situações e conflitos das principais personagens em vários momentos de suas vidas, em alguns casos na adolescência, na vida adulta e no começo da velhice. A maneira como a autora liga as personagens nos vários capítulos é muito interessante e muito bem pensada. Existem muitas referências à trinca sexo, drogas e rock & roll.

Tudo isto faz deste um bom livro, que te prende na leitura. Acho que não o classifico como excelente pois, quando se cria uma expectativa muito alta pela recomendação, há uma tendência de acharmos que o livro não era tão bom assim. Por isto é tão difícil ser imparcial numa avaliação destas.

Abraços,

Henri

sexta-feira, 29 de março de 2013

Oportunidade perdida

Em 2009 saiu uma notícia informando que a venda de livros digitais superava a venda de livros físicos no site da Amazon americana. Em algumas categorias, como a de livros de ficção, a venda de e-books superou a venda de livros físicos, considerando todo o mercado norte-americano, no ano de 2011.

A empresa que foi a grande responsável por esta mudança foi a própria Amazon, que lançou um leitor de livros digitais (e-reader) chamado Kindle, que fez muito sucesso, e que acabou provocando uma grande redução no mercado de livros físicos, levando ao fechamento da segunda maior cadeia de livrarias americana, chamada Borders, e a redução significativa do número de lojas da maior rede de livrarias daquele país, chamada Barnes & Noble.

Para fazer todo este sucesso, um dos pilares da estratégia da Amazon foi o preço. Ela fez pesadas negociações com grandes editoras, que aceitaram reduções de até 70% no preço de capa de seus livros para que estes pudessem ser vendidos no meio digital. Com um preço menor, e aparelhos de leitura cada vez com maior capacidade e conforto para os leitores, começou a ser feita esta grande revolução.

Hoje existem vários leitores digitais a venda, inclusive no mercado nacional, basicamente em 2 categorias: aparelhos cuja função principal é a de servir como leitor digital, como é o caso do próprio Kindle, e os tablets, que tem diversas funções, e entre elas aplicativos compatíveis com os livros digitais. Nos 2 casos, há muita facilidade para leitura, para comprar e baixar os livros, não há desconforto visual na leitura, nem a necessidade de se colocar um marcador de páginas quando a leitura é interrompida, visto que abrir na última página lida é uma função básica nestes aplicativos.

E aqui no nosso Brasil? Em dezembro último, a Amazon, após vários ensaios, abriu finalmente a sua loja brasileira. Aqui entramos na oportunidade perdida, citada no título deste post. A negociação com as editoras aqui também foi feita, só que a Amazon não contava que a maior rede de livrarias do Brasil, a Saraiva - Siciliano, já escolada com o que ocorreu no mercado americano, atrapalhasse suas negociações com as editoras.

Pelos números de mercado, mais da metade dos livros são vendidos no Brasil através da Saraiva, considerando tanto as lojas físicas quanto a loja virtual. Isto dá um poder muito grande para a Saraiva frente às editoras. E no mercado circula a informação de que isto tenha sido pela gigante nacional, alertando as editoras que, se os descontos para a Amazon, no caso dos livros digitais, seguisse a mesma política usada pelas editoras americanas, com até 70% de redução no preço de capa, a Saraiva deixaria de distribuir os livros destas editoras. Além disso, deveria haver o lançamento primeiro do livro físico, e somente depois de algum tempo, do livro digital.

Quando seu maior cliente, visando proteger seu mercado, lhe faz uma ameaça destas, não é de se estranhar que as editoras tenham sucumbido. E a Amazon entrou no mercado brasileiro, há 3 meses, oferecendo os mesmos preços que as outras lojas ofereciam para os livros digitais: até 30% de desconto no preço de capa, e aguardando 90 dias, depois do lançamento do livro físico, para lançar o livro digital. Este percentual de desconto é até menor do que boa parte das lojas oferece depois de 3 meses do lançamento, em se tratando dos livros tradicionais, e muitas vezes o livro digital acaba ficando mais caro que o livro em papel. Perdemos então uma grande oportunidade para aumentar o acesso de mais pessoas aos livros, pois o preço é o principal fator de desmotivação para a leitura.

