Em 2009 saiu uma notícia informando que a venda de livros digitais superava a venda de livros físicos no site da Amazon americana. Em algumas categorias, como a de livros de ficção, a venda de e-books superou a venda de livros físicos, considerando todo o mercado norte-americano, no ano de 2011.
A empresa que foi a grande responsável por esta mudança foi a própria Amazon, que lançou um leitor de livros digitais (e-reader) chamado Kindle, que fez muito sucesso, e que acabou provocando uma grande redução no mercado de livros físicos, levando ao fechamento da segunda maior cadeia de livrarias americana, chamada Borders, e a redução significativa do número de lojas da maior rede de livrarias daquele país, chamada Barnes & Noble.
Para fazer todo este sucesso, um dos pilares da estratégia da Amazon foi o preço. Ela fez pesadas negociações com grandes editoras, que aceitaram reduções de até 70% no preço de capa de seus livros para que estes pudessem ser vendidos no meio digital. Com um preço menor, e aparelhos de leitura cada vez com maior capacidade e conforto para os leitores, começou a ser feita esta grande revolução.
Hoje existem vários leitores digitais a venda, inclusive no mercado nacional, basicamente em 2 categorias: aparelhos cuja função principal é a de servir como leitor digital, como é o caso do próprio Kindle, e os tablets, que tem diversas funções, e entre elas aplicativos compatíveis com os livros digitais. Nos 2 casos, há muita facilidade para leitura, para comprar e baixar os livros, não há desconforto visual na leitura, nem a necessidade de se colocar um marcador de páginas quando a leitura é interrompida, visto que abrir na última página lida é uma função básica nestes aplicativos.
E aqui no nosso Brasil? Em dezembro último, a Amazon, após vários ensaios, abriu finalmente a sua loja brasileira. Aqui entramos na oportunidade perdida, citada no título deste post. A negociação com as editoras aqui também foi feita, só que a Amazon não contava que a maior rede de livrarias do Brasil, a Saraiva - Siciliano, já escolada com o que ocorreu no mercado americano, atrapalhasse suas negociações com as editoras.
Pelos números de mercado, mais da metade dos livros são vendidos no Brasil através da Saraiva, considerando tanto as lojas físicas quanto a loja virtual. Isto dá um poder muito grande para a Saraiva frente às editoras. E no mercado circula a informação de que isto tenha sido pela gigante nacional, alertando as editoras que, se os descontos para a Amazon, no caso dos livros digitais, seguisse a mesma política usada pelas editoras americanas, com até 70% de redução no preço de capa, a Saraiva deixaria de distribuir os livros destas editoras. Além disso, deveria haver o lançamento primeiro do livro físico, e somente depois de algum tempo, do livro digital.
Quando seu maior cliente, visando proteger seu mercado, lhe faz uma ameaça destas, não é de se estranhar que as editoras tenham sucumbido. E a Amazon entrou no mercado brasileiro, há 3 meses, oferecendo os mesmos preços que as outras lojas ofereciam para os livros digitais: até 30% de desconto no preço de capa, e aguardando 90 dias, depois do lançamento do livro físico, para lançar o livro digital. Este percentual de desconto é até menor do que boa parte das lojas oferece depois de 3 meses do lançamento, em se tratando dos livros tradicionais, e muitas vezes o livro digital acaba ficando mais caro que o livro em papel. Perdemos então uma grande oportunidade para aumentar o acesso de mais pessoas aos livros, pois o preço é o principal fator de desmotivação para a leitura.
Desta maneira, olhando a realidade atual do mercado, se você gosta de ler livros de autores consagrados, e enxergou no livro digital uma possibilidade de economizar neste seu hábito de leitura, esqueça: não vale a pena comprar um leitor digital. Outros motivos podem te levar para este novo hábito, principalmente as razões ecológicas, mas certamente não as razões econômicas. Simplesmente, não compensa.
PS: muitas das informações acima vieram de um site de tecnologia de que gosto muito, e que tenho em meus favoritos, chamado Gizmodo. Segue abaixo 2 links interessantes sobre este tema:
Gizmodo.com.br: Os desafios da Amazon no Brasil: Saraiva e o receio das editoras
Gizmodo.com.br: Amazon pode comprar Saraiva para enfim desembarcar no Brasil
Gizmodo.com.br: Amazon Brasil estreia com e-books; Kindle chegará por R$299
Abraços,
Henri
Este é um blog onde se pretende escrever um pouco de tudo, passeando por livros, esporte e muita coisa interessante.
