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domingo, 2 de junho de 2013

Os novos abrigos de ônibus de SP

Em São Paulo, a Prefeitura Municipal está trocando a infraestrutura dos pontos de ônibus, padronizando todos com mais vidro em sua composição, inclusive no teto, e com enormes espaços para propaganda nas calçadas.

No site da Prefeitura Municipal há a notícia de que 6.500 abrigos de ônibus serão trocados em São Paulo para o novo modelo. Uma outra informação, da mesma fonte, indica que a Prefeitura deixa de gastar R$ 300 milhões nos mobiliários urbanos e passa a receber R$ 40,6 milhões como contrapartida pela publicidade que será estampada nestes locais.

Entendo que isto só tenha se tornado possível, e economicamente viável para a empresa anunciante, a partir do momento em que o prefeito anterior proibiu, através do programa que ficou conhecido como Lei Cidade Limpa, os Outdoors e várias outras formas de publicidade visual em São Paulo. Sendo assim, foi criado um mercado potencial grande, cujo primeiro licenciado, não importa de que forma fosse, seria bastante beneficiado pois não havia outra forma de propaganda visual. A gestão anterior não conseguiu transformar esta oportunidade em negócio, o que foi rapidamente viabilizado pela gestão atual.

Mas tem sempre um porém: o espaço que a publicidade ocupa é incompatível com a largura da maioria de nossas calçadas. A foto abaixo foi tirada na Rua Loefgreen, ao lado do Colégio Arquidiocesano Marista, e mostra o tamanho da publicidade em função do tamanho da calçada.


Isto atrapalha demais o trânsito das pessoas neste local. Se pelo menos a placa ficasse colada ao muro, já aumentaria um pouco o espaço para a passagem das pessoas, pois o trânsito de pedestres nesta rua, por estar próximo a um dos acessos do metrô, é bastante intenso.

Abaixo há uma foto, extraída do Google Street View, que mostra o ponto de ônibus anterior ali instalado:


Esta vai ser a realidade da maioria das calçadas: a publicidade, quando integrada corretamente com o ambiente, tem um efeito positivo, porém quando percebida como algo que incomoda e atrapalha, acho que tem o efeito inverso.

E um último ponto para fechar este post: a atual gestão agora passou a fiscalizar alguns grafites da cidade, exigindo que sejam apagados. Nós já nos acostumamos com eles, já perfeitamente integrados à nossa paisagem. Mas acho que passam a concorrer com as novas propagandas, e assim a Prefeitura passa a exigir que sejam apagados. Neste último mês, isto ocorreu com uma banca próxima de casa: havia um grafite pintado na parte de trás da banca que mostrava alguns Super Heróis e o dono da banca, ao lado, usando um braço mecânico. Isto não existe mais, por exigência da Prefeitura, e agora temos mais uma banca cinza na cidade. Veja abaixo uma foto da banca antes de ter o grafite apagado:



Abraços,

Henri

domingo, 14 de abril de 2013

Mantenha distância

Quando me mudei pra São Paulo, em 1993, uma das coisas que mais estranhei era a cara de poucos amigos de todas as pessoas daqui. Há uma barreira muito forte, própria de uma cidade tão grande, impedindo que as pessoas que não te conhecem até possam te cumprimentar. O medo da violência, das pessoas mal intencionadas, de ser enganado cria esta resistência toda.

O primeiro ponto onde senti isto foi nas conversas por telefone. Eu estava muito acostumado a ligar pra casa de meus amigos, e como as vezes me atrapalho ao digitar os números (e na época em que não havia memória nos telefones), a primeira pergunta que fazia era: de onde fala? O atendimento do outro lado era sempre cordial, normalmente identificando a casa e a pessoa que estava falando. Em seguida eu me identificava e conversava normalmente.

Ao me mudar para São Paulo, demorei um pouco pra perder este hábito. E sempre ouvia como resposta: COM QUEM O SENHOR QUER FALAR? Maiúsculo mesmo, gritado na maioria das vezes. Ao me identificar, a barreira era quebrada e a cordialidade imperava. Nem parecia a mesma pessoa com quem eu comecei a conversar, um minuto antes.

Pra quem estava acostumado e viver em cidades menores, onde todos se cumprimentam nas ruas, mesmo que não se conheçam, o choque é grande. Mas aos poucos você deixa de perceber isto, vai se acostumando e raramente isto chama a atenção.

Esta semana foi um pouco diferente. Estava no metrô, de manhã, quando me chamou a atenção, não sei bem por que, o silêncio. Devia haver quase 200 pessoas naquele vagão. Ninguém conversava com ninguém, todos de cara fechada, provavelmente não devia haver amigos ali. Uma boa parte com fone de ouvido, para garantir ainda mais o isolamento. Nenhum sorriso nos rostos. O retrato perfeito da metrópole. Milhões de pessoas morando no mesmo lugar, mas todos isolados. Cada um por si.

Mas a gente de habitua. E acaba ficando exatamente do mesmo jeito, a mesma resistência criada, e a mesma cara de poucos amigos com quem você não conhece. Experimente ligar em casa e perguntar de onde está falando pra ver.

Abraços,

Henri