Desta maneira, olhando a realidade atual do mercado, se você gosta de ler livros de autores consagrados, e enxergou no livro digital uma possibilidade de economizar neste seu hábito de leitura, esqueça: não vale a pena comprar um leitor digital. Outros motivos podem te levar para este novo hábito, principalmente as razões ecológicas, mas certamente não as razões econômicas. Simplesmente, não compensa.

PS: muitas das informações acima vieram de um site de tecnologia de que gosto muito, e que tenho em meus favoritos, chamado Gizmodo. Segue abaixo 2 links interessantes sobre este tema:

Gizmodo.com.br: Os desafios da Amazon no Brasil: Saraiva e o receio das editoras
Gizmodo.com.br: Amazon pode comprar Saraiva para enfim desembarcar no Brasil
Gizmodo.com.br: Amazon Brasil estreia com e-books; Kindle chegará por R$299

Abraços,

Henri

sábado, 25 de agosto de 2012

Livros x e-books

Estes dias estava pensando no processo de criação de um livro. Procurei dividir este processo em algumas etapas para facilitar o raciocínio.

Em primeiro lugar um autor (em geral somente um, mas às vezes mais de um) escreve o livro. Este é o principal processo, e certamente o mais demorado: são semanas, ou meses ou até anos trabalhando no enredo, nos detalhes, nas pesquisas, na busca de inspiração até que se tem um produto final.

Este produto passa, então, por uma ou mais críticas, desde a revisão gramatical até a opinião de outros críticos, normalmente mais chegados, que vão dar suas contribuições. Cabe ao autor aceitá-las ou não.

Vou pular uma parte importante, de forma proposital, agora: a negociação com editora para a publicação do livro. Isto pode ter ocorrido a qualquer instante, muitas vezes até antes da escrita do livro.

Em seguida o livro é diagramado por um profissional, ou por um software, nos casos mais simples. Deste processo, temos o primeiro resultado final, que é um livro pronto para ser lido com apoio de um software, como o Adobe PDF. Isto demora alguns dias para ser feito.

Este processo, até este ponto, é o mesmo, não importa se o livro terá um formato digital ou se será impresso. É a parte mais trabalhosa. Deveria ser a mais cara.

Depois disso há uma bifurcação: o livro pode ser convertido para um formato vendável para ser lido em dispositivos especiais - nos computadores ou nos tablets, geralmente num formato chamado EPUB. Ou o livro pode ser impresso, para a leitura no formato tradicional.

No formato tradicional, entram agora diversos custos: o papel que será gasto, o tempo da impressão, o trabalho dos profissionais que imprimem os livros, a impressão da capa, a montagem do livro (que pode ser mecanizada ou não), o lucro da empresa que imprime os livros. Quando os exemplares estão prontos, temos o custo de logística e transporte, para armazenar os livros nas distribuidoras, transportá-los para as livrarias, supermercados ou outros pontos de venda, que vão ter também o custo do estoque até a venda final e sua margem nesta operação.

Não sou especialista neste mercado, atuo somente na parte final, sendo um leitor bastante frequente de livros. O que já li, em vários casos, é que um autor mediano, não um best seller, normalmente ganha 1 ou 2 reais por exemplar vendido. Considerando que um livro novo hoje seja vendido por, pelo menos, R$ 20,00, o autor, que produziu a obra, ficou com 5 a 10% do valor.

Já li também que o ponto de venda tem uma margem entre 30% e 50% do valor, ou seja, a impressão do livro e sua distribuição devem custar algo entre 40% e 60% do valor final do livro.

Já no caso do livro digital não há impressão, nem custo de estoque, nem transporte entre a editora e o ponto de venda. Neste caso, qual o sentido que faz os livros, nos 2 formatos, custarem a mesma coisa? No mínimo, para não sacrificar o ponto de venda, deveria custar 40% a menos que o exemplar físico, e ainda assim seria um absurdo.

