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domingo, 23 de abril de 2017

A Cidade dos Espelhos, de Justin Cronin

Terminei hoje a leitura do terceiro livro da trilogia A Passagem, de Justin Cronin, chamado A Cidade dos Espelhos. A trilogia é excelente e agora, finalmente, está encerrada, 6 anos depois do lançamento do primeiro livro. O primeiro livro chama-se A Passagem, e o segundo livro chama-se Os Doze.

Este terceiro livro é uma continuação do segundo, e vale a pena ler a trilogia inteira. No primeiro livro é mostrada uma destruição em massa dos habitantes do mundo todo por conta de um novo vírus, que transforma as pessoas em predadores com força física muito superior à humana. No segundo livro há uma batalha visando o extermínio deste vírus, e o terceiro tem o desfecho final da aventura.

A maior parte da ação do livro se passa nos Estados Unidos, mesclando fatos do passado, de uma época parecida com a presente e fatos narrados num futuro muito distante. A descrição de uma Nova York completamente abandonada, sendo tragada de volta por uma floresta, ao mesmo tempo em que os principais prédios são preservados, é muito interessante.

A atenção especial é voltada para a estação central de NY, com um grande relógio de 4 faces e um teto com a imagem representando um céu invertido.

Na Internet é citado que o primeiro livro teve os direitos adquiridos pela Fox para ser transformado numa série. Os livros tem um tamanho considerável (a trilogia toda ultrapassa 2 mil páginas) e material abundante para ser transformado em série com muitas temporadas.

Já tinha escrito, anteriormente, sobre o segundo livro da série, Os Doze. Só lamentei o fato de ter demorado tanto tempo entre as duas leituras que alguns detalhes me escaparam no início deste terceiro livro, mas isto foi recuperado no decorrer da leitura.

Abraços,

Henri




terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

As críticas e os spoilers

É muito interessante a função de um crítico de cinema, tv ou livros: ter que analisar diversos trabalhos num espaço curto de tempo e emitir, sobre eles, uma opinião que pode levar mais ou menos pessoas a se interessarem por aquela obra.

No entanto estes críticos deveriam seguir uma regra, que se não existe está sendo proposta aqui: qualquer revelação acerca do enredo, das personagens, dos acontecimentos, das cenas e de tudo mais que cerca o objeto da crítica não deveria expor o que acontece depois de, por exemplo, os primeiros 10% ou 20% do conteúdo.

Muitas vezes deixo de ler estas críticas por esta razão, as vezes prefiro me arriscar em algum filme, por exemplo, sem saber nada do que se passa nele, e muitas vezes isto é péssimo, pois acabo vendo coisas que não tem nada de interessante. Mas muito pior é assistir a algo que alguém lhe diz o que vai ocorrer e seu cérebro fica esperando que aquilo ocorra, sem prestar a devida atenção no resto ou sem considerar o que está assistindo ou lendo com alguma surpresa, pois sabe o que vai ocorrer à frente.

E isto ocorreu novamente na semana passada: o jornal Valor Econômico tem um caderno que é encartado às sextas-feiras chamado Eu & Fim de Semana, onde são apresentadas reportagens especiais, normalmente uma boa entrevista com alguma personalidade de destaque, alguns artigos e críticas de filmes, livros, cds e séries.

E na última sexta-feira havia uma crítica a uma série, da Netflix, chamada OA, que tem apenas 8 capítulos e, por enquanto, 1 temporada. A crítica dizia que a série tinha altos e baixos, lembrava outra série da mesma empresa, chamada Stranger Things, que teve boa repercussão recentemente, porém citava que era uma série para adultos.

A série mostra uma jovem, cega, que desapareceu, e que cuja família tentou, de várias maneiras e com boa repercussão na imprensa, encontrá-la, sem sucesso. E esta jovem reaparece, depois de 7 anos, numa ponte, parando o trânsito e aparentemente desorientada, com várias pessoas filmando em seus celulares, até que pula no rio e vai parar num hospital, onde a família a acaba encontrando. E com alguns detalhes interessantes: ela possuía várias cicatrizes nas costas e não estava mais cega.

Todo o enredo acima, que serve para atrair quem possa se interessar pela série, cobre os primeiros 5 a 10 minutos da trama. A série fala também de experiências de quase morte - aquelas pessoas que tiveram paradas cardíacas e respiratória e que conseguiram ser ressuscitadas a tempo - de uma forma bem interessante, o que também vale citar no mesmo contexto.

E o que fez o brilhante crítico de séries do Valor Econômico: uma crítica maior (ocupava 3/4 de uma página pequena, pois neste encarte as páginas são menores, e este espaço incluía uma foto dos protagonistas) e com boas revelações sobre o enredo, do tipo estraga-prazeres ou spoiler, como é conhecida atualmente. E a pérola final: sabe qual a cena que ele descreve na crítica? A última cena do último episódio desta temporada, por enquanto, única da série.

Para mim isto passa de qualquer limite aceitável. Embora, como disse no início, ache muito interessante o trabalho dos críticos, neste caso o texto estava abaixo da crítica.

E, sobre a série, gostei do seu conteúdo, acabei assistindo com meu filho durante o final de semana e vale bem a pena. Se eu não soubesse de antemão qual a última cena talvez gostasse ainda mais.

Abraços,

Henri Coelho

sábado, 27 de dezembro de 2014

Eternidade por um fio, de Ken Follett


Um livro com mais de 1.000 páginas: certamente um desafio intransponível para a maior parte das pessoas, daqueles que a maioria olha e pensa: nem matando eu vou ler um livro destes (o verbo mudou em respeito a um ou outro leitor desavisado que venha a cair neste texto e que pudesse se ofender).

O que posso dizer pra estes, que não encarariam este desafio: vocês não sabem o que estão perdendo. E na linha deste blog, não vamos contar muita coisa sobre o livro, mas quem sabe despertar alguma curiosidade em quem está em dúvida se lê ou não.

