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sexta-feira, 15 de março de 2013

O azarado e a inflação

Sempre fiquei incomodado com todos os índices de inflação que vejo publicados. A cada ida a um supermercado parece que o mesmo valor compra menos itens, ou que para comprar a mesma quantidade de itens, o valor é sempre maior.

Mas como medir isto? Anotar as compras feitas e comprar os mesmos itens 1 ano depois, e ver a variação na compra? Quem tem paciência e disposição pra isto? Estava pensando em alguma maneira de contornar isto quando me lembrei da Nota Fiscal Paulista.

Pra quem não mora no estado de SP: o governo paulista sempre criou várias estratégias para incentivar a população a pedir nota fiscal nos estabelecimentos, como uma forma de garantir que os impostos, em especial o ICMS, que tanto lhe interessa, fossem apurados. A lembrança disso remonta aos meus tempos de moleque, quando colecionava figurinhas de um álbum chamado, se não me engano, Paulistinha, onde as figurinhas eram obtidas mediante a troca das notas fiscais pelos envelopes e pelo próprio álbum, por volta de 1980 / 1981.

Agora, com o avanço da nota fiscal eletrônica, ficou mais fácil: o governo incentiva que você peça a nota fiscal identificando-a com seu CPF, e lhe devolve uma parte do dinheiro dos impostos que foram arrecadados com cada nota fiscal. A cada 6 meses o governo libera esta contrapartida para que você possa transferir para sua conta corrente, ou abater do IPVA de seu veículo, e de quebra o governo ganha também uma ferramenta para te fiscalizar (acompanhar o que você declara no IR versus o volume de compras que você faz em seu CPF).

Mas o que nos interessa, neste caso, é que as notas fiscais ficam disponíveis para consulta, inclusive com os itens que compõem estas notas fiscais. Atualmente você pode consultar notas de 2010 até 2013.

Peguei então alguns produtos que compramos com alguma frequência, para acompanhar sua evolução de 2010 até 2013. Neste período (jan/2010 a fev/2013), os índices oficiais de inflação foram: IGPM de 26,93%, e IPCA de 21,13%. Os produtos desta amostragem estão abaixo - eu não quis pegar frutas, legumes e verduras, para evitar os efeitos da safra e entressafra - e consideram compras feitas no mesmo estabelecimento:


A conclusão é óbvia, eu é que não havia pensado nisto antes: eu sou muito azarado, pois em geral só compro produtos que sobem muito mais que a inflação. Deve ser isto.

Abraços,

Henri

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Pagamos sempre, mas não usamos tanto assim

No último final de semana eu estava cumprindo o ritual de verificar as contas do mês anterior, e me chamou a atenção a quantidade de lançamentos periódicos nas minhas contas correntes, sejam pagamentos mensais, trimestrais ou até anuais. A participação destes lançamentos no montante final é cada vez maior, a cada vez temos mais gastos já assumidos antes até que o mês comece.

Normalmente os serviços nos são oferecidos num modelo que traz muita vantagem se você se torna um contribuinte mensal, ou frequente, versus um preço muito mais alto se você utilizar o serviço esporadicamente. Exemplos não faltam, segue abaixo alguns deles.

No caso da telefonia celular: você pode pagar mais de 5 vezes mais caro um minuto de ligação feita para um celular a partir do seu aparelho se você tiver um plano pré-pago, em comparação a um plano pós-pago. Parece ser uma vantagem grande: mas neste ponto você assume uma conta mensal ao invés de gastar somente quando vai usar o serviço. Considerando o número de minutos que você usa por mês: compensa?

Olhem agora o caso da TV por assinatura: você paga um valor maior para ter acesso aos canais de filmes, e pode assistir filmes 24 horas por dia (como se algum ser humano tivesse tempo pra isto), o que é muito mais barato por filme do que os alugar, por exemplo, nas locadoras ou em qualquer serviço que os entregue em sua casa. Mais um custo mensal pra você, mas será que compensa comparado aos filmes que você assiste?

