Em 2002, na Copa do Mundo Fifa na Coreia do Sul e Japão, no jogo semifinal entre Brasil e Turquia, como a seleção Brasileira não estava jogando bem, Walter Casagrande Jr, o comentarista da Rede Globo, sugeria que o atacante Ronaldo deveria ser substituído para que o Brasil pudesse ter mais alternativas e pudesse marcar um gol que o levaria à final.
Poucos minutos depois deste comentário, Ronaldo fez um gol, de bico, que acabou decidindo a partida e classificando o Brasil para a final com a Alemanha. Questionado no ar, Casagrande não voltou atrás, pois sempre foi um comentarista que acompanhava o jogo no campo, e dizia o que achava que deveria ser feito naquele momento, mesmo sabendo que poderia ser criticado por isto.
Já outros comentaristas normalmente se baseiam mais nos números que eles tem acesso durante a transmissão. Posse de bola, passes certos e errados, desarmes, chutes certos e errados a gol, cruzamentos para a área, escanteios, faltas cometidas e faltas sofridas. Seus comentários são claramente puxados pelas estatísticas, e não por aquilo que se vê em campo.
Há várias pessoas trabalhando em todas as partidas importantes, como o Campeonato Brasileiro da série A, anotando todas estas estatísticas em tempo real. Há inclusive um jogo, chamado Cartola FC - e talvez existam outros, menos populares - onde você pode escalar um time e pontuar por vários dos números que citei acima, o que obriga que exista mesmo este time de estatística.
Estas estatísticas, no entanto, só ficam disponíveis posteriormente para o grande público. Durante uma transmissão de TV, somente a equipe de transmissão tem acesso aos números, o que serve principalmente para alimentar o comentarista e o narrador. Quem está assistindo à partida, de casa, somente tem acesso à estes números depois do final da partida.
Fico imaginando quando vão aproveitar todo este arsenal de informações e usá-los para incrementar a transmissão. A transmissão hoje é feita em HD ou Full HD. A própria Rede Globo, quando exibe uma chamada de patrocinador durante a partida, diminui o tamanho da tela de transmissão e na lateral coloca o logo do produto que está sendo anunciado. Este espaço poderia ser bem usado em várias situações, mostrando as estatísticas que estão disponíveis para a equipe, ajudando até o público a ver como cada comentarista trabalha.
Assim seria fácil mostrar a diferença entre comentaristas que só se apoiam em números e aqueles que realmente estão preocupados em ver o jogo. E tornaria mais divertido assistir aos jogos, além de valorizar mais aqueles comentaristas, como o próprio Casagrande aqui citado, que realmente estão preocupados em dizer o que sentem do jogo, e não apenas interpretar os números.
Abraços,
Henri Coelho
Este é um blog onde se pretende escrever um pouco de tudo, passeando por livros, esporte e muita coisa interessante.
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terça-feira, 10 de janeiro de 2017
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Será que é possível ajudar o futebol brasileiro
Saiu há pouco a decisão do STJD sobre o caso da Portuguesa e Fluminense: surpreendendo apenas os sonhadores, como é meu caso, a Portuguesa foi rebaixada para a Série B e o Fluminense foi alçado novamente à Série A, embora a posição dos times no campeonato fosse a inversa.
Neste caso, houve algum problema entre a suspensão de um jogador da Lusa, na sexta-feira, no mesmo tribunal, e a comunicação desta suspensão para a comissão técnica da Portuguesa, que escalou o jogador para jogar por alguns minutos na última partida do campeonato, no domingo, e que não valia nada para o time, sem saber que o jogador não tinha condições de jogo.
A punição sofrida pela Portuguesa foi a perda de 4 pontos. Algumas pessoas diziam que ela deveria perder estes pontos no próximo campeonato, pra não ter uma decisão extracampo que influenciasse no resultado de um campeonato já finalizado, outros defendiam que, por ser uma partida já sem influência em outros resultados, que ela deveria ser apenas multada.
O que parece, olhando o caso como um todo, é que pesou a mão grande contra um time pequeno. Se um clube grande estivesse em uma situação semelhante, é bem provável que a decisão fosse outra. Não parece ser o caso de pau que bate em Chico e que bate também em Francisco.
Mas o que o cidadão comum, que gosta de futebol, mas que não aguenta mais que os resultados obtidos dentro de campo sejam mudados nos tribunais, pode fazer para tentar ajudar a mudar esta situação? Aquele mesmo cidadão que detesta ver as cenas de selvageria em que se transformam as brigas de torcidas nos finais de campeonato, com risco de rebaixamento, ou nas brigas agendadas pela internet, o que pode fazer?