Já é difícil as pessoas terem o hábito da leitura, porém com a proliferação dos tablets, principalmente, a cadeia deveria lucrar um pouco menos para vender um pouco mais. Não concordam?

Abraços de um inconformado proprietário de um tablet recém-comprado para ser um leitor de livros digitais.

sábado, 26 de maio de 2012

O Sinal

Minha última leitura foi o livro O Sinal, do historiador Thomas de Wesselow, que tem como subtítulo "O Santo Sudário e o Segredo da Ressureição".

Trata-se de um livro histórico: na orelha do livro, há a informação de que o autor se dedica, em tempo integral, desde 2007, ao estudo histórico do Santo Sudário. O número de referências consultadas e citadas nas notas explicativas é bastante grande, mostrando que houve muito esforço para a escrita do livro.

O Santo Sudário é um lençol de linho de grande dimensão, atualmente guardado em Turim, na Itália, que teria envolvido o corpo de Jesus Cristo após sua crucificação e até sua ressureição. Neste lençol há uma imagem de um homem de corpo inteiro, tanto de frente quanto de costas. Este homem está nu, com as mãos cobre sua genitália, e mostra muitas marcas de sangue e sinais de tortura.

A imagem do Sudário é até mais impressionante no negativo do que vista diretamente. A foto ao lado mostra a visão frontal do Sudário com as duas imagens, à esquerda a imagem original e à direita o negativo desta imagem. Quando um fotógrafo amador tirou a primeira foto do sudário e foi fazer a revelação da mesma, é que se percebeu este detalhe que faz toda a diferença.

O livro é dividido em várias seções, mas há duas divisões claras: há uma parte histórica, na qual algumas suposições são feitas para justificar alguns pontos onde há várias teorias possíveis, e outra parte onde há uma grande suposição, e tenta-se justificar boa parte da história baseando-se nesta única suposição.

A primeira parte é a melhor parte do livro: é feita toda a reconstituição histórica da viagem do Sudário de Jerusalém até Turim, com todas as suas paradas, citado como o Sudário havia ficado escondido durante vários séculos sem que ninguém soubesse de sua existência, dobrado num quadro onde apenas o rosto aparecia. A Bíblia é usada em diversos pontos como fonte histórica, com os livros citados do Novo Testamento sendo contextualizados quanto à época de sua escrita, sua autoria, seu grau de confiabilidade, na visão do autor, com alguns outros textos históricos e os chamados Evangelhos Apócrifos também sendo usados como referência.

O principal ponto de questionamento acerca da veracidade do Sudário, que foi uma datação por carbono feita do lençol no final da década de 80, também é muito comentado: neste episódio os três laboratórios classificaram o lençol como tendo sido produzido na Idade Média, por volta do ano de 1.300 D.C., o que o inviabilizaria como lençol mortuário de Jesus. Todas as possíveis falhas deste processo de datação são explicadas no livro.

Na metade do livro há várias páginas que mostram imagens do Sudário, de quadros que o referenciam, de imagens 3D feitas a partir dele e até de esquemas que mostram como o Sudário teria coberto o corpo de Cristo. Em que pese a questionada "prova científica" de que o Sudário é falso, ao chegar nesta parte o leitor se convence de que a relíquia é verdadeira.

A segunda parte do livro estraga muito da boa impressão citada acima. É uma pena. Em vários instantes a vontade maior foi a de abandonar a leitura, mas a boa impressão causada na primeira metade me fez seguir em frente e ver até onde aquela história seguiria.

A revista Veja fez uma reportagem de capa sobre este livro há alguns meses, elogiando bastante o resultado obtido pelo autor. A parte histórica do livro realmente vale muito a pena.

A leitura de livros de não ficção é sempre muito interessante, pelo aprendizado envolvido. Quando a história é muito antiga, como é o caso deste livro, a impressão que fica é a de que ficamos conhecendo uma pequena parte dela, muito influenciada pelo autor, até que façamos a leitura de um novo texto, com outro autor e com outra interpretação, que as vezes contraria tudo o que pensávamos saber a respeito. Por isto a história é sempre viva, e muito fascinante.

Abraços,

Henri