O livro faz parte de uma trilogia, isto que virou moda de uns anos pra cá. O primeiro livro da trilogia "O Século", "Queda de Gigantes", aborda o período da 1ª Guerra Mundial, sob o ponto de vista de diferentes famílias (uma russa, outra inglesa, outra alemã e por aí vai). Isto tudo misturando personagens reais e fictícios, e te passando uma visão de como cada um dos lados enxergava o conflito e sofria com ele. Os personagens, é claro, estão presentes na maioria das passagens interessantes, se relacionando com os personagens reais.

O segundo livro, "Inverno do Mundo", aborda os descendentes destes personagens e alguns personagens novos durante o período da 2ª Guerra Mundial. O modelo é o mesmo: personagens reais misturados aos fictícios, estes últimos presentes nos pontos onde a guerra se desdobra, seja no front ou nos bastidores.

E, para fechar a trilogia, o último livro "Eternidade por um fio" mostra os bastidores da guerra fria, novamente mostrando os descendentes das famílias anteriores e alguns personagens novos, todos eles próximos dos principais acontecimentos do período. O livro aborda o período da construção até a queda do muro de Berlim e a questão dos direitos civis nos Estados Unidos, passando por tudo que houve de mais relevante no período.

 
Dos três livros, é o que mais gostei. Talvez por tratar um período mais próximo, talvez por mostrar muito do que se passava por trás da Cortina de Ferro, que sempre foi muito escondido de todos, talvez por ter os personagens reais que ouvimos falar, por bastante tempo, no noticiário diário da TV, não sei a razão, mas é sensacional. E por mais que você saiba os principais pontos da história, a leitura vale muito a pena.

São mais de 1.000 páginas. Deliciosas. Obra prima do Ken Follett. E se você comprar a versão física e não o e-book, o exercício de levantar  mais de 1 Kg também ajuda a queimar umas calorias.

Abraços,
 
Henri Coelho

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Davi e Golias, de Malcolm Gladwell

Malcolm Gladwell é um dos meus autores preferidos: seus livros são escritos de forma a lhe fazerem pensar bastante sobre algum assunto em específico, sobre o qual ele procura apresentar uma série muito grande de dados para provar seu ponto de vista.

Neste livro, Davi e Golias - a arte de enfrentar gigantes, ele cria um modelo que segue em quase todos os capítulos: apresenta um assunto, com todos os detalhes que parecem óbvios para todos, e depois mostra uma série de outros argumentos para te mostrar o que não era tão claro assim, e te permitir chegar a outra conclusão.

Normalmente seus livros são uma miscelânea de assuntos, tendo um fio condutor. No livro atual ele fala desde a história de Davi e Golias, que dá título ao livro, até sobre o holocausto, passando por tópicos sobre o sucesso de um time de basquete treinado por uma pessoa que não entendia nada do jogo, o tamanho das turmas nas escolas, a escolha correta da universidade, os desafios para as pessoas que tem dislexia, os pintores impressionistas, o conflito racial nos EUA, etc. E em vários assuntos desafia o senso comum, embora primeiro faça você acreditar que seus conceitos anteriores estavam absolutamente corretos. O fio condutor: a arte de enfrentar aquilo que lhe parece um gigante, inatingível, insuperável.

Malcolm é um escritor de uma revista americana chamada New Yorker. Já li alguns de seus artigos on line, sofrendo um pouco com o idioma, que são muito interessantes. A sensação, após cada artigo ou capítulo, é a de um escritor que se esforçou muito para pesquisar sobre o assunto em questão, ou seja, o livro não saiu sem muito esforço e dedicação. Claro que há deslizes no livro - há uma nota de rodapé que lhe dá vontade de parar de ler o livro imediatamente, mas considere esta apenas como um choque de neurônios do autor a 200 Km/h e releve, pois o restante vale a pena.

Meu livro favorito de sua autoria é Outliers - Fora de Série. Embora o estilo seja o mesmo, o tema central deste livro é a dedicação, a história que talento somado a muito, muito, muito trabalho, gera um gênio. Neste livro ele mostra a história de vários gênios da humanidade e a combinação de talento e trabalho funcionando maravilhosamente. É um livro muito indicado para todos os jovens que estão começando e acham que muita coisa vai cair do céu.

Neste ponto, lembro do técnico Muricy Ramalho e seu bordão: "Aqui é Trabalho". É bem o que reflete este último livro citado.

E muito do que faltou bem recentemente em uma certa seleção...

Abraços,

Henri Coelho



sábado, 1 de junho de 2013

Inferno, de Dan Brown

No livro Inferno, Dan Brown segue o modelo, ou template, já consagrado em seus outros livros. Pra quem já leu alguma de suas obras, veja se o roteiro abaixo não é conhecido:
  • Aventura do professor de simbologia de Harvard, Robert Langdon, já consagrado em seus livros anteriores.
  • Descrição detalhada de antigas obras de arte, sejam livros, quadros, esculturas.
  • Tema polêmico como pano de fundo. Não dá pra competir com O Código da Vinci, é claro, mas o tema atual não é trivial.
  • Utilização de algum artista antigo, com grande produtividade em sua área, e com obras que podem ser interpretadas como tendo duplo sentido facilmente.
  • Exploração de alguma cidade, que lhe faz se sentir como se você estivesse lá ou que te dá vontade de conhecer a cidade em questão.
  • Capítulos curtos, para lhe dar vontade de continuar lendo sempre mais algumas linhas.
  • Enredo muito bem pensado, para que você demore a fechar as pontas e não perca o interesse na leitura.
  • Um grande estudo sobre o tema que ele está explorando, de forma que você sabe que um especialista está lhe falando diretamente sobre aquele assunto.
O resultado também é conhecido: um excelente livro, que você não quer parar de ler até o último capítulo. E a única coisa que você sente falta é que houvesse um encarte com a imagem de todas as obras de arte citadas no livro, para que se pudesse olhar a obra de arte e a descrição ao mesmo tempo.

O romance Inferno se passa em Florença, na Itália, onde o professor acorda num hospital, após ser baleado na cabeça. Um casal de médicos, ele italiano e ela inglesa, estão cuidando do professor, que não sabe o que aconteceu, e como veio parar ali. Este pequeno enredo é apenas parte do primeiro dos mais de cem capítulos desta obra.