A única ciosa que enxergo, neste caso, é mexer no bolso dos que organizam o futebol. E o principal ponto que, se perceber que o futebol começa a ser menos rentável, pode ajudar na mudança, é a Rede Globo, que tem enorme influência na organização do mesmo. E há algumas maneiras de mexer com o bolso da Globo:
Abraços de quem está com o saco cheio das viradas de mesa,
Henri Coelho
Neste caso, houve algum problema entre a suspensão de um jogador da Lusa, na sexta-feira, no mesmo tribunal, e a comunicação desta suspensão para a comissão técnica da Portuguesa, que escalou o jogador para jogar por alguns minutos na última partida do campeonato, no domingo, e que não valia nada para o time, sem saber que o jogador não tinha condições de jogo.A punição sofrida pela Portuguesa foi a perda de 4 pontos. Algumas pessoas diziam que ela deveria perder estes pontos no próximo campeonato, pra não ter uma decisão extracampo que influenciasse no resultado de um campeonato já finalizado, outros defendiam que, por ser uma partida já sem influência em outros resultados, que ela deveria ser apenas multada.
O que parece, olhando o caso como um todo, é que pesou a mão grande contra um time pequeno. Se um clube grande estivesse em uma situação semelhante, é bem provável que a decisão fosse outra. Não parece ser o caso de pau que bate em Chico e que bate também em Francisco.Mas o que o cidadão comum, que gosta de futebol, mas que não aguenta mais que os resultados obtidos dentro de campo sejam mudados nos tribunais, pode fazer para tentar ajudar a mudar esta situação? Aquele mesmo cidadão que detesta ver as cenas de selvageria em que se transformam as brigas de torcidas nos finais de campeonato, com risco de rebaixamento, ou nas brigas agendadas pela internet, o que pode fazer?
A única ciosa que enxergo, neste caso, é mexer no bolso dos que organizam o futebol. E o principal ponto que, se perceber que o futebol começa a ser menos rentável, pode ajudar na mudança, é a Rede Globo, que tem enorme influência na organização do mesmo. E há algumas maneiras de mexer com o bolso da Globo:
- Cancele seu pacote de pay-per-view, se você tiver um. Isto mexe diretamente com a receita de futebol da Globo. E é algo bem simples de fazer: com um telefonema você resolve isto, e ajuda a mostrar que não está satisfeito com os rumos que o futebol está tomando.
- Pare de assistir o futebol na TV. Nem que seja para parar de assistir na Globo, se você não aguentar assista em outro canal - normalmente a Bandeirantes passa o mesmo jogo. Ajude a Globo a perceber que perdeu audiência pois ninguém gosta de ver algo que vai ser mudado depois.
- Pare de frequentar estádios: a coisa mais chata é ver um jogo de futebol sem torcida, e é mais uma maneira de demonstrar sua insatisfação com o tema. Isto também vai influenciar nas transmissões.
Abraços de quem está com o saco cheio das viradas de mesa,
Henri Coelho
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Fim do ciclo do Tite no Corinthians
Achei muito errada a não renovação do contrato do Tite no Corinthians. Acho absolutamente natural, em qualquer esporte, que uma equipe apresente altos e baixos de um ano para outro, e um técnico que construiu este time perdendo vários jogadores após o fracasso na pré-Libertadores de 2011 teria totais condições de levar adiante o processo de renovação que a equipe precisa.
Não que o Tite nunca tenha errado no comando do time: faz parte da torcida xingar quando uma escalação não dá certo, quando uma substituição dá errado, quando entra alguém pra recompor o meio campo ao invés de entrar um atacante com o time empatando, quando insiste em jogadores que não estão rendendo o que podem, mas o saldo pra ele é muito positivo.
A montagem do time campeão da Libertadores, o lançamento do Cássio e do Romarinho, pra ficar em dois exemplos, no momento certo, o cuidado em não queimar jogadores novos quando o time passa por momentos ruins são bons exemplos do comando dele no time. A montagem de uma defesa ótima num campeonato tão disputado como o Brasileirão também.
Mas o que vai ficar pra todos nós, corintianos, nesta passagem do Tite pelo Corinthians são mesmo os títulos conquistados.
Não há como esquecer a conquista da tão sonhada Libertadores da América, de forma invicta, batendo o Vasco no embate mais difícil do mata-mata, depois de ter ficado sem respirar vários segundos enquanto o Diego Souza caminhava pra fazer o gol que nos desclassificaria, e vibrando muito em seguida no gol do Paulinho. Nos jogos finais, contando com o gol de um aparentemente alienado Romarinho - muitos certamente xingaram o Tite na entrada de um jogador tão inexperiente - no primeiro jogo da final, e finalmente ganhando do supercampeão Boca Juniors no Pacaembu, com uma atuação decisiva do Emerson.
