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domingo, 16 de dezembro de 2012

Com o coração

2012 foi um ano de extremos. Momentos muito ruins, uma perda muito maior até do que pude imaginar quando ocorreu, e momentos de forte emoção positiva.

Em março Papai descansou. Depois de uma briga dura, a doença o venceu, e para nós o baque foi enorme.

Nós nutríamos várias paixões em comum, acho que éramos muito parecidos em diversos aspectos. Uma destas era o Corinthians.

A cada conquista do Timão, mesmo que fosse um campeonato com menor expressão, quando não estávamos assistindo juntos a primeira reação era nos ligarmos para comemorar juntos.

Este ano a emoção, após os títulos da Libertadores e agora há pouco do Mundial, teve este componente a menos do que o script tradicional.

Mesmo assim tenho certeza que o Vô Décio, já liberto das paixões mundanas, está neste instante contente pelos seus estarem com esta mistura de alegria e saudade positiva.

Abraços.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Poesias da Tia Carmem Larisca

Tia Carmem também foi morar no andar de cima, junto com muita gente que nos deixou muita saudade, como meu pai, que também está há pouco tempo em sua nova morada. Mais um dos irmãos da minha Vó U (ou Vó Lourdes) que foi lhe fazer companhia no Céu.

Papai gostava muito da Tia Carmem, e sei que a recíproca era verdadeira, pois muitas vezes ela me perguntava sobre ele e, há alguns anos, me confundia com ele.

Tia Carmem tinha dois dons especiais: o cuidado com as pessoas e a inspiração para escrever boas poesias. Em 2003 ela lançou um livro chamado Meditação, reunindo várias de suas poesias, e no dia do lançamento, na fila pra receber um autógrafo e conversando com Tio Edgard, seu marido, ele me mostra sua poesia favorita no livro, e que transcrevo abaixo:

O Morto
                         Primeiros Versos

Em lágrimas estavam lá na sala
Por toda parte andei, ninguém me viu!
Muitos sussurros, um alguém que fala,
Sabe o que era? Um vivo que partiu!...

Banhada em pranto, estava uma mulher,
Como chorava, triste, a coitadinha!
Não a beijei, nem lhe falei sequer
Era a mamãe, com rosto de santinha!

Repleta estava a casa... em todo canto.
Quando eu entrei, ninguém me percebeu.
Olhei bem de pertinho e com que espanto
Fui descobrir que o morto era ... eu!...

O livro tem várias poesias bem interessantes, muitas retratando a história da Tia Carmem, as homenagens ao primeiro marido, Tio Zeca, e ao segundo marido, Tio Edgard. Transcrevo mais uma, que também gostei bastante:

Para o meu Pai
                            Com saudades

O nosso lar ficou tão triste,
Com a tua ausência, Papai.
Para mim, nada mais existe,
Quando a alegria se vai!

Para sempre te amei, meu Pai querido
E por nada deste mundo
Eu queria te perder.
Agora tudo acabou,
E a saudade restou.
Quando eu me for... me espera, Pai!

Agradeço ao nosso Deus
O Pai que Ele me deu.
Saudade dos filhos teus,
Agora tudo escureceu.

Em oração suplicamos,
Para sempre o teu perdão.
Pai, nós sempre te amamos
Do fundo do coração.

Um dia te encontraremos
Lá no céu, junto a Jesus.
Todos juntos, lá estaremos
Buscando sempre mais luz!

E uma última, para que não fique a falsa impressão de que a morte era seu tema único:

Eu te amo

Um amor... uma esperança... e uma saudade...
A embalar nossos sonhos sem maldade.
Estou feliz amor... muito feliz... eu te encontrei
Agora sei o que é amar... porque te amei!

Sua voz tão doce, em súplica encantada
Nada exigindo, não pedindo nada,
É como o sol que queima... é chuva mansa e calma!
Que me agasalha o ser, tocando-me a alma!

Seu braço forte, tudo em mim desperta,
Estou segura quando ele me aperta,
E em meu ouvido sua voz murmura...

Em noite fria, me aquece o seu amor,
Seu corpo quente me envolve em seu calor
E eu me sinto feliz e tão segura...

A foto abaixo mostra os 10 irmãos: em pé, da esquerda para a direita, Tio Luiz, Tio Paulinho, Tio Vai e Tio Zezinho; sentadas, também a partir da esquerda, Tia Carmem, Tia Neusa, Vó U, Tia Nena, Tia Lila e Tia Ju.


Que a Tia Carmem possa ser feliz em sua nova casa.

Abraços,

Henri

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Pops

Olha o Pops aí
Na casa de meus pais, não sei bem como começou, mas todos os filhos, genros, noras e até alguns netos chamam meu pai de pops. É um daqueles apelidos que gruda bem na pessoa, e que ela não se importa, e então vira moda rapidamente.

O Pops sempre foi uma referência muito forte pra mim, mais até do que eu percebia que os pais de vários de meus amigos eram pra eles. Sempre tivemos uma relação gostosa de muita amizade, e muita proximidade. Sua inteligência sempre foi muito marcante, a sabedoria na hora de opinar sobre vários aspectos e a paciência, antes muito grande, e agora muito curta.

Meu pai sempre nos educou mais pelo exemplo, e sempre conseguiu ter autoridade com todos os filhos sem necessitar, nunca, recorrer a força pra isto. Este é um dos aspectos que mais adimiro nele. Papai sempre soube conversar bastante, e sempre nos mostrou que este é o melhor caminho para resolver qualquer coisa.

Algumas pessoas dizem que sou muito parecido com ele, fisicamente, embora eu achasse algumas vezes que não. Mas em várias ocasiões pessoas que não viam o papai há muito tempo, ao me verem próximo a ele, sempre dizem que não precisava nem falar que eu sou seu filho.

Acho que sou mais parecido com ele no jeito de andar, falar, e até em alguns gestos à mesa. As vezes me pego reparando nisto, e percebo que faço exatamente a mesma coisa que ele em algumas situações, o que até me surpreende.

Em alguns dias o Pops fica bastante fechado, fala pouco, e nestas ocasiões minha mãe fica apreensiva. Isto aconteceu recentemente, em alguns problemas de saúde que ele enfrentou, onde a preocupação da família toda era saber o que ele estava pensando da situação, o que o estava preocupando, por que ele estava assim. E esta semana, que tive que ficar internado em SP, por conta de uma pancreatite, várias vezes me pegava exatamente na mesma atitude, querendo ficar quieto pra ver se o tempo passava mais rápido, e percebia que estava me fechando com minha esposa, quando as respostas eram monossílábicas por minha parte.

E assim, fiquei com saudades do querido Pops, e resolvi escrever este pequeno texto pra registrar isto.

Abraços,

Henri Coelho
Escrevendo do Hospital São Luiz, quarto 1520.