Uma curiosidade sobre o livro: seu lançamento foi feito em datas muito próximas em diversas partes do mundo, e uma das preocupações dos editores é que seu conteúdo não vazasse antes do lançamento. Para atingir este objetivo, eles reuniram em Florença os diversos tradutores, para que a obra já pudesse ser oficialmente lançada traduzida em todos os países ao mesmo tempo. Só no Brasil o livro já saiu com tiragem de 500 mil exemplares. O título também é o mesmo em todos estes idiomas, como as diversas capas mostradas nas fotos acima podem mostrar.

O livro vale muito a pena. Boa diversão aos que se aventurarem nesta nova obra, ignorem a estrutura já conhecida, o recheio vale muito a pena.

Abraços,

Henri

domingo, 28 de abril de 2013

Casagrande e seus demônios

No livro Casagrande e seus demônios, escrito por Gilvan Ribeiro e pelo próprio Casão, temos a oportunidade de ver um ídolo de muitos torcedores de futebol, principalmente mas não só Corinthianos, se desnudando na frente do seu público, sem pudor e sem medo de críticas. Somente por este aspecto vale bastante a leitura.
O livro explora muito o problema do Casagrande com as drogas, desde o uso da maconha na adolescência até o consumo de cocaína, heroína, LSD e outras drogas. Relata também as 3 overdoses que ele sofreu, suas alucinações, suas internações e o momento do acidente que causou uma internação forçada, e que resultou no seu afastamento das drogas até o dia de hoje.

Revela ainda a consciência que ele tem de ser um dependente químico, que não pode fraquejar e voltar a usar outras drogas, pois a chance de recaída é muito grande. Hoje ele tem apoio psicológico para se manter afastado deste mundo, e evita lugares e festas onde sabe que a droga vai rolar solta, justamente para evitar que volte aos velhos hábitos.

Mas o livro não se resume a isto: fala também muito da carreira do Casagrande, de seu relacionamento com outros jogadores e com os técnicos, inclusive das rusgas com o Telê Santana, na seleção. Fala muito do relacionamento conturbado com o Dr. Sócrates, desde a excelente parceria em campo até a dificuldade de convivência depois disto.

Lembro do Casagrande jogando pelo Corinthians quando eu era ainda adolescente. Na época, não fazia muito sentido pra mim a Democracia Corinthiana, e todo o papel que este movimento teria na situação política do nosso país, no final dos tempos da ditadura. O que fazia muito sentido era termos um time vencedor, com tantos jogadores diferenciados e com ótimos resultados.

Não me lembrava da passagem do Casão pelo São Paulo, e nem nas condições em que isto ocorreu, e nem do fato dele ter sido campeão da Champions League, pelo Porto - na época este campeonato tinha outro nome. Não me lembrava também da torcida corinthiana o homenageando num jogo entre Corinthians e Flamengo, em São Paulo, de tal forma que ele, que esperava ser hostilizado no jogo, tenha se emocionado com a homenagem.

Tomara que o Casão continue neste processo de recuperação, para continuar trabalhando como comentarista de TV, onde faz muito bem este papel, com sinceridade, se arriscando a dar opinião sobre o que pode mudar um jogo, e não apenas comentando o video tape.

Lembro, na copa de 2002, na semifinal contra a Turquia, ele pedindo para que o Ronaldo Fenômeno fosse substituído, pois não estava bem naquele jogo, e alguns minutos depois o mesmo Ronaldo fazendo um gol de bico, e classificando o Brasil para a final. Não houve nenhum constrangimento no Casão neste caso, ele defendia o que acreditava ser o correto e não se arrependia disto. Na época, o Nuno havia iniciado uma newsletter sobre este assunto, mas não a encontrei na relação de Newsletters da Signa, embora tenha muita coisa boa para se ler por lá.

Abraços,

Henri

sábado, 20 de abril de 2013

Os Doze

Terminei hoje a leitura do excelente livro Os Doze, de Justin Cronin. Trata-se do segundo livro de uma trilogia (como estão na moda as trilogias) que se iniciou com o livro A Passagem, em 2010. A previsão de lançamento do último volume, que deve se chamar A Cidade Dos Espelhos, aponta para 2014, e resta esperar até que seja lançada no Brasil, o que deve acontecer no início de 2015, se for repetido o atraso que ocorreu com este segundo volume.

O spoiler abaixo é muito pequeno, e não prejudicará quem quer ler os livros. A recomendação é a leitura dos livros em sequencia, pois a história deste livro é uma continuação direta da história do livro anterior.

No livro A Passagem, tudo começa com a eterna busca pela imortalidade, e para a cura de todas
as doenças. Algo extremamente promissor, porém um segredo guardado a sete chaves pelo exército americano, que conduz diretamente as pesquisas. E para que os primeiros testes pudessem ser feitos em humanos, depois da fase experimental, são escolhidas 12 pessoas que estavam no corredor da morte nos Estados Unidos, para que pudessem servir de cobaias e para que a evolução do tratamento pudesse ser monitorada.

É claro que tudo sai de controle, mas de uma forma excepcional. E a ação é deslocada então para o futuro, muitos anos depois, com a consequência direta deste experimento. O subtítulo do livro, exposto na capa atual, é: Quando o Homem tenta ser Imortal, o Fim da Humanidade é uma Questão de Tempo.

No livro Os Doze, a ação volta para os dias em que o experimento sai do controle, novas personagens são inseridas e a ação então se desloca para muitos anos adiante, continuando a ação do livro anterior. E seu subtítulo, difícil de ver na imagem acima, é: Num mundo cercado por monstros, o inimigo mais cruel pode ser o próprio homem. Há uma promessa interessante de muita ação para o próximo livro.

Há uma citação, na última orelha do livro, de que os direitos de adaptação para o cinema do primeiro livro foram adquiridos pela Fox 2000, e que já há diretor (Matt Reeves) e roteirista (Jason Keller) escolhidos para a empreitada. Embora sempre o livro seja melhor que o filme, neste caso há ação suficiente para que o filme também possa ser muito bom. O mais difícil vai ser condensar as 816 páginas do primeiro livro num filme comercial. O segundo livro é bem menor: são só 591 páginas, mas que prendem sua atenção o tempo todo, tornando difícil a tarefa de deixar o livro de lado.