No Mundial de Clubes, uma invasão da torcida na busca de um título, sendo este talvez o ponto que vá ficar marcado pra sempre nesta disputa, transformando o estádio no Japão em nossa casa. O jogo final foi espetacular, mais uma batalha inesquecível, batendo ninguém menos que o super favorito Chelsea, já num esquema de jogo mais parecido com o atual: muita força na defesa e poucas oportunidades no ataque. Numa comparação entre os times, que vi na Internet no dia anterior à final, dos 11 jogadores mais valiosos em campo 10 eram do Chelsea, e o décimo primeiro só não era deles também pois o Lampard, próximo da aposentadoria, tinha um valor de mercado menor.
Pra quem não enxerga o valor do Tite nesta conquista, leia as Cartas de Yokohama, escritas pelo jogador Paulo André, e que li no Blog do Juca Kfouri, mas que pode ser lida neste endereço. É uma leitura que vale a pena.
A baixa produção, neste segundo semestre, de um time que precisa ter alguma renovação em seus jogadores não deveria ser o fator determinante para a não continuidade do vínculo com o Tite: ele não é, de forma alguma, um técnico com a carreira em descendente, muito pelo contrário, e tem muita capacidade técnica para saber moldar o time de acordo com as peças disponíveis, buscando a melhor maneira de jogar com o material humano que tem em mãos.
E, nunca vamos saber, mas este time bem preparado no ano que vem, mesmo com a troca de poucos jogadores, e com uma pré-temporada longa bem feita, não se importando com o paulistinha, se preparando corretamente para a Copa do Brasil e Brasileirão, e com o mesmo técnico, poderia ter um sucesso semelhante ao de 2011, se preparando para um novo ciclo com possibilidades reais de ganho da Libertadores em 2015.
Desejo sucesso ao Tite na sequência de sua carreira. Que ele possa ganhar vários títulos, que possa chegar ao seu sonho de dirigir a seleção brasileira em uma Copa do Mundo, e quem sabe um dia voltar ao Corinthians para montar novamente um time super campeão.
Abraços,
Henri Coelho
Não que o Tite nunca tenha errado no comando do time: faz parte da torcida xingar quando uma escalação não dá certo, quando uma substituição dá errado, quando entra alguém pra recompor o meio campo ao invés de entrar um atacante com o time empatando, quando insiste em jogadores que não estão rendendo o que podem, mas o saldo pra ele é muito positivo.
A montagem do time campeão da Libertadores, o lançamento do Cássio e do Romarinho, pra ficar em dois exemplos, no momento certo, o cuidado em não queimar jogadores novos quando o time passa por momentos ruins são bons exemplos do comando dele no time. A montagem de uma defesa ótima num campeonato tão disputado como o Brasileirão também.
Mas o que vai ficar pra todos nós, corintianos, nesta passagem do Tite pelo Corinthians são mesmo os títulos conquistados.
Não há como esquecer a conquista da tão sonhada Libertadores da América, de forma invicta, batendo o Vasco no embate mais difícil do mata-mata, depois de ter ficado sem respirar vários segundos enquanto o Diego Souza caminhava pra fazer o gol que nos desclassificaria, e vibrando muito em seguida no gol do Paulinho. Nos jogos finais, contando com o gol de um aparentemente alienado Romarinho - muitos certamente xingaram o Tite na entrada de um jogador tão inexperiente - no primeiro jogo da final, e finalmente ganhando do supercampeão Boca Juniors no Pacaembu, com uma atuação decisiva do Emerson.No Mundial de Clubes, uma invasão da torcida na busca de um título, sendo este talvez o ponto que vá ficar marcado pra sempre nesta disputa, transformando o estádio no Japão em nossa casa. O jogo final foi espetacular, mais uma batalha inesquecível, batendo ninguém menos que o super favorito Chelsea, já num esquema de jogo mais parecido com o atual: muita força na defesa e poucas oportunidades no ataque. Numa comparação entre os times, que vi na Internet no dia anterior à final, dos 11 jogadores mais valiosos em campo 10 eram do Chelsea, e o décimo primeiro só não era deles também pois o Lampard, próximo da aposentadoria, tinha um valor de mercado menor.