Vamos então para a academia: é saudável, é necessário, e um plano que você pague o semestre ou o ano todo sai muito mais barato, por mês, do que um plano mensal, que você pode desistir quando quiser. Já pensou então quanto não custaria se houvesse um plano diário, daquele que você só paga quando usa? Na maioria dos casos seria mais vantajoso, pra algumas pessoas que não usam tanto quanto deveriam. A notícia triste é que não basta pagar a academia, tem que frequentar também, e se você não a frequenta como deveria, tenha certeza de que esta despesa não falta na sua conta corrente.

A contratação de serviços neste modelo de pague um preço mensal fixo, e use quanto quiser, é normalmente muito melhor para a empresa do que para o consumidor final: embora este tenha a sensação de que está contatando algo com muita vantagem financeira, e nos primeiros meses normalmente usa bastante o serviço, a empresa já sabe que na média o serviço será pouco usado depois de algum tempo, e que vai lucrar bastante no médio prazo. Já o consumidor vai conviver com este custo por muito tempo, até chegar a conclusão que não usa e tentar cortar o serviço (aí a novela é outra, mas esta fica pra outro post).

Isto não significa que os serviços pagos mensalmente não compensem pra ninguém, mas eles deveriam passar por uma verificação periódica para ver se realmente lhe servem, caso a caso.

No final do ano passado fiz uma pequena faxina nestes gastos, cortando aquilo que não valia a pena na conta, ou que eu tinha contatado como contrapartida para algum outro serviço. Demorei até 3 meses pra conseguir que alguns fossem desativados, mas pelas contas feitas no último final de semana, não foi suficiente. Vamos voltar à prancheta.

Abraços,

Henri

sábado, 29 de outubro de 2011

O que fazer com um relógio que anda tão rápido

Administrar o tempo é um dos maiores desafios atuais. Talvez este desafio já exista há muito tempo, mas a sensação é que temos cada vez mais coisas para fazer e tão cada vez menos tempo para isto.

Neste dilema, só há uma saída: organizar todas as tarefas e escolher o que será e o que não será feito, e em que ordem. Para isto, há algumas dicas que conheci ao longo do tempo, e que gostaria de dividir com todos.

O primeiro passo é organizar as tarefas. Não é necessário um software de última geração pra isto, já vi pessoas que se organizam pela caixa de entrada dos e-mails, deixando ali apenas o que precisa ser executado, outros que fazem isto num caderno (é mais moroso, mas pode ser igualmente eficaz), outros usam planilhas, documentos, blocos de notas, organizador de tarefas, etc.

Com as tarefas listadas, o próximo passo é classificá-las: para isto, uma das técnicas é separar o que é urgente e o que é importante. Para isto, ao lado de cada tarefa, deve ser marcado se esta tarefa é urgente ou não, ou seja, se é uma atividade que precisa ser realizada rapidamente ou se é uma atividade que possa ser realizada posteriormente sem que esta traga nenhum prejuízo ou que vire um problema maior. Além disso, as atividades precisam ser classificadas como importantes ou não: isto vai nos ajudar a não deixar de fazer algo que seja importante, mas que, como não é urgente, vai ficando em segundo plano até um ponto que se torna urgente, e precisa ser feito às pressas, ou que vira uma oportunidade perdida, pois não foi vista enquanto havia tempo hábil pra isto.

Imagine então uma folha dividida em 4 partes, como mostrado na figura a esquerda: as tarefas que são importantes deveriam ficar na parte superior, e as tarefas que não são importantes na parte inferior. Ao mesmo tempo, as tarefas urgentes deveriam ficar ao lado esquerdo, e as tarefas que não são urgentes ficariam ao lado direito.

Desta forma há quatro quadrantes, e deveríamos nos importar mais com as atividades que são importantes (os 2 quadrantes superiores): aquilo que é urgente deveria ser feito imediatamente, para que o tempo pudesse ser dedicado às atividades importantes e não urgentes, que poderiam ser feitas com mais calma, no seu devido tempo.