Boa leitura. Enquanto isto, vou curtindo o pior aspecto das trilogias: aguardar o próximo volume.

Abraços,

Henri

terça-feira, 2 de abril de 2013

A visita cruel do tempo

Minha última leitura foi o livro "A visita cruel do tempo", da autora americana Jennifer Egan, vencedor do prêmio Pulitzer. A dica foi ouvida no programa Fim de Expediente, se não me engano dita pelo Teco Medina, e citada como sendo um dos livros que todas as pessoas deveriam ler.

Comprei o livro assim que cheguei em casa, e li em poucos dias na semana seguinte. É um livro com muitas idas e vindas no tempo, e como as personagens são diretamente ligadas ao cenário musical, com várias citações de músicas e bandas reais, e até uma obsessão de um dos garotos pela duração e quantidade de pausas das músicas, o que é bem divertido.

Mas o foco principal é mostrar as situações e conflitos das principais personagens em vários momentos de suas vidas, em alguns casos na adolescência, na vida adulta e no começo da velhice. A maneira como a autora liga as personagens nos vários capítulos é muito interessante e muito bem pensada. Existem muitas referências à trinca sexo, drogas e rock & roll.

Tudo isto faz deste um bom livro, que te prende na leitura. Acho que não o classifico como excelente pois, quando se cria uma expectativa muito alta pela recomendação, há uma tendência de acharmos que o livro não era tão bom assim. Por isto é tão difícil ser imparcial numa avaliação destas.

Abraços,

Henri

sábado, 26 de maio de 2012

O Sinal

Minha última leitura foi o livro O Sinal, do historiador Thomas de Wesselow, que tem como subtítulo "O Santo Sudário e o Segredo da Ressureição".

Trata-se de um livro histórico: na orelha do livro, há a informação de que o autor se dedica, em tempo integral, desde 2007, ao estudo histórico do Santo Sudário. O número de referências consultadas e citadas nas notas explicativas é bastante grande, mostrando que houve muito esforço para a escrita do livro.

O Santo Sudário é um lençol de linho de grande dimensão, atualmente guardado em Turim, na Itália, que teria envolvido o corpo de Jesus Cristo após sua crucificação e até sua ressureição. Neste lençol há uma imagem de um homem de corpo inteiro, tanto de frente quanto de costas. Este homem está nu, com as mãos cobre sua genitália, e mostra muitas marcas de sangue e sinais de tortura.

A imagem do Sudário é até mais impressionante no negativo do que vista diretamente. A foto ao lado mostra a visão frontal do Sudário com as duas imagens, à esquerda a imagem original e à direita o negativo desta imagem. Quando um fotógrafo amador tirou a primeira foto do sudário e foi fazer a revelação da mesma, é que se percebeu este detalhe que faz toda a diferença.

O livro é dividido em várias seções, mas há duas divisões claras: há uma parte histórica, na qual algumas suposições são feitas para justificar alguns pontos onde há várias teorias possíveis, e outra parte onde há uma grande suposição, e tenta-se justificar boa parte da história baseando-se nesta única suposição.

A primeira parte é a melhor parte do livro: é feita toda a reconstituição histórica da viagem do Sudário de Jerusalém até Turim, com todas as suas paradas, citado como o Sudário havia ficado escondido durante vários séculos sem que ninguém soubesse de sua existência, dobrado num quadro onde apenas o rosto aparecia. A Bíblia é usada em diversos pontos como fonte histórica, com os livros citados do Novo Testamento sendo contextualizados quanto à época de sua escrita, sua autoria, seu grau de confiabilidade, na visão do autor, com alguns outros textos históricos e os chamados Evangelhos Apócrifos também sendo usados como referência.

O principal ponto de questionamento acerca da veracidade do Sudário, que foi uma datação por carbono feita do lençol no final da década de 80, também é muito comentado: neste episódio os três laboratórios classificaram o lençol como tendo sido produzido na Idade Média, por volta do ano de 1.300 D.C., o que o inviabilizaria como lençol mortuário de Jesus. Todas as possíveis falhas deste processo de datação são explicadas no livro.

Na metade do livro há várias páginas que mostram imagens do Sudário, de quadros que o referenciam, de imagens 3D feitas a partir dele e até de esquemas que mostram como o Sudário teria coberto o corpo de Cristo. Em que pese a questionada "prova científica" de que o Sudário é falso, ao chegar nesta parte o leitor se convence de que a relíquia é verdadeira.

A segunda parte do livro estraga muito da boa impressão citada acima. É uma pena. Em vários instantes a vontade maior foi a de abandonar a leitura, mas a boa impressão causada na primeira metade me fez seguir em frente e ver até onde aquela história seguiria.

A revista Veja fez uma reportagem de capa sobre este livro há alguns meses, elogiando bastante o resultado obtido pelo autor. A parte histórica do livro realmente vale muito a pena.

A leitura de livros de não ficção é sempre muito interessante, pelo aprendizado envolvido. Quando a história é muito antiga, como é o caso deste livro, a impressão que fica é a de que ficamos conhecendo uma pequena parte dela, muito influenciada pelo autor, até que façamos a leitura de um novo texto, com outro autor e com outra interpretação, que as vezes contraria tudo o que pensávamos saber a respeito. Por isto a história é sempre viva, e muito fascinante.

Abraços,

Henri

domingo, 20 de maio de 2012

O Testamento dos Séculos

Este é o título de outro livro de Henri Loevenbruck, autor francês que também escreveu Síndrome de Copérnico, sobre o qual falei aqui há alguns dias. Este livro foi lançado na França em 2003, mesmo ano de lançamento do livro Código da Vinci, de Dan Brown. Na capa do livro, lançado no Brasil em 2009, há uma chamada dizendo que quem leu o Código da Vinci não pode deixar de ler este livro. Claro que parte da história de Jesus está presente na trama.

Ambos são livros que tratam de descobertas e códigos secretos deixado em pinturas e artefatos antigos feitos por Leonardo da Vinci. O quadro Monalisa tem destaque nas duas obras, com foco diferente em cada uma delas: Dan Brown tenta explicar mais sobre o quadro, a representação do masculino e feminino existente nele, e meu xará sai em busca de um código secreto pintado nele.