Pra quem não enxerga o valor do Tite nesta conquista, leia as Cartas de Yokohama, escritas pelo jogador Paulo André, e que li no Blog do Juca Kfouri, mas que pode ser lida neste endereço. É uma leitura que vale a pena.A baixa produção, neste segundo semestre, de um time que precisa ter alguma renovação em seus jogadores não deveria ser o fator determinante para a não continuidade do vínculo com o Tite: ele não é, de forma alguma, um técnico com a carreira em descendente, muito pelo contrário, e tem muita capacidade técnica para saber moldar o time de acordo com as peças disponíveis, buscando a melhor maneira de jogar com o material humano que tem em mãos.
E, nunca vamos saber, mas este time bem preparado no ano que vem, mesmo com a troca de poucos jogadores, e com uma pré-temporada longa bem feita, não se importando com o paulistinha, se preparando corretamente para a Copa do Brasil e Brasileirão, e com o mesmo técnico, poderia ter um sucesso semelhante ao de 2011, se preparando para um novo ciclo com possibilidades reais de ganho da Libertadores em 2015.
Desejo sucesso ao Tite na sequência de sua carreira. Que ele possa ganhar vários títulos, que possa chegar ao seu sonho de dirigir a seleção brasileira em uma Copa do Mundo, e quem sabe um dia voltar ao Corinthians para montar novamente um time super campeão.
Abraços,
Henri Coelho
domingo, 5 de maio de 2013
O Calendário do Futebol Brasileiro
Um dos temas mais comentados, e criticados, no futebol brasileiro, é a organização de seu calendário. São muitos campeonatos simultâneos, excesso de jogos sem interesse, falta de respeito às chamadas "Datas Fifa", onde a seleção faz compromissos oficiais, entre outras mazelas.
Como o calendário é organizado hoje?
Considerando o futebol paulista como exemplo, um time que se classifique para a final do campeonato fará 23 jogos nesta competição: 19 num turno único, onde se classificam 8 times em 20, e 4 num torneio de mata-mata com 2 fases com jogo único, e a final em 2 jogos.
Se a mesma equipe estiver classificada para a Libertadores da América, que ocorre em boa parte em paralelo aos estaduais, e chegar a final deste torneio, ela fará 14 jogos. Ou fará no mínimo 6, se for eliminada na primeira fase. Se participar da pré-Libertadores, são mais 2 jogos.
No principal campeonato do país, o Brasileirão, temos fixos 38 jogos para cada time, tanto na série A quanto na série B. Neste caso, como o sistema de disputa é por pontos corridos, sem uma fase mata-mata na final, não há diferença na quantidade de jogos do time campeão para o time que ficar na última posição.
Na Copa do Brasil, serão até 14 jogos para os times que não disputam a Taça Libertadores da América, e até 8 jogos para os times que disputam a Libertadores da América. Na copa Sul Americana, temos até 4 jogos para o time que chegar até a final, mas como o time que estiver na fase final da Copa do Brasil não disputa a Sul Americana, a quantidade de jogos é a mesma de quem fosse até a final da Copa do Brasil.
Finalmente, para os campeões da Libertadores e da Sul Americana do ano anterior, temos a disputa da Recopa Sul Americana, em 2 jogos. O campeão da Libertadores, ainda, no mesmo ano em que foi campeão, disputa, no final da temporada, o Campeonato Mundial da Fifa, também em 2 partidas (semifinal e final, ambas em jogo único).
Fazendo a soma, considerando o pior caso: 23 partidas no estadual, 14 na Libertadores, 38 no Campeonato Brasileiro, 8 na Copa do Brasil, 2 na Recopa e 2 no Mundial da Fifa, temos 87 jogos na temporada. Ou até 89, se o time for Campeão da Sul Americana do ano anterior e tiver que passar pela Pré-Libertadores.
E qual o resultado, com o calendário atual?
O resultado é o desinteresse, a fadiga e o stress de alguns jogadores, times menores, sem condição de revezar os jogadores, sofrendo com sucessivas contusões e com performances ruins ao longo da temporada. Além disso, os times que possuem jogadores que são frequentemente convocados para a Seleção Brasileira também sofrem com a ausência dos principais nomes nas partidas, pois os campeonatos nacionais não param nas datas em que há jogos da seleção marcados.
E quais as mudanças que deveriam ser implementadas?
Não há mudança no calendário que resolva com este número de jogos. A primeira mudança necessária é enxugar o número de partidas que um mesmo time deve fazer, e a outra é adequar o calendário para o chamado calendário europeu, ou calendário mundial, pois são poucos os países que, a exemplo do Brasil, não tem a temporada fasada com a temporada europeia.
Para diminuir o número de jogos, as mexidas deveriam ocorrer, principalmente, no âmbito nacional. Deveríamos aproximar nosso calendário do calendário europeu, onde um time disputa, considerando campeonatos mais longos, um campeonato nacional em pontos corridos, 1 (ou 2) copas nacionais, como ocorre na Inglaterra, e um campeonato continental.