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sexta-feira, 29 de março de 2013
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Pequenas comodidades
Como temos agilidade para nos adaptar com algumas facilidades que nos são oferecidas. E depois disso fica quase impossível voltar atrás, e abrir mão daquilo que estamos tão acostumados.
Para quem viaja com alguma frequência: já possui o tag do Sem Parar no seu carro? Se não tem, pela comodidade, deveria instalar logo. A passagem nas praças de pedágio é muito mais rápida, a viagem não perde o ritmo, é mais seguro - quem não fica tentando facilitar o troco ou guardar o dinheiro rapidamente no pedágio pra não perder mais tempo, abrindo mão da segurança?
Estes dias ouvi no rádio que o sensor de velocidade do pedágio, que está na pista do Sem Parar, iria começar a multar quem estivesse trafegando a mais de 40 km/h. Por mais que a gente sempre se policie, as vezes a redução de 120 km/h ou 100 km/h pra 40 km/h é muito grande, e nem sempre o carro que está atrás concorda conosco em andar na velocidade correta, o que gera o risco de ser multado ou de sofrer um acidente. Mas fazer o quê? Abrir mão da comodidade? Não dá, resta apenas se policiar um pouco mais.
Outra comodidade simples: assino a Net há alguns anos, primeiro a TV digital, agora a opção HD. A pequena comodidade, já existente há muitos anos, de se ler no rodapé da tela, o nome do programa que está passando, a faixa etária recomendada, que horas começou e que horas vai terminar, e qual o próximo programa daquele canal, com as mesmas informações, faz toda a diferença na hora de assistir TV.
E quando você percebe isto? Em momentos como agora, onde estou num hotel em Juiz de Fora, que tem vários canais disponíveis na TV e nenhuma informação do que está passando em nenhum deles. Parece que a gente volta no tempo mais de 10 anos, e fica a sensação de estar perdendo tempo ou deixando de assistir algo mais interessante do que o que está passando agora.
Existem várias outras facilidades destas, que não percebemos, mas nos acostumamos tão rápido que não conseguimos mais nos livrar delas. O celular. A Internet no celular. A gravação na TV a cabo. O ar condicionado no carro. O acesso rápido à Internet.
A lista é longa, a adaptação é rápida, e a possibilidade de ficar sem incomoda bastante. Mais do que deveria, o que acaba sendo uma arma poderosa pra quem saiba fazer o marketing bem feito. Se nos dessem estas comodidades sem custo, em alguns casos, talvez nos fisgassem como consumidores o resto do tempo.
Henri Coelho
direto do Hotel Victory Suites - Juiz de Fora
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| Comodidade no pedágio |
Estes dias ouvi no rádio que o sensor de velocidade do pedágio, que está na pista do Sem Parar, iria começar a multar quem estivesse trafegando a mais de 40 km/h. Por mais que a gente sempre se policie, as vezes a redução de 120 km/h ou 100 km/h pra 40 km/h é muito grande, e nem sempre o carro que está atrás concorda conosco em andar na velocidade correta, o que gera o risco de ser multado ou de sofrer um acidente. Mas fazer o quê? Abrir mão da comodidade? Não dá, resta apenas se policiar um pouco mais.
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| Comodidade: programação |
E quando você percebe isto? Em momentos como agora, onde estou num hotel em Juiz de Fora, que tem vários canais disponíveis na TV e nenhuma informação do que está passando em nenhum deles. Parece que a gente volta no tempo mais de 10 anos, e fica a sensação de estar perdendo tempo ou deixando de assistir algo mais interessante do que o que está passando agora.
Existem várias outras facilidades destas, que não percebemos, mas nos acostumamos tão rápido que não conseguimos mais nos livrar delas. O celular. A Internet no celular. A gravação na TV a cabo. O ar condicionado no carro. O acesso rápido à Internet.
A lista é longa, a adaptação é rápida, e a possibilidade de ficar sem incomoda bastante. Mais do que deveria, o que acaba sendo uma arma poderosa pra quem saiba fazer o marketing bem feito. Se nos dessem estas comodidades sem custo, em alguns casos, talvez nos fisgassem como consumidores o resto do tempo.
Henri Coelho
direto do Hotel Victory Suites - Juiz de Fora
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