E quanto às atividades que não são importantes? Se não forem urgentes não deveriam ser feitas. E as atividades urgentes, e que não são importantes, deveriam ser avaliadas para verificar se podem deixar de existir ou se há outras pessoas que possam fazê-las. Às vezes acabamos sendo muito centralizadores, e isto só aumenta nossa lista de coisas importantes e urgentes, e nos faz escravos do tempo: nós deixamos de determinar o que devemos fazer e vamos ao sabor daquilo que não pode mais ser adiado.

Outra dica sobre o assunto é aprender a dizer não: muitas vezes ganhamos tarefas que não deveriam ser nossas simplesmente por não querermos questionar quem nos passa as tarefas. Aqui resta apenas termos a sabedoria suficiente sobre quando podemos ou não recusar algo.

Acho este tema muito interessante, e gostei muito do tratamento que o Nuno deu a este assunto na newsletter que você encontra aqui. Além disso, o excelente livro Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes, escrito por Stephen R Covey, que é o responsável pela criação do método dos 4 quadrantes, brevemente descrito acima, trata muito bem deste assunto.

Agora, independente de tudo, há uma impressão forte: o relógio está andando mais rápido, não está?

Abraços,

Henri

sábado, 8 de outubro de 2011

Primeiro passo pra melhorar: acompanhamento

Há algum tempo li uma frase que era simples, como as boas coisas devem ser, e bastante objetiva: se você quer que alguma coisa melhore, passe a acompanhá-la. A memória não ajuda muito pra que me lembre do autor da frase - acho que li num livro do Stephen Covey, mas não tenho certeza, -  mas é uma das melhores máximas que conheço.

E onde se aplica? Em muitas coisas diferentes, mas sempre com grande eficiência.

Quer que suas aplicações financeiras melhorem? Comece a acompanhar seu resultado com frequência, verifique se a aplicação está rendendo conforme o esperado e conforme a concorrência, veja se não há melhores opções, se o perfil dos investimentos esta adequado ao seu perfil como investidor, se não está diversificando ou está concentrando demais.

Outro exemplo na área financeira: você tem conseguido fechar no azul todos os meses? Você faz acompanhamento pelo menos mensal de suas contas? Se não faz, comece a fazê-lo. Acompanhar gera milagres nesta área, seja porque você fica mais consciente de suas limitações, e também por evidenciar os chamados gastos ocultos, que consomem seu orçamento sem que você perceba.

Mas só há exemplos financeiros? Claro que não, vamos agora pra algo mais pessoal, parafraseando o pessoal que vende um suplemento alimentar: quer perder peso? Eu te digo como: comece a acompanhar com frequência qual seu peso, qual seu IMC, qual a velocidade com que aquela praga instalada no guarda-roupa faz suas roupas encolherem com o tempo. Isto faz com que você comece a se policiar, a se preocupar com sua saúde, a tentar melhorar seus hábitos.

E um último exemplo por hoje, este ligado a área profissional: quer que seus projetos andem na linha? A resposta é a mesma, acompanhe frequentemente, veja se os pequenos prazos são cumpridos, converse com todas as pessoas envolvidas, e tome as ações necessárias para que os prazos intermediários sejam cumpridos, pois automaticamente os prazos finais também o serão.

É claro que o acompanhamento, em qualquer caso, deve ser seguido das ações necessárias para que os objetivos sejam alcançados, mas estas ações não serão evidentes se você não estiver acompanhando corretamente.  O livro  "Cinco sapos em um tronco", de Mark L Fieldman e Michael F Spratt, trata muito bem deste tópico: decisão x ação. Não basta decidir, é importante agir.

E um último aviso: cuidado pra que o acompanhamento seja feito na dose certa: se você acompanhar um recurso a cada 5 minutos, pra ver se ele cumpre os prazos corretamente, vai mais atrapalhar do que ajudar. Como já disse um ex-candidato a presidente do Brasil: o remédio, na dose errada, pode ser um veneno.

Enquanto isto vou tentar acompanhar a minha memória, pra ver se melhora. Principalmente quando a busca na Internet não nos ajuda, como escrito pelo sócio e amigo Nuno na newsletter "Ave Google".

Abraços,

Henri Coelho