Para isto, deveríamos eliminar os estaduais. Isto não quer dizer substituí-los, como já foi feito há algum tempo, pelos regionais (Rio-São Paulo, Copa Nordeste, Sul-Minas, etc.), pois não há a redução esperada de partidas.
No caso da Copa do Brasil, deveria ser adotado o modelo da Copa da Inglaterra: todos os jogos deveriam ser feitos em partida única, no local a ser designado por sorteio. Lá é reservada uma segunda data para que seja disputada uma partida desempate, na casa do visitante da primeira partida, caso não tenha existido um vencedor. Desta maneira você não diminui a quantidade possível de jogos, mas isto ocorrerá em pouquíssimos casos.
No caso do calendário, o ideal seria concentrar as férias dos jogadores no mês de Junho, como é feito no restante do mundo. Assim, o mês de Julho serviria como pré-temporada, para que os times pudessem treinar aqui (ou no exterior), fazendo as excursões que ouvimos que existiam no passado e que já não existem mais, e se preparando para o início do Campeonato Brasileiro.
Este deveria ser iniciado no mês de Agosto, e terminado em Maio do ano seguinte. Seria um campeonato disputado ao longo de toda a temporada, ocorrendo, principalmente, nos finais de semana, e reservando o meio da semana para disputa das copas continentais ou da Copa do Brasil.
No aspecto continental, a Sul Americana deveria ocorrer em paralelo com a Libertadores, como ocorre na Europa entre a Liga Europa e a Champions League. Pode até ser feita alguma mistura entre as duas, os times com melhor campanha entre os que foram desclassificados na primeira fase da Libertadores poderiam entrar na segunda-fase da Sul Americana. Pelos comentários, há interesse da TV americana pela participação de seus times na Libertadores também, e estes campeonatos poderiam abranger todo o continente, sem discriminar os participantes da América do Norte, que deveriam se credenciar para o Campeonato Mundial da Fifa a partir da Libertadores, para que não joguem, em alguns casos, com time reserva neste torneio por privilegiar outro.
Além desta mudança, tanto o torneio Continental como a Copa do Brasil deveriam ocorrer ao longo do ano todo, e não apenas em um semestre. Ambos começariam em no segundo semestre de um ano, e terminariam em Maio do ano seguinte.
E o que fazer com os times menores, que hoje vivem dos campeonatos estaduais, por 3 ou 4 meses ao longo do ano, e depois não tem muito o que fazer no restante do ano? O ideal seria haver torneios de várias séries, conforme o número de times de cada estado, cada uma classificando para a série imediatamente seguinte, e os melhores da última série do campeonato estadual se classificariam para a série D do Campeonato Brasileiro do ano seguinte. Se todos os campeonatos, inclusive os estaduais, nas diversas séries, fossem disputados ao longo da temporada toda, e servissem sempre como classificatórios para uma série seguinte, ou para um Campeonato Brasileiro, você teria os atletas sempre ocupados durante o ano todo.
Desta maneira, se um time disputasse todos os jogos do Brasileiro + Libertadores (ou Sul Americana) + Copa do Brasil (se fossem adotadas 7 fases para todos, com 1 jogo por fase) no ano, seriam 59 partidas. Para o time que disputasse ainda a Recopa e o Campeonato Mundial de Clubes, no máximo 63 partidas. Muito mais razoável, mais fácil para distribuir ao longo do ano, respeitando as chamadas "Datas Fifa", e mais rentáveis para os times, que com menos jogos conseguiriam ter um público médio melhor nas partidas.
E por que esta mudança não é feita?
E por que algo assim, que parece ser mais razoável, não tem um horizonte próximo para ocorrer no Brasil? Por conta da concentração do poder de decisão sobre isto na mão de algumas pessoas que se sentiriam prejudicadas com o fim dos Estaduais. Esta decisão deveria partir da CBF, que parece ter como único interesse, além do financeiro, a continuidade no poder. E hoje, o presidente da CBF é eleito por um colégio de 47 pessoas: o presidente de cada um dos 20 clubes que está na série A do Campeonato Brasileiro e os 27 presidentes das Federações Estaduais, que sobrevivem dos falidos campeonatos estaduais.
E não há nada que nós, meros mortais e cidadãos comuns, possamos fazer?
Existem vários protestos rolando pela Internet, na chamada militância de sofá, onde você protesta pelo facebook, participa dos abaixo assinados e nada acontece além disso.
Há protestos feitos nas ruas, tanto no Rio quanto em São Paulo, mas o número de pessoas que participam é muito pequeno, e não há a repercussão que deveria haver neste caso.