O Livro "O testamento dos séculos" se inicia com um relato de um monastério completamente isolado no deserto da Judeia, onde os Monges levam uma vida de orações e onde guardam o último segredo deixado por Jesus Cristo.

Depois a ação do livro se muda para os Estados Unidos, onde um autor de sucesso em uma série americana, produzida pela HBO, com sexo como tema central, recebe a notícia da morte de seu pai, residente na França, e a quem não via há 11 anos. Há nova mudança de cenário, agora para a França, com novos personagens sendo inserido aos poucos na trama.

É um livro agradável de ler, porém inferior, pra mim, ao outro livro do mesmo autor, que comentei anteriormente. Achei o outro livro mais original, com toda a perturbação mostrada pelo esquizofrênico; este livro parece ser menos inspirado, embora também certamente trabalhoso de se escrever.

Estou agora terminando a leitura de outro livro, que fala sobre o Sudário - de novo Jesus como tema - mas este fica pra um próximo Post.

Abraços,

Henri


domingo, 6 de maio de 2012

Livros e filmes com final feliz

Um de meus hábitos é a leitura. Não sei precisar quantos livros leio anualmente, quando perguntado chuto em torno de 30 por ano, mas o número é muito impreciso. Um bom livro pode te prender por dias ou semanas, um livro ruim pode demorar um mês pra ser lido, quando conseguimos concluir a leitura. Mais do que o número de páginas do livro, influencia a maneira como o escritor trabalha, os capítulos curtos ou longos, a história envolvente ou chata, o nível de detalhes, e por aí vai.

Este ano já li alguns livros bons, outros nem tanto. Alguns que começaram bem, que a história parecia que ia ter uma guinada muito interessante... mas que acabaram na mesmice mais óbvia possível. Talvez haja uma preocupação em preservar as personagens, quem sabe pensando em uma continuação, ou ainda pela proximidade entre autor e personagem gerada durante a criação da obra.

O último livro que li foi Síndrome de Copérnico, do meu xará Henri Loevenbruck. Trata-se da história de Vigo Ravel, esquizofrênico, que ouve vozes e que sempre se julgou louco por conta disso. Ele consegue escapar de um atentado a um prédio, com um número recorde de mortos, por ter escutado uma voz que indicava que algo estava pra acontecer naquele local, e começa se questionar sobre sua loucura, sua doença, sua vida.

O livro é bastante interessante, até perturbador, conforme você acompanha a trajetória da personagem principal, seu envolvimento com as pessoas e a mania de perseguição que dá origem ao título. Acho que criei a expectativa de que o final fosse diferente. Mas de qualquer forma, vale a leitura.

O mesmo raciocínio vale para os filmes. Nas poucas vezes em que o final nos surpreende, e foge do lugar comum, saímos do cinema com uma sensação diferente, como se o roteirista não estivesse seguindo o combinado e ajeitando todas as coisas no final, como deveria ter sido feito. E é muito mais interessante quando ocorre desta maneira.

Um de meus projetos sonhados para o futuro é de escrever um livro. Uma ficção, que possa agregar algo a quem lê, e inspirada nos bons livros que já li, mas com algo a mais. E com certeza com um final fora do quadrado. Sem preservar personagens, mais ao estilo do George R. R. Martin da série Crônicas de Gelo e Fogo do que do Stieg Larsson, da série Millenium.

Quem sabe um dia eu chego lá.

Abraços,

Henri

sábado, 21 de janeiro de 2012

Os homens que não amavam as mulheres

O livro Os homens que não amavam as mulheres, de Stieg Larsson, tem características bem interessantes. O título do livro, pelo menos em português, serve para afastar a maior parte dos leitores, e por ele você não tem ideia de que se trata de um thriller muito legal.

A história é muito boa e muito bem bolada. A ação do livro é lenta no início, quando você vai se habituando às personagens, e depois passa a ser eletrizante, até chegar em mais ou menos 80% do seu conteúdo. Depois, quando a maioria dos autores gastaria 5 a 10 páginas para dar um final feliz ao assunto, a ação volta a um ritmo mais lento por mais páginas e prepara o terreno pros volumes seguintes.

Este livro é o primeiro da trilogia (como está tão em moda) chamada Millenium. O grande detalhe é que não cabe continuidade a esta trilogia: um ataque cardíaco infelizmente matou o autor dos livros, segundo a breve biografia que acompanha os volumes, pouco tempo depois de ele ter entregue os originais da trilogia à editora.

Neste mês está sendo lançado no Brasil um filme sobre o livro, feito em Holliwood: já houve um outro filme, sueco, de 2009, que retratava esta história, mas que não teve tanto destaque. O filme mais novo, com o título The girl with the dragon tattoo, com Daniel Craig, Rooney Mara e Christopher Plummer, foi lançado com boa repercussão em dezembro de 2011 nos Estados Unidos e na Europa.

No livro, há 2 personagens principais: o jornalista Mikael Blomkvist, que começa o livro em baixa por ter perdido um processo por calúnia e difamação, sendo condenado à prisão por 3 meses, e uma investigadora particular, sem dúvida uma personagem muito marcante, chamada Lisbeth Salander. A história dos dois começa a ser mostrada de forma separada, e depois ela é entrelaçada numa investigação iniciada pelo jornalista.

A leitura vale a pena:  a trilogia é vendida em 2 edições, uma chamada econômica e outra com um acabamento melhor, mas que pra mim não se justifica. E qual a nota que este livro merece? Deveria ser 10, mas vamos descontar um décimo pelo título.

Abraços,

Henri

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Steve Jobs por Walter Isaacson

Terminei recentemente de ler o excelente livro Steve Jobs por Walter Isaacson. Trata-se da história da vida do fundador da Apple escrita por um especialista em biografias, que já escreveu anteriormente biografias de outros famosos, inclusive do Albert Einstein.

Logo no início do livro o autor nos informa que se trata de um livro com algumas diferenças em relação a outras biografias: esta foi feita com grande colaboração do biografado, e sem a exigência, comum nestes casos, de que a biografia deveria ser aprovada por ele ou pela família antes de ser publicada. Com isto o texto escapa desta revisão que tenderia a pasteurizar muito de seu conteúdo.

