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sexta-feira, 6 de abril de 2012

Pagamos sempre, mas não usamos tanto assim

No último final de semana eu estava cumprindo o ritual de verificar as contas do mês anterior, e me chamou a atenção a quantidade de lançamentos periódicos nas minhas contas correntes, sejam pagamentos mensais, trimestrais ou até anuais. A participação destes lançamentos no montante final é cada vez maior, a cada vez temos mais gastos já assumidos antes até que o mês comece.

Normalmente os serviços nos são oferecidos num modelo que traz muita vantagem se você se torna um contribuinte mensal, ou frequente, versus um preço muito mais alto se você utilizar o serviço esporadicamente. Exemplos não faltam, segue abaixo alguns deles.

No caso da telefonia celular: você pode pagar mais de 5 vezes mais caro um minuto de ligação feita para um celular a partir do seu aparelho se você tiver um plano pré-pago, em comparação a um plano pós-pago. Parece ser uma vantagem grande: mas neste ponto você assume uma conta mensal ao invés de gastar somente quando vai usar o serviço. Considerando o número de minutos que você usa por mês: compensa?

Olhem agora o caso da TV por assinatura: você paga um valor maior para ter acesso aos canais de filmes, e pode assistir filmes 24 horas por dia (como se algum ser humano tivesse tempo pra isto), o que é muito mais barato por filme do que os alugar, por exemplo, nas locadoras ou em qualquer serviço que os entregue em sua casa. Mais um custo mensal pra você, mas será que compensa comparado aos filmes que você assiste?

Vamos então para a academia: é saudável, é necessário, e um plano que você pague o semestre ou o ano todo sai muito mais barato, por mês, do que um plano mensal, que você pode desistir quando quiser. Já pensou então quanto não custaria se houvesse um plano diário, daquele que você só paga quando usa? Na maioria dos casos seria mais vantajoso, pra algumas pessoas que não usam tanto quanto deveriam. A notícia triste é que não basta pagar a academia, tem que frequentar também, e se você não a frequenta como deveria, tenha certeza de que esta despesa não falta na sua conta corrente.

A contratação de serviços neste modelo de pague um preço mensal fixo, e use quanto quiser, é normalmente muito melhor para a empresa do que para o consumidor final: embora este tenha a sensação de que está contatando algo com muita vantagem financeira, e nos primeiros meses normalmente usa bastante o serviço, a empresa já sabe que na média o serviço será pouco usado depois de algum tempo, e que vai lucrar bastante no médio prazo. Já o consumidor vai conviver com este custo por muito tempo, até chegar a conclusão que não usa e tentar cortar o serviço (aí a novela é outra, mas esta fica pra outro post).

Isto não significa que os serviços pagos mensalmente não compensem pra ninguém, mas eles deveriam passar por uma verificação periódica para ver se realmente lhe servem, caso a caso.

No final do ano passado fiz uma pequena faxina nestes gastos, cortando aquilo que não valia a pena na conta, ou que eu tinha contatado como contrapartida para algum outro serviço. Demorei até 3 meses pra conseguir que alguns fossem desativados, mas pelas contas feitas no último final de semana, não foi suficiente. Vamos voltar à prancheta.

Abraços,

Henri

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Pequenas comodidades

Como temos agilidade para nos adaptar com algumas facilidades que nos são oferecidas. E depois disso fica quase impossível voltar atrás, e abrir mão daquilo que estamos tão acostumados.

Comodidade no pedágio
Para quem viaja com alguma frequência: já possui o tag do Sem Parar no seu carro? Se não tem, pela comodidade, deveria instalar logo. A passagem nas praças de pedágio é muito mais rápida, a viagem não perde o ritmo, é mais seguro - quem não fica tentando facilitar o troco ou guardar o dinheiro rapidamente no pedágio pra não perder mais tempo, abrindo mão da segurança?

Estes dias ouvi no rádio que o sensor de velocidade do pedágio, que está na pista do Sem Parar, iria começar a multar quem estivesse trafegando a mais de 40 km/h. Por mais que a gente sempre se policie, as vezes a redução de 120 km/h ou 100 km/h pra 40 km/h é muito grande, e nem sempre o carro que está atrás concorda conosco em andar na velocidade correta, o que gera o risco de ser multado ou de sofrer um acidente. Mas fazer o quê? Abrir mão da comodidade? Não dá, resta apenas se policiar um pouco mais.

Comodidade: programação
Outra comodidade simples: assino a Net há alguns anos, primeiro a TV digital, agora a opção HD. A pequena comodidade, já existente há muitos anos, de se ler no rodapé da tela, o nome do programa que está passando, a faixa etária recomendada, que horas começou e que horas vai terminar, e qual o próximo programa daquele canal, com as mesmas informações, faz toda a diferença na hora de assistir TV.

E quando você percebe isto? Em momentos como agora, onde estou num hotel em Juiz de Fora, que tem vários canais disponíveis na TV e nenhuma informação do que está passando em nenhum deles. Parece que a gente volta no tempo mais de 10 anos, e fica a sensação de estar perdendo tempo ou deixando de assistir algo mais interessante do que o que está passando agora.

Existem várias outras facilidades destas, que não percebemos, mas nos acostumamos tão rápido que não conseguimos mais nos livrar delas. O celular. A Internet no celular. A gravação na TV a cabo. O ar condicionado no carro. O acesso rápido à Internet.

A lista é longa, a adaptação é rápida, e a possibilidade de ficar sem incomoda bastante. Mais do que deveria, o que acaba sendo uma arma poderosa pra quem saiba fazer o marketing bem feito. Se nos dessem estas comodidades sem custo, em alguns casos, talvez nos fisgassem como consumidores o resto do tempo.

Henri Coelho
direto do Hotel Victory Suites - Juiz de Fora