A única maneira que enxergo é a financeira: se você deixa de frequentar os estádios durante os estaduais, há um impacto direto nas finanças do clube, o que diminui o interesse deles. Se você assina o pay-per-view neste período, para poder acompanhar os estaduais, cancele sua assinatura, pois além de economizar você estará diminuindo a receita da TV e dos clubes, diminuindo o interesse também aí.
Finalmente, e o mais difícil, se você deixar de ver os jogos pela TV e de acompanhar o noticiário dos clubes durante este período, causará um impacto maior na imprensa e também nos clubes. Quem sabe assim, com um campeonato regional sem interesse financeiro, o que é mais razoável consiga ser realizado?
Abraços,
Henri
Como o calendário é organizado hoje?
Considerando o futebol paulista como exemplo, um time que se classifique para a final do campeonato fará 23 jogos nesta competição: 19 num turno único, onde se classificam 8 times em 20, e 4 num torneio de mata-mata com 2 fases com jogo único, e a final em 2 jogos.
Se a mesma equipe estiver classificada para a Libertadores da América, que ocorre em boa parte em paralelo aos estaduais, e chegar a final deste torneio, ela fará 14 jogos. Ou fará no mínimo 6, se for eliminada na primeira fase. Se participar da pré-Libertadores, são mais 2 jogos.
No principal campeonato do país, o Brasileirão, temos fixos 38 jogos para cada time, tanto na série A quanto na série B. Neste caso, como o sistema de disputa é por pontos corridos, sem uma fase mata-mata na final, não há diferença na quantidade de jogos do time campeão para o time que ficar na última posição.
Na Copa do Brasil, serão até 14 jogos para os times que não disputam a Taça Libertadores da América, e até 8 jogos para os times que disputam a Libertadores da América. Na copa Sul Americana, temos até 4 jogos para o time que chegar até a final, mas como o time que estiver na fase final da Copa do Brasil não disputa a Sul Americana, a quantidade de jogos é a mesma de quem fosse até a final da Copa do Brasil.
Finalmente, para os campeões da Libertadores e da Sul Americana do ano anterior, temos a disputa da Recopa Sul Americana, em 2 jogos. O campeão da Libertadores, ainda, no mesmo ano em que foi campeão, disputa, no final da temporada, o Campeonato Mundial da Fifa, também em 2 partidas (semifinal e final, ambas em jogo único).
Fazendo a soma, considerando o pior caso: 23 partidas no estadual, 14 na Libertadores, 38 no Campeonato Brasileiro, 8 na Copa do Brasil, 2 na Recopa e 2 no Mundial da Fifa, temos 87 jogos na temporada. Ou até 89, se o time for Campeão da Sul Americana do ano anterior e tiver que passar pela Pré-Libertadores.
E qual o resultado, com o calendário atual?
O resultado é o desinteresse, a fadiga e o stress de alguns jogadores, times menores, sem condição de revezar os jogadores, sofrendo com sucessivas contusões e com performances ruins ao longo da temporada. Além disso, os times que possuem jogadores que são frequentemente convocados para a Seleção Brasileira também sofrem com a ausência dos principais nomes nas partidas, pois os campeonatos nacionais não param nas datas em que há jogos da seleção marcados.
E quais as mudanças que deveriam ser implementadas?
Não há mudança no calendário que resolva com este número de jogos. A primeira mudança necessária é enxugar o número de partidas que um mesmo time deve fazer, e a outra é adequar o calendário para o chamado calendário europeu, ou calendário mundial, pois são poucos os países que, a exemplo do Brasil, não tem a temporada fasada com a temporada europeia.
Para diminuir o número de jogos, as mexidas deveriam ocorrer, principalmente, no âmbito nacional. Deveríamos aproximar nosso calendário do calendário europeu, onde um time disputa, considerando campeonatos mais longos, um campeonato nacional em pontos corridos, 1 (ou 2) copas nacionais, como ocorre na Inglaterra, e um campeonato continental.
Para isto, deveríamos eliminar os estaduais. Isto não quer dizer substituí-los, como já foi feito há algum tempo, pelos regionais (Rio-São Paulo, Copa Nordeste, Sul-Minas, etc.), pois não há a redução esperada de partidas.
No caso da Copa do Brasil, deveria ser adotado o modelo da Copa da Inglaterra: todos os jogos deveriam ser feitos em partida única, no local a ser designado por sorteio. Lá é reservada uma segunda data para que seja disputada uma partida desempate, na casa do visitante da primeira partida, caso não tenha existido um vencedor. Desta maneira você não diminui a quantidade possível de jogos, mas isto ocorrerá em pouquíssimos casos.