E o livro retrata Steve Jobs como alguém a ser admirado e odiado. Muito. Nos dois casos. Estes sentimentos estarão presentes, certamente, durante toda a leitura, pela narrativa de tirar leite de pedra, pela estratégia brilhante e pelo carinho com que ele tratava seus colaboradores, além de várias características pessoais que chamam muito a atenção.

Alguns exemplos desta maluquice: a mania de seguir dietas vegetarianas e entender que, como um efeito colateral benéfico destas dietas, não havia necessidade de que ele tomasse banho, pelo menos no início da carreira profissional. Na mesma época, por influência de seus gurus, entendia que devia viver descalço, chegando a fazer várias visitas a outras empresas vestido como se fosse um Hare Krishna.

Além disso, a forma de tratamento que ele adotava com seus subordinados: seus resultados somente se encaixavam em 2 extremos: ou era excepcional, ou era "uma merda". Às vezes o mesmo resultado se encaixava nas duas categorias em dias diferentes. Seus autores eram classificados da mesma maneira. E o livro nos faz crer que o pensamento dele, ao execrar o resultado, era um incentivo para que a pessoa soubesse que podia fazer algo melhor. Já pensou se todos nós incentivássemos desta maneira?

No outro extremo, mostra alguém obcecado por design e qualidade: todos os produtos tinham que ser percebidos como inovadores, e a qualidade deveria estar presente mesmo nas partes que não apareciam para o usuário. Os produtos também deveriam fazer parte de um sistema o mais fechado possível, de forma que o usuário comprasse hardware e software da mesma empresa, e produtos complementares, dentro do possível, também do mesmo fornecedor.

Em resumo, é um livro que vale muito a pena ser lido. Se for atribuir uma nota, é 10. O assunto é muito bem trabalhado, o livro não é cansativo, não é escrito para pessoas com formação técnica, e não se trata de uma biografia escrita em ordem cronológica, mas sim explora cada assunto por vez, de forma completa. Quem tiver oportunidade, leia.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Os Pilares da Terra

Alguns ótimos livros acabam nos escapando no tempo, às vezes por terem sido lançados em épocas onde o hábito da leitura não fosse tão frequente. Um destes exemplos é o livro Os Pilares da Terra, de Ken Follet, editado em 2 volumes.

Este livro narra uma história passada no século 12, na Inglaterra dividida pela morte de um Rei sem um sucessor direto, e com alguns pretendentes ao trono se digladiando pelo poder. Com este pano de fundo, a história gira em torno de um padre e sua luta pela organização e saúde financeira de um priorado, passando pelas dificuldades com a construção de uma igreja e as brigas de poder locais.

Quando comentava sobre o livro Queda de Gigantes, do mesmo autor, fiquei sabendo deste livro, e me interessei por sua leitura. Não o encontrei em nenhuma livraria, on line ou física, e somente vi exemplares a venda em alguns sebos. O problema maior é o preço cobrado, por ser um livro fora de catálogo: o primeiro volume, no único sebo on line que o possuía em estoque, custava mais de R$ 100,00.

Desta forma o jeito foi buscá-lo em uma biblioteca, com a leitura ocorrendo mais às pressas para não impedir outras pessoas de terem acesso ao livro. Mas valeu muito a pena, a história é muito bem construída.

O próximo passo é ver a minissérie, feita em 2010, sobre este livro. A expectativa é boa, o livro é nota 10 e espero que a minissérie seja também. Agora é correr atrás dos outros bons livros que me escaparam nestes últimos anos.

Abraços,

domingo, 23 de outubro de 2011

O Pan e a transmissão pela TV

Eu gosto muito de assistir esportes na TV. Isto vale para meus esportes favoritos, como futebol, tênis, fórmula 1, vôlei, e para outros esportes em época de grandes campeonatos mundiais ou na época das Olimpíadas.

Os jogos PanAmericanos acabam sendo, em várias modalidades, uma disputa de um campeonato menor. Em vários esportes os países optam por enviar atletas secundários para disputar o Pan, e você vê o Brasil fazendo bonito e em alguns casos até ganhando com facilidade dos Estados Unidos. Em outras modalidades, o Brasil mesmo opta por poupar atletas e mandar uma equipe secundária: este ano, por exemplo, isto ocorreu no Futebol, tanto masculino quanto feminino, e no vôlei masculino.

Mas nem por esta razão este campeonato deixa de ter seu interesse: nesta última semana o torneio de vôlei feminino foi bastante disputado, com a equipe principal do Brasil e de Cuba fazendo uma final emocionante. Isto também ocorreu em algumas competições de natação, com algumas provas muito equilibradas, resolvidas no instante da batida.

O que realmente foi muito ruim neste Pan é a transmissão dos eventos. Há 2 canais transmitindo: a Record e a Record News, mas as principais competições envolvendo equipes brasileiras somente são mostradas pela Record, e a outra emissora geralmente passa competições que não envolvem o Brasil e replays de jogos onde o Brasil está envolvido. Há algum tempo vi uma notícia de que o Sportv passaria o Pan, mas isto não se confirmou.

A transmissão da Record mostra alguns problemas principais:

  • A escolha de imagens: provavelmente a escolha de imagens está sendo feita por alguém que não entende de esportes, ou que quer inovar nas transmissões. A Record levou várias câmeras extras para o México, e a toda hora estas imagens são mostradas, às vezes no meio da transmissão, sem nenhum critério. No vôlei, a Vila Panamericana era mostrada, interrompendo a transmissão da partida, no momento em que um ponto era jogado, ao invés de mostrar no momento em que um tempo foi pedido por algum dos treinadores. No caso da natação, antes do início de uma prova, eles não mostravam os competidores, os tempos, quem ocupava qual raia da piscina, mas somente ficavam mostrando uma câmera exclusiva que só filmava o brasileiro que estava participando da prova.
  • A escolha do que transmitir: às vezes há eventos ocorrendo em paralelo, e cabe à emissora escolher qual será transmitido, ou interromper pontualmente a transmissão de uma partida mais longa para mostrar uma prova rápida de natação ou uma luta de boxe, por exemplo. Há muita infelicidade na escolha, não há sincronismo entre os apresentadores.
  • A programação normal: a Record passa alguns eventos, mas em alguns dias, como no caso deste domingo, não interrompe a péssima programação habitual para mostrar os eventos do Pan.

Além disso, a Record contratou o Álvaro José, que tem uma das maiores memórias que conheço. Num tempo anterior à Internet (você que é mais novo acredite, um dia isto existiu), ele sabia o tempo de todos os competidores, os recordistas de todas as provas de atletismo e natação, os medalhistas, os recordes, etc, mas não era obrigado a tentar dar emoção a cada transmissão como faz hoje. Numa prova de natação, com uma brasileira ocupando a quinta colocação, na última virada, sem nenhuma chance de pegar sequer a quarta colocada, ele insistia na excepcional virada, na aceleração da brasileira, que ela ia buscar o ouro, etc, como se ninguém estivesse vendo a prova.

Mas sendo o Pan um evento menor, isto não é um grande problema, certo? Errado: até onde anuncia, a Record comprou também as Olimpíadas de Londres, o próximo Pan e as Olimpíadas do Brasil. Se você também gosta de esportes como eu gosto, se imagine assistindo a próxima Olimpíada sendo interrompido a todo instante para passar a novela da vez, mostrar algum brasileiro torcendo na Vila Olímpica, o programa do Gugu ou qualquer outra coisa. Como dizia um antigo personagem do Jô Soares: "me tira o tubo".

Abraços,

Henri

Os Altruístas e a censura

Na semana passada assisti a uma peça de teatro chamada Os Altruístas, com a atuação da Mariana Ximenes, e um elenco de mais 4 (ou 5) atores, recomendada para maiores de 18 anos. É difícil dizer se é uma peça que valha muito a pena assistir ou não: por se tratar de uma comédia, vai muito do estado de espírito de quem está assistindo achar graça das piadas ou achar estas piadas bobas ou ofensivas.

Algumas características interessantes da peça, sem procurar tirar a surpresa de quem decidir gastar seus reais para assistí-la:

  • A peça abusa de piadas politicamente incorretas, e não poupa nenhum dos estereótipos. Se você não acha graça deste tipo de piada, nem pense em assistir, a decepção vai ser grande.
  • Muitas das cenas tem temática sexual, sem distinção de gênero, com uso frequente de palavrões. O ator mais engraçado da peça faz o papel de um homosexual bem afetado.
  • Há uma proposital confusão entre as cenas. Demora alguns minutos para que você se oriente sobre o que representa o cenário, e se acostume com a rápida transição entre as cenas.

Neste dia nos sentamos ao lado de um casal que, com certeza, não achou graça de nenhuma das piadas. Enquanto eu dava algumas gargalhadas, eles ficavam quietos e sérios. Acho que saíram bem decepcionados do teatro, mas o pequeno guia acima é suficiente pra evitar que alguém também saia chateado.

O uso das piadas mais ofensivas da peça me lembrou um pouco o caso do Rafinha Bastos, do CQC - TV Bandeirantes, tão execrado ultimamente por conta de suas piadas mais ácidas. Antes xingado por muitos pelas piadas feitas no programa de TV, em rede nacional, principalmente naquela infeliz feita sobre uma cantora, agora qualquer coisa que ele fala vai para as principais páginas dos portais internet, e com certeza para vários programas de TV, dizendo que ele falou mal de alguém ou de alguma empresa no teatro, em uma entrevista, no twitter, e por aí vai.

O fato de falar bem ou mal, na vida de alguém conhecido, pode ser até bom para mantê-lo em evidência. Porém, a direção do canal de TV talvez tenha feito algo precipitado, e que não é bom para uma rede que busca atrelar sua imagem à democracia: ao retaliar o humorista, proibindo-o de participar dos programas onde atua, fez uma censura pesada para que pudesse ficar bem com seus anunciantes, e deve acabar perdendo o artista para outra rede de TV. A audiência, que gosta deste tipo de provocação e piadas, vai atrás, e atrás dela os anunciantes. Ou seja: talvez o posicionamento da rede de TV não tenha sido o mais inteligente no médio prazo, embora fosse o mais fácil no curto prazo.

Pra quem já assistiu qualquer stand-up comedy, se você se importar com piadas sobre gordos, mesmo sendo gordo, como é meu caso, sobre loiras, portugueses, homosexuais, etc, é mais saudável usar o seu direito à liberdade e não usar seu tempo assistindo a isto. Entendo que o mesmo valha para a TV: use a liberdade para mudar de canal, ler um livro ou fazer uma atividade muito mais prazerosa. Mesmo que esta atividade também possa ser censurada.

Abraços,

Henri Coelho

sábado, 1 de outubro de 2011

O poder dos juros

Já li vários livros sobre economia, pois é um assunto que me interessa bastante. Em especial, há o interesse pelos livros que procuram te ajudar no plano pessoal, a se conscientizar e buscar equilibrar a balança dos gastos e das receitas, e também por aqueles livros que te ensinam divertindo, ligando uma história ao conceito que quer divulgar.
Parábola sobre economia

Um dos livros que li e gostei foi "O motorista e o milionário", de Joachim de Posada e Ellen Singer. É um livro com poucas páginas, que li junto com meus filhos, uma ou duas páginas por noite, antes deles dormirem, deve fazer uns 5 anos. Eu fazia uma voz com uma entonação diferente quando o motorista falava, e eles gostavam bastante disso.

E o que o livro ensinava? A poupar, como tantos outros. Só que fazia isto de uma maneira bem simples, inicialmente poupando um bombom no dia e depois conseguindo transformar sua vida a partir dos resultados obtidos ao longo dos tempos. Pra mim é um livro pelo menos nota 7.

E esta é a mensagem mais difícil de fazer. É muito fácil de falar, é muito difícil de praticar. A regra simples, mas simples mesmo, de poupar 10% do que você ganha, como um dinheiro que você esquece e que vai garantir sua vida no futuro, é muito legal - e precisa haver muito comprometimento pra levar adiante.

Uma maneira simplória de fazer isto, mas eficiente, é retirar os 10% ao receber seu pagamento - de todos eles, mesmo que você tenha mais de uma fonte de renda. Se você retira isto primeiro, você precisará se controlar para que os outros 90% sejam suficientes para bancar todas as suas contas. Outra regra, também básica e também difícil, é a de não gastar mais do que você ganha - pagar juros a alguém ou algum banco não é também uma boa maneira de construir um patrimônio.

E o que é muito interessante é o chamado poder dos juros, no longo prazo. Esquecendo-se da inflação, se você tiver uma aplicação feita mensalmente de 100,00, aplicados a taxa de juros diferentes, quando se fala de um prazo mais longo o valor acumulado pode ser muito alto. Veja a tabelinha simples abaixo, onde é mostrado, ao longo de 5, 10, até 40 anos, o valor investido e o valor acumulado, considerando as taxas de juros de 0,50% a 1,00% ao mês.


Acho sempre impressionante que o valor dos juros no longo prazo. Quando você olha um horizonte de 5 anos, o valor acumulado com uma taxa de juros de 0,5% é menor do que o valor a uma taxa de juros de 1%, mas não é tão menor - o valor acumulado seria de 8,1 mil contra 6,9 mil. Quando você olha em 20 anos, o valor é muito diferente: enquanto na taxa de juros menor você teria quase dobrado seu o fruto de sua contribuição (você teria investido 24 mil e teria mais de 46 mil de saldo), na taxa de juros de 1% você teria quadruplicado seu investimento, estando com 98 mil. Com 40 anos de contribuição, então, a comparação é covardia.

Outro exercício muito legal é você saber quanto teria que acumular pra poder viver apenas do valor investido. De novo, importa muito a taxa de juros que você consegue no seu investimento. No mesmo exercício acima, se você aplicou 100,00 por mês durante o tempo necessário, e supondo que você tenha como rendimento 1.000,00 por mês (seguindo a regra dos 10%), quando você tiver um fundo que lhe dê de rendimento mensal 10x o valor de sua aplicação, você poderia passar a viver apenas deste rendimento, sem a necessidade de outras fontes de renda, desde que a sua renda mensal seja suficiente pra pagar suas contas.

Olhe o exercício abaixo, que considera qual o tamanho do fundo necessário pra gerar uma renda de 1.000 por mês de acordo com a taxa de juros mensal:


Combinando uma tabela com a outra, em pouco mais de 20 anos você poderia se aposentar na taxa de juros de 1%, contra pouco mais de 40 na taxa de juros de 0,5%. Tudo isto, claro, descontada a inflação. O mais legal é que o exercício acima é o mesmo, não importa quanto sejam seus 10%, se for 50,00 basta dividir todos os valores, das 2 tabelas, por 2; se for 1.000,00, basta multiplicar por 10 todos os valores financeiros das 2 tabelas. Mas é possível fazer outros exercícios depois.

E teria sido muito melhor se estes exercícios fossem feitos com alguma outra história de fundo, não seria? Seria mais palatável.

Abraços,

Henri Coelho

"Qualquer homem que tenha que dizer 'sou o rei' não é rei de verdade" - Lorde Tywin, "Crônica de Gelo e Fogo", George R R Martin.

sábado, 24 de setembro de 2011

Guerra dos Tronos - As Crônicas de Gelo e Fogo

Volume 1
Comecei a ler a série "As crônicas de gelo e fogo" achando que era composta de apenas 2 volumes. Comprei o primeiro, A Guerra dos Tronos, achei muito bom, comprei o segundo, a Fúria dos Reis, achando que encerraria a série.

Perto do final da leitura, fui até a FNAC e vi 4 livros em inglês: um deles correspondia ao livro Guerra dos Tronos, outro ao livro Fúria dos Reis, e os outros 2 eram continuações.

Como não gosto muito de uma história sem fim, resolvi acessar o site do autor, George R R Martin, pra descobrir que... são 7 livros ao todo. 4 já haviam sido lançados em inglês, recentemente vi um e-mail sobre o lançamento de mais um, e 2 ainda estão por lançar.

O problema maior é que a série é muito boa. Muito boa mesmo. Acabei comprando o terceiro livro, A Tormenta das Espadas, estou na metade da leitura, esperando que saiam os próximos.
Volume 2

Todos os livros são uma continuação da mesma história: a família Stark, que possui um castelo no norte do reino, com 5 filhos legítimos e 1 bastardo, 1 reino em polvorosa, com ameaças, um rei, Robert, que pode ser considerado ilegítimo, pois a família real havia sido morta e ele ficou com o trono, sua família, a família da rainha, os Lannister, com destaque para os 2 irmãos da rainha, um deles anão, os herdeiros do trono, uma matilha de lobos gigantes, uma muralha de gelo, com mais de 100 metros de altura, para defender o reino de ameaças do norte gelado, um povo nômade vivendo além-mar, batalhas de espada, lança e flechas, e muitas cenas de sexo.

E alguns bordões muito legais, como "O inverno está chegando" e "Um Lannister sempre paga as suas dívidas", etc.
Volume 3

A continuidade da narração, pelo menos nos 3 volumes, é feita sem que haja um gap de tempo entre os livros, ou seja, a ação é contínua. Outra característica interessante é que os capítulos sempre tem o nome de uma personagem, e narram o que acontece com ela, sempre em terceira pessoa, mas as vezes mostrando também os pensamentos desta. O capítulo seguinte, invariavelmente, se passa em outro local, com outras personagens, as vezes sem nenhuma relação com o capítulo anterior, que só vai ter a narrativa retomada mais adiante.

O primeiro volume da série foi transformado em minissérie televisiva pela HBO. Assisti esta temporada, em 10 capítulos de 1 hora, e a adaptação foi muito bem feita. Aos que ainda não assistiram, segue a recomendação de sempre: leiam o livro primeiro, depois veja o filme ou a série. Embora o livro sempre vá ser melhor, você se identifica com os personagens e aproveita muito melhor as imagens. A experiência contrária, sempre que eu tentei, pelo menos, nunca foi boa, e nunca dei continuidade à leitura dos livros.

Aos que gostam de ler, é nota 10. Mesmo sendo 7 longos livros.

Abraços,

Henri Coelho