No caso do calendário, o ideal seria concentrar as férias dos jogadores no mês de Junho, como é feito no restante do mundo. Assim, o mês de Julho serviria como pré-temporada, para que os times pudessem treinar aqui (ou no exterior), fazendo as excursões que ouvimos que existiam no passado e que já não existem mais, e se preparando para o início do Campeonato Brasileiro.
Este deveria ser iniciado no mês de Agosto, e terminado em Maio do ano seguinte. Seria um campeonato disputado ao longo de toda a temporada, ocorrendo, principalmente, nos finais de semana, e reservando o meio da semana para disputa das copas continentais ou da Copa do Brasil.
No aspecto continental, a Sul Americana deveria ocorrer em paralelo com a Libertadores, como ocorre na Europa entre a Liga Europa e a Champions League. Pode até ser feita alguma mistura entre as duas, os times com melhor campanha entre os que foram desclassificados na primeira fase da Libertadores poderiam entrar na segunda-fase da Sul Americana. Pelos comentários, há interesse da TV americana pela participação de seus times na Libertadores também, e estes campeonatos poderiam abranger todo o continente, sem discriminar os participantes da América do Norte, que deveriam se credenciar para o Campeonato Mundial da Fifa a partir da Libertadores, para que não joguem, em alguns casos, com time reserva neste torneio por privilegiar outro.
Além desta mudança, tanto o torneio Continental como a Copa do Brasil deveriam ocorrer ao longo do ano todo, e não apenas em um semestre. Ambos começariam em no segundo semestre de um ano, e terminariam em Maio do ano seguinte.
E o que fazer com os times menores, que hoje vivem dos campeonatos estaduais, por 3 ou 4 meses ao longo do ano, e depois não tem muito o que fazer no restante do ano? O ideal seria haver torneios de várias séries, conforme o número de times de cada estado, cada uma classificando para a série imediatamente seguinte, e os melhores da última série do campeonato estadual se classificariam para a série D do Campeonato Brasileiro do ano seguinte. Se todos os campeonatos, inclusive os estaduais, nas diversas séries, fossem disputados ao longo da temporada toda, e servissem sempre como classificatórios para uma série seguinte, ou para um Campeonato Brasileiro, você teria os atletas sempre ocupados durante o ano todo.
Desta maneira, se um time disputasse todos os jogos do Brasileiro + Libertadores (ou Sul Americana) + Copa do Brasil (se fossem adotadas 7 fases para todos, com 1 jogo por fase) no ano, seriam 59 partidas. Para o time que disputasse ainda a Recopa e o Campeonato Mundial de Clubes, no máximo 63 partidas. Muito mais razoável, mais fácil para distribuir ao longo do ano, respeitando as chamadas "Datas Fifa", e mais rentáveis para os times, que com menos jogos conseguiriam ter um público médio melhor nas partidas.
E por que esta mudança não é feita?
E por que algo assim, que parece ser mais razoável, não tem um horizonte próximo para ocorrer no Brasil? Por conta da concentração do poder de decisão sobre isto na mão de algumas pessoas que se sentiriam prejudicadas com o fim dos Estaduais. Esta decisão deveria partir da CBF, que parece ter como único interesse, além do financeiro, a continuidade no poder. E hoje, o presidente da CBF é eleito por um colégio de 47 pessoas: o presidente de cada um dos 20 clubes que está na série A do Campeonato Brasileiro e os 27 presidentes das Federações Estaduais, que sobrevivem dos falidos campeonatos estaduais.
E não há nada que nós, meros mortais e cidadãos comuns, possamos fazer?
Existem vários protestos rolando pela Internet, na chamada militância de sofá, onde você protesta pelo facebook, participa dos abaixo assinados e nada acontece além disso.
Há protestos feitos nas ruas, tanto no Rio quanto em São Paulo, mas o número de pessoas que participam é muito pequeno, e não há a repercussão que deveria haver neste caso.
A única maneira que enxergo é a financeira: se você deixa de frequentar os estádios durante os estaduais, há um impacto direto nas finanças do clube, o que diminui o interesse deles. Se você assina o pay-per-view neste período, para poder acompanhar os estaduais, cancele sua assinatura, pois além de economizar você estará diminuindo a receita da TV e dos clubes, diminuindo o interesse também aí.
Finalmente, e o mais difícil, se você deixar de ver os jogos pela TV e de acompanhar o noticiário dos clubes durante este período, causará um impacto maior na imprensa e também nos clubes. Quem sabe assim, com um campeonato regional sem interesse financeiro, o que é mais razoável consiga ser realizado?
Abraços,
Henri
domingo, 23 de outubro de 2011
O Pan e a transmissão pela TV
Eu gosto muito de assistir esportes na TV. Isto vale para meus esportes favoritos, como futebol, tênis, fórmula 1, vôlei, e para outros esportes em época de grandes campeonatos mundiais ou na época das Olimpíadas.
Os jogos PanAmericanos acabam sendo, em várias modalidades, uma disputa de um campeonato menor. Em vários esportes os países optam por enviar atletas secundários para disputar o Pan, e você vê o Brasil fazendo bonito e em alguns casos até ganhando com facilidade dos Estados Unidos. Em outras modalidades, o Brasil mesmo opta por poupar atletas e mandar uma equipe secundária: este ano, por exemplo, isto ocorreu no Futebol, tanto masculino quanto feminino, e no vôlei masculino.
Mas nem por esta razão este campeonato deixa de ter seu interesse: nesta última semana o torneio de vôlei feminino foi bastante disputado, com a equipe principal do Brasil e de Cuba fazendo uma final emocionante. Isto também ocorreu em algumas competições de natação, com algumas provas muito equilibradas, resolvidas no instante da batida.
O que realmente foi muito ruim neste Pan é a transmissão dos eventos. Há 2 canais transmitindo: a Record e a Record News, mas as principais competições envolvendo equipes brasileiras somente são mostradas pela Record, e a outra emissora geralmente passa competições que não envolvem o Brasil e replays de jogos onde o Brasil está envolvido. Há algum tempo vi uma notícia de que o Sportv passaria o Pan, mas isto não se confirmou.
A transmissão da Record mostra alguns problemas principais:
Mas sendo o Pan um evento menor, isto não é um grande problema, certo? Errado: até onde anuncia, a Record comprou também as Olimpíadas de Londres, o próximo Pan e as Olimpíadas do Brasil. Se você também gosta de esportes como eu gosto, se imagine assistindo a próxima Olimpíada sendo interrompido a todo instante para passar a novela da vez, mostrar algum brasileiro torcendo na Vila Olímpica, o programa do Gugu ou qualquer outra coisa. Como dizia um antigo personagem do Jô Soares: "me tira o tubo".
Abraços,
Henri
O que realmente foi muito ruim neste Pan é a transmissão dos eventos. Há 2 canais transmitindo: a Record e a Record News, mas as principais competições envolvendo equipes brasileiras somente são mostradas pela Record, e a outra emissora geralmente passa competições que não envolvem o Brasil e replays de jogos onde o Brasil está envolvido. Há algum tempo vi uma notícia de que o Sportv passaria o Pan, mas isto não se confirmou.
A transmissão da Record mostra alguns problemas principais:
- A escolha de imagens: provavelmente a escolha de imagens está sendo feita por alguém que não entende de esportes, ou que quer inovar nas transmissões. A Record levou várias câmeras extras para o México, e a toda hora estas imagens são mostradas, às vezes no meio da transmissão, sem nenhum critério. No vôlei, a Vila Panamericana era mostrada, interrompendo a transmissão da partida, no momento em que um ponto era jogado, ao invés de mostrar no momento em que um tempo foi pedido por algum dos treinadores. No caso da natação, antes do início de uma prova, eles não mostravam os competidores, os tempos, quem ocupava qual raia da piscina, mas somente ficavam mostrando uma câmera exclusiva que só filmava o brasileiro que estava participando da prova.
- A escolha do que transmitir: às vezes há eventos ocorrendo em paralelo, e cabe à emissora escolher qual será transmitido, ou interromper pontualmente a transmissão de uma partida mais longa para mostrar uma prova rápida de natação ou uma luta de boxe, por exemplo. Há muita infelicidade na escolha, não há sincronismo entre os apresentadores.
- A programação normal: a Record passa alguns eventos, mas em alguns dias, como no caso deste domingo, não interrompe a péssima programação habitual para mostrar os eventos do Pan.
Além disso, a Record contratou o Álvaro José, que tem uma das maiores memórias que conheço. Num tempo anterior à Internet (você que é mais novo acredite, um dia isto existiu), ele sabia o tempo de todos os competidores, os recordistas de todas as provas de atletismo e natação, os medalhistas, os recordes, etc, mas não era obrigado a tentar dar emoção a cada transmissão como faz hoje. Numa prova de natação, com uma brasileira ocupando a quinta colocação, na última virada, sem nenhuma chance de pegar sequer a quarta colocada, ele insistia na excepcional virada, na aceleração da brasileira, que ela ia buscar o ouro, etc, como se ninguém estivesse vendo a prova.
Abraços,
Henri
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Local:
São Paulo